
O livro ‘Empire of AI: Dreams and Nightmares in Sam Altman’s OpenAI’, de Karen Hao, revela os bastidores da OpenAI através de centenas de entrevistas com funcionários e ex-funcionários da empresa. A obra expõe aspectos controversos da liderança de Sam Altman e a transformação da companhia desde sua fundação.
Alguns jornalistas especializados no mundo da tecnologia já tiveram acesso ao livro, e compartilharam com o mundo alguns dos pontos mais interessantes da narrativa. E o que veio à tona é o império de luzes e sombras que Sam Altman está construindo em torno dele, através da OpenAI.
Neste artigo, vamos pinçar alguns desses melhores momentos do livro, como forma de despertar o interesse do leitor e, ao mesmo tempo, ilustrar parte da narrativa presente na obra.
Como é Sam Altman (segundo Karen Hao)

Sam Altman é retratado como um mestre da persuasão, capaz de adaptar seu discurso a cada interlocutor para conseguir o que deseja. Sua comunicação é marcada pela economia de palavras – ele envia e-mails de uma única palavra e prefere conversas verbais, evitando deixar registros escritos.
Ex-funcionários descrevem-no como alguém extremamente hábil em descobrir como influenciar pessoas e dobrar situações a seu favor.
A trajetória de Altman na OpenAI é marcada por vitórias estratégicas em batalhas pelo poder. Primeiro, conseguiu tomar a direção da empresa de Elon Musk. Depois, retornou fortalecido ao cargo de CEO após sua polêmica demissão.
Paul Graham, seu mentor, chegou a dizer que Altman poderia “saltar de paraquedas em uma ilha cheia de canibais e voltar como rei em cinco anos”.
Como a OpenAI chegou até aqui

A OpenAI nasceu como um laboratório focado no desenvolvimento de inteligência artificial benéfica para a humanidade, priorizando o compartilhamento de conhecimento. No entanto, a empresa rapidamente se transformou em uma organização voltada para o lucro e cercada de sigilo.
A visão original de criar uma IA segura e alinhada com os objetivos humanos foi relegada a segundo plano em favor da busca por um monopólio no setor.
O sucesso da OpenAI não se deve apenas ao pioneirismo do ChatGPT, mas principalmente aos investimentos massivos desde o início.
A empresa atraiu talentos como Ilya Sutskever, que deixou o Google Brain para se juntar ao projeto. Sutskever recebeu quase dois milhões de dólares anuais, enquanto outros fundadores ganhavam $175.000 mais ações. Em 2016, dos $11 milhões gastos pela OpenAI, sete foram destinados exclusivamente a salários.
Um momento importante na sua história foi a demonstração de uma versão avançada do GPT para Bill Gates em abril de 2019. Dario Amodei treinou o modelo usando 10.000 GPUs NVIDIA V100, uma aposta cara que colocou a OpenAI anos à frente da concorrência.
Essa demonstração impressionou Gates, e contribuiu para o primeiro investimento de $1 bilhão da Microsoft na empresa.
As controvérsias em torno da OpenAI

O livro também denuncia práticas controversas da OpenAI, incluindo a exploração de mão de obra barata em países como Quênia, Colômbia, Chile e Uruguai.
Trabalhadores mal remunerados rotularam conteúdo tóxico para treinar o ChatGPT, muitos desenvolvendo transtorno de estresse pós-traumático no processo. A educada personalidade do chatbot existe graças ao sofrimento dessas pessoas.
A obra critica ainda os impactos ambientais da corrida pela IA. O Google, por exemplo, planejou construir um data center no Uruguai que consumiria 7,6 milhões de litros de água diariamente – equivalente ao consumo de 55.000 pessoas – em um país onde muitos não têm dinheiro para comprar água engarrafada.
Karen Hao conclui que as empresas de IA funcionam como “impérios” e que a busca pelo domínio dessa tecnologia transformadora é baseada em “valores polarizados, egos conflitantes e humanidade desordenada de um pequeno punhado de pessoas falíveis”.
Dos 11 cofundadores originais da OpenAI, quase todos já deixaram a empresa, evidenciando os conflitos internos que marcaram sua evolução.
Preço e disponibilidade
“Empire of AI: Dreams and Nightmares in Sam Altman’s OpenAI” pode ser adquirido na Amazon para Kindle, com preço sugerido de R$ 82,90. A edição de capa dura custa em torno de R$ 172, mas você terá que esperar a entrega internacional do produto.
Não há informações sobre o lançamento de uma possível edição do livro em português do Brasil.
