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Review | Samsung Galaxy Book S

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Confesso que levei mais tempo do que gostaria para fazer o review do Samsung Galaxy Book S. E isso aconteceu porque eu estava com outras motivações durante o período de distanciamento social. Mas finalmente consegui abrir uma janela nas minhas atividades para comentar sobre um dos notebooks mais interessantes do mercado.

O Samsung Galaxy Book S tem como principal proposta ser aquele notebook ultrafino, muito leve, com o suficiente para um bom desempenho para as tarefas mais básicas e uma duradoura autonomia de bateria.

Porém, ao mesmo tempo que ele chama a atenção de muita gente por causa do seu design, o produto também pode afastar algumas pessoas por conta de suas características de hardware, principalmente o seu processador que, de forma equivocada, muitos comparam com um chip de smartphone.

Neste artigo, não apenas vou compartilhar as principais características do Samsung Galaxy Book S, mas também tentar acabar com esse preconceito estabelecido sobre o produto.

Alguns usuários de tecnologia precisam entender que nem todos os produtos são pensados nos usuários top de linha, e cada produto tem que atender a determinadas necessidades de públicos específicos.

E vou provar este ponto a partir de agora.

 

 

 

Por que escolhi o Samsung Galaxy Book S

Quando adquiri o Samsung Galaxy Book S em agosto de 2021, meu principal objetivo era ter um notebook fino, leve e compacto para a mobilidade. Queria um portátil para colocar na mochila para trabalhar nas tarefas mais básicas dos blogs, como produzir textos para publicação em qualquer lugar e no menor tempo possível.

O produto chegou para substituir o muito bem-sucedido Acer Chromebook C7 (que ainda vai virar review para o blog, apesar de já ter uma análise em vídeo no YouTube), que tinha essa função em minha vida profissional. E não posso reclamar do Chrome OS, pois sempre me serviu muito bem.

Porém, eu precisava de todos os recursos oferecidos pelo Windows para desenvolver essa tarefa. Hoje, produzo os textos no Word e edito fotos no IrfanView, dois softwares essenciais para as minhas atividades. Até tenho as alternativas com o Chrome OS que atendem bem, mas não são tão completas quanto aquelas que são compatíveis com o sistema operacional da Microsoft.

Além disso, ter o recurso de sincronização das configurações com todos os meus computadores é algo que facilita a minha vida. Começar um texto no notebook principal e terminar o mesmo texto em outro portátil na praça de alimentação do shopping é algo importante para a minha atividade. E, principalmente, sem ter a dependência de uma conexão com a internet ativa o tempo todo.

Não foram poucas as oportunidades em que produzi artigos entre um voo e outro durante os meus deslocamentos, e só posso fazer isso de forma plena através de um editor de texto dedicado e offline. Por isso, a solução do Samsung Galaxy Book S era perfeita. Ou melhor, era aquela que eu poderia adotar, uma vez que um MacBook Air não é uma opção para mim, pelo menos neste momento.

Por isso, o investimento no Samsung Galaxy Book S me pareceu minimamente razoável, considerando todas as perspectivas passadas neste texto até agora. Mas antes de usar o produto na prática, ainda estava com algumas dúvidas sobre a sua experiência de uso e produtividade.

 

 

 

As primeiras impressões

As primeiras impressões sobre o Samsung Galaxy Book S foram muito positivas, e nem poderia ser diferente.

Seu kit de venda é direto e minimalista. Alguns poderiam dizer que essa primeira apresentação do produto mais lembra a de um tablet da Samsung, e não estão tão errados nessa afirmação.

O fato de sua caixa só contar com o produto em si, um cabo USB-C convencional, o mesmo carregador rápido utilizado em alguns smartphones top de linha da marca, um adaptador USB-C > USB e a documentação de manuais e certificados acaba aproximando essa ideia de ser uma versão modificada de um tablet da Samsung.

Porém, o primeiro contato direto com o produto também deixa claro que esse notebook vai além de ser um tablet “metido a besta”, como pensa alguns dos seus detratores.

O Samsung Galaxy Book S conta com um acabamento de produto premium, com a carcaça que reveste a tampa do produto em material metálico que não deixa marcas de dedo no contato com as mãos. O que é sempre uma boa notícia para quem está preocupado com a estética do produto de um modo geral.

Na parte inferior e na parte interna, um material em plástico em boa qualidade que simula o metal reveste o produto, o que reforça essa impressão de produto premium. Destaque para os pés de apoio para as superfícies planas, que contam com alturas diferentes para oferecer uma certa inclinação, o que facilita um pouco na hora de digitar com o teclado do notebook.

Outro detalhe do design é a curva na parte superior da tampa do notebook, que também interfere na ergonomia de digitação quando aberta. É um detalhe de design que também ajuda a manter o notebook mais fino e compacto quando fechado.

Aliás, a sua baixa espessura chama a atenção em todos os sentidos. Inclusive na hora de abrir a tampa do notebook, pois é possível abrir o portátil com apenas uma das mãos, mesmo sendo um produto tão fino. E esse perfil refinado faz com que o portátil atenda às minhas necessidades em entregar uma maior portabilidade.

Por ser muito fino, o Samsung Galaxy Book S adota como soluções de conectividade essas pequenas saliências que já estavam presentes em outros modelos de computadores portáteis desse fabricante. Talvez alguns usuários vão reclamar do fato do notebook não contar com a maioria das portas convencionais que encontramos em outros dispositivos, mas isso é perfeitamente compreensível. Não é a proposta desse produto, definitivamente.

De qualquer forma, o Samsung Galaxy Book S é um notebook bonito, bem ajustado na sua proposta em ser um produto fino e leve, e faz tudo isso com configurações técnicas que se ajustam a essa proposta.

 

 

 

As principais características técnicas

O grande ponto de polêmica do Samsung Galaxy Book S para muita gente é a presença do processador Intel Core i5-L16G7, trabalhando com a placa gráfica Intel UHD Graphics. Sua arquitetura é híbrida, pois combina elementos de um processador de notebook com chips de smartphones.

Na prática, esse processador trabalha com um núcleo de alto desempenho para a inicialização do sistema operacional e tarefas mais pesadas e outros quatro núcleos de baixo desempenho, para as tarefas mais básicas e funcionamento geral do dispositivo.

O Core i5-L16G7 é o equivalente a um processador de décima geração dentro da hierarquia da Intel, mas tecnicamente entrega o mesmo desempenho de um processador Core i3 de oitava geração. E muitas pessoas defendem que esse chip vai deixar o Samsung Galaxy Book S obsoleto antes do tempo.

Pelo menos por enquanto, não é isso o que está acontecendo. A minha unidade do produto conseguiu ser atualizada para o Windows 11 sem maiores problemas e até melhorou o seu desempenho depois do update. Falo mais sobre isso mais adiante neste review.

O notebook conta com uma tela sensível ao toque de 13.3 polegadas LED (FullHD, 1920 x 1080 pixels), que não possui tratamento antirreflexo. O que, neste caso, não é um problema: o Samsung Galaxy Book S conta com um recurso que aumenta o seu brilho nativo de 350 nits para 600 nits, permitindo que a visualização dos elementos na tela seja plena, mesmo em ambientes com elevada luminosidade ou ao céu aberto em dias de sol forte.

O desempenho da tela é muito bom em todas as situações, com o toque na tela preciso e não produzindo toques fantasma ao longo do tempo. Se você tem uma S-Pen compatível para a interação com essa tela, é possível realizar ações como desenhos e toques. Porém, em um mundo perfeito, esse produto seria um 2 em 1 conversível, ou seja, com a sua tela girando até a parte traseira do dispositivo, se transformando em um tablet.

Por outro lado, se isso realmente acontecesse, o Samsung Galaxy Book S teria grandes chances de canibalizar outro notebook da empresa, o Galaxy Book Pro 360, que é bem mais caro e potente, mas entra na categoria de portátil conversível.

O modelo conta com 8 GB de RAM LPDDR4x em módulo único e soldado. Ou seja, você não pode fazer atualizações de hardware desse produto no futuro, o que pode eventualmente reduzir a sua vida útil com o passar do tempo e o avançar do desenvolvimento do Windows e dos softwares compatíveis com ele.

No armazenamento, o Samsung Galaxy Book S recebe 256 GB em formato eUFS, que é o mesmo tipo de SSD que é utilizado hoje em muitos smartphones. Ele é mais rápido que um HD, mas mais lento que um SSD utilizado em notebooks mais potentes. Porém, o conjunto é mais que suficiente para que o portátil entregue um desempenho compatível com a sua proposta principal, que é a produtividade básica em qualquer lugar, com longa autonomia de bateria.

Também é importante lembrar que esse armazenamento do Samsung Galaxy Book S também não é atualizável, impedindo a instalação de um SSD “de verdade” ou tradicional no produto. Em compensação, a Samsung ao menos disponibiliza um slot para cartões microSD em uma de suas laterais, o que pode remediar essa questão para alguns usuários.

Na conectividade, o portátil ultrafino da Samsung conta com o Bluetooth 5.0 e o WiFi 6 (Gig+, 802.11 ax 2×2), o que garante um ótimo desempenho para sincronizar outros dispositivos como smartphones e fones de ouvido sem fio. Além disso, o produto está pronto para as redes sem fio de última geração, o que atenua a ausência de uma porta Ethernet (mas nada impede que você utilize um adaptador compatível com as portas USB-C).

Falando nisso, o portátil conta com duas portas USB-C que permitem a recarga de sua bateria interna em qualquer uma dessas portas. Além disso, o conector para fones de ouvido está lá, mesmo que esteja em extinção nos smartphones. Certamente alguns usuários vão agradecer por isso.

Seu teclado é um dos principais destaques. Apesar de contar com uma tela de 13.3 polegadas, as teclas no estilo chiclet são grandes, com uma disposição em formato ilha. Isso faz com que a sua digitação seja extremamente agradável, entregando a produtividade para quem precisa produzir textos em qualquer lugar e com a máxima eficiência.

Por outro lado, sua retro iluminação é ineficiente. Você não tem controle sobre o acionamento deste recurso, já que ele entra em ação apenas e exclusivamente quando você abre a tampa do notebook em um ambiente com baixa luminosidade. Sem falar que essa iluminação é em verde neon em um tom mais fraco do que o desejado.

Ou seja, a iluminação das teclas até funciona, mas em ambientes completamente escurecidos. Isso não atrapalha em nada na usabilidade do produto, mas entendo que a Samsung poderia ter entregado um resultado um pouco melhor neste aspecto.

Seu touchpad também é digno de elogios. Ele é um pouco menor do que o desejado, e isso é algo compreensível quando olhamos para as dimensões gerais do produto. Porém, é um elemento de interação que funciona muito bem no uso diário, com uma ótima resposta ao toque. Aqui, é possível dispensar o mouse para realizar as tarefas fora de casa com maior praticidade.

O Samsung Galaxy Book S conta com um leitor de impressão digital integrado em uma tecla dedicada, e como esse recurso é compatível com o famigerado modo de segurança TPM, o portátil é compatível com o Windows 11. Mais adiante eu relato como foi a minha experiência com o produto após essa atualização.

Esse notebook conta com uma bateria de 42 Wh, o que é menor do que muitos outros notebooks ultrafinos que já testei. Porém, estamos falando de um portátil que conta com aquela arquitetura híbrida que já mencionei. E como esse chip é mais eficiente nos aspectos energéticos, a sua autonomia de uso é plena.

Em um uso normal (tela com 50% de brilho e sem o recurso de economia de bateria ligado), o Samsung Galaxy Book S pode alcançar 8 horas de uso sem maiores problemas. Com o modo de economia ligado, ele pode superar as 10 horas de uso longe da tomada.

Seu adaptador USB-C de 25W é o mesmo compatível com alguns smartphones da Samsung, o que pode resolver problemas para algumas pessoas que esquecem o adaptador de energia do notebook ou que não querem levar tantos adaptadores na mochila nas jornadas diárias. A bateria do portátil pode ser recarregada por completo em pouco mais de duas horas.

Por fim, outro forte argumento a favor do Samsung Galaxy Book S é o seu peso: apenas 950 gramas. E isso o torna perfeito para a mobilidade diária.

 

 

 

A experiência de uso

Durante os primeiros meses de uso com o Samsung Galaxy Book S, eu utilizei o equipamento com o Windows 10 instalado, sem retirar nenhum dos softwares adicionais ou pré-instalados. Nos meus equipamentos de uso particular, eu formato o computador para eliminar esses programas que, em muitos casos, não passam de crapwares. Mas optei por manter a experiência de uso original, tal e como a Samsung propõe.

E não são poucos softwares que a Samsung enfia no Galaxy Book S. Para não dizer que não removi nada, o McAfee Life Safe foi retirado de forma imediata do computador. Todos os outros propostos pela empresa sul-coreana permaneceram, pois são importantes para a experiência de uso do dispositivo com essas características.

No final das contas, nenhum desses itens afetaram negativamente a minha experiência de uso com o produto. O desempenho do Windows 10 não foi afetado de forma sensível, e as funcionalidades complementares melhoram essa experiência.

Em termos práticos, o Samsung Galaxy Book S tem um bom desempenho com o Windows 10, considerando a sua proposta de entregar a produtividade básica em qualquer lugar. A inicialização do sistema operacional acontece em tempo aceitável, assim como a primeira execução de todos os programas instalados.

Uma vez que os softwares estão residentes na memória do equipamento, é possível executar esses programas de forma mais plena e sem maiores problemas. É claro que você não vai conseguir executar jogos pesados no notebook ultrafino, e isso não é um problema, pois ele não foi concebido para essa utilização.

No começo de 2022, decidi criar coragem e atualizar o equipamento para o Windows 11, mesmo consciente dos possíveis problemas de compatibilidade entre o hardware o software. Mesmo assim, apostei que a Microsoft já tinha resolvido essas questões.

E, de fato, resolveu.

A atualização do Samsung Galaxy Book S para o Windows 11 aconteceu sem maiores problemas, e não percebi nenhuma anormalidade ou problema persistente no funcionamento do produto com o novo sistema operacional. Apenas uma questão pontual com a parte do vídeo, que foi resolvido com a atualização do driver e reinicialização do portátil.

Aqui, uma grata surpresa. O Windows 11 conseguiu melhorar o desempenho do Samsung Galaxy Book S, otimizando inclusive a autonomia de bateria do produto, algo que não detectei em outros portáteis que testei recentemente. Isso fez com que eu tomasse a decisão de desistir da venda desse portátil, já que ele seguia atendendo muito bem aos meus propósitos e necessidades.

De um modo geral, o desempenho do Samsung Galaxy Book S com o Windows 11 é tão ou mais aceitável quanto era com o Windows 10. O sistema operacional se adaptou bem com a proposta do produto, e quem optar por realizar a migração pode fazer sem medo neste momento.

 

 

 

Samsung Galaxy Book S: o veredito

Talvez não tenha ficado claro, mas o Samsung Galaxy Book S está aprovado. Tanto, que se tornou o meu terceiro notebook de uso pessoal e profissional, já que ele é o ideal para colocar na mochila e trabalhar em qualquer lugar aqui em Florianópolis.

Vou deixar o Lenovo Yoga 7i (que ainda será avaliado aqui no blog) para as viagens e situações em que vou precisar da mesma potência para trabalhar com edição de fotos e vídeos em qualquer lugar. Duas tarefas que o Samsung Galaxy Book S definitivamente não consegue executar.

Antes de terminar, é importante reforçar que as pessoas precisam efetivamente entender qual é o principal propósito para a existência do Samsung Galaxy Book S.

Este é um notebook pensado na produtividade mais básica. Trabalhar com navegação de internet, edição de textos e planilhas em qualquer lugar, ler e-mails e acessar as redes sociais em um computador portátil fino e leve, com longa autonomia de bateria.

Consigo imaginar estudantes, produtores de conteúdo (como este que está escrevendo este artigo) e até executivos que querem um notebook bonito para impressionar em reuniões (por mais que esse último aspecto seja considerado fútil). Para quem entende os propósitos e objetivos desse tipo de produto, vai se dar muito bem ao realizar o investimento nele.

Por outro lado, eu só comprei o Samsung Galaxy Book S porque paguei um preço bem menor do que o sugerido pela própria Samsung (em torno de R$ 4 mil). Se você olhar para os R$ 5.499 sugeridos para o modelo de 256 GB e precisa de mais desempenho em um notebook ultraportátil, quem sabe não é melhor olhar para alguns dos seus concorrentes diretos com Windows, como o ASUS Zenbook 14 e o Lenovo Yoga 7i. Certamente os dois modelos entregam mais neste aspecto.

Ou se você quer o máximo de desempenho dentro da proposta de notebook compacto e portátil, quem sabe não é melhor investir mais dinheiro e adquirir logo o MacBook Air com chip M1 da Apple.

Mesmo assim, nada disso vai desabonar o Samsung Galaxy Book S. Para quem entende o que esse produto quer oferecer, pode obter muitos benefícios com ele. É o meu caso.


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