O Moto Z3 Play é o intermediário premium da Motorola que tem como principais missões apresentar a evolução da família de dispositivos modulares, além de corrigir os problemas do modelo anterior. Duas missões complicadas para qualquer fabricante de smartphones em um mercado que apresenta quedas nas vendas.

Porém, no caso desse modelo, a missão é um pouco mais complexa. A acusação de continuísmo é um fantasma constante para a empresa da Lenovo, que precisa apresentar algo que vai além do “mais do mesmo” nos novos produtos. Entregar smartphones bonitos e eficientes não bastam para os exigentes usuários. É preciso convencer que a proposta vale a pena.

Nesse review, apresentamos o Moto Z3 Play, as suas principais características, e procuramos descobrir se a Motorola alcançou os já citados dois objetivos principais com o produto. Se conseguiu melhorar naquilo que não era tão bom no segundo modelo, e se as melhorias justificam a troca ou aquisição para o novo produto.

 

 

Review em Vídeo

 

 

Características Físicas

 

 

Em linhas gerais, temos o mesmo design do Moto Z2 Play, mas com diferenças substanciais.

Sai o acabamento de metal e entra o acabamento envidraçado. É uma tendência estética que dominou o mercado, o que resulta em um produto mais pensado no aspecto premium do dispositivo. É um produto visualmente mais chamativo, mas bem sabemos que o efeito colateral disso está nas marcas de dedo no corpo de todo o dispositivo.

 

 

O calombo de câmera continua, e eu nem comento mais essa parte. Todo mundo sabe o que eu penso sobre isso, e essa é uma questão muito mais pessoal do que funcional. Alguns gostam, outros não gostam. Todo mundo já sabe que eu estou na turma do “outros”.

O Moto Z3 Play aproveita melhor a área de tela, onde as bordas superior e inferior estão menores. Isso é sempre algo muito positivo para quem quer um dispositivo para ver conteúdos em vídeo, para jogos ou para um melhor uso do sistema operacional.

 

 

Isso também é possível porque o novo modelo mudou a sua posição de leitor de digitais. Ele sai da parte frontal inferior para a lateral direita do dispositivo. Mais adiante eu falo sobre a experiência com esse novo leitor.

 

 

Do mais, é um modelo com uma estética muito elegante e agradável. O Moto Z3 Play é um smartphone realmente muito bonito. Um dos mais bonitos que eu testei em 2018. Tudo bem, eu sinto falta da saída de áudio de 3.5 mm (e nenhuma atração pelo adaptador de áudio para USB Type-C), mas não podemos ter tudo na vida.

 

 

Tela

 

 

O Moto Z3 Play possui uma tela de 6 polegadas, com resolução Full HD+ (2160 x 1080 pixels, 403 ppp) Super AMOLED, com proteção Corning Gorilla Glass.

Dificilmente a Motorola erra nas telas dos seus smartphones, e a regra aqui se repetiu. Temos uma ótima tela de um dispositivo que entrega o 18:9 sem apelar para o notch, algo que agrada a muitos. A paleta de cores está excelente, e o nível de contraste é ótimo. É a tela perfeita para a reprodução de vídeos e filmes por streaming, ou para conteúdos armazenados no próprio dispositivo (ou cartão de memória).

Para os jogos, essa tela também vai muito bem. Sua interação através do toque é precisa e suave, com ótimo tempo de resposta. Entendo que até mesmo os usuários mais exigentes ficarão satisfeitos com a tela desse smartphone. A diferença aqui para o modelo anterior é considerável, tanto no tamanho como nas especificações e qualidade final da imagem.

 

 

Hardware, Software e Experiência de Uso

 

 

Aqui, mais diferenças substanciais na teoria e na prática.

O Moto Z3 Play conta com um processador Qualcomm Snapdragon 636 octa-core a 1.8 GHz, com GPU Adreno 509, trabalhando com 4 GB de RAM. É o conjunto de linha média premium padrão para 2018 (acho estranhos os fabricantes não adotarem o Snapdragon 660 como processador, mas entendo que todos estão buscando a melhor relação custo-benefício possível nos modelos apresentados nesse ano). Está um degrau acima do Snapdragon 630 presente no Moto G6 Plus, mas já temos uma boa diferença aqui.

Seu desempenho é superior aos modelos da linha Moto G, pois temos um conjunto mais completo e afinado com o Android 8.1 Oreo (quase) puro presente no dispositivo. O gerenciamento dos recursos é mais eficiente, e isso se reflete na experiência de uso.

O Moto Z3 Play possui um desempenho excelente na maior parte do tempo, permitindo a execução de qualquer tipo de aplicativo sem maiores problemas. Nos jogos mais pesados, o seu desempenho é bem limpo, sem engasgos ou travamentos. E o ritmo de entrega de correções de software estabelecido pela Motorola, algo sempre bem pontual, ajuda nessa equação.

Para quem tem o modelo do ano passado e pensa no modelo desse ano, o upgrade aqui é considerável. Apesar de não mudar a série do processador (e nem é a finalidade dessa família), as diferenças entre os dois chips (o Moto Z2 Play conta com um Snapdragon 626) se fazem evidentes no uso prático.

 

 

Leitor de Digitais

 

 

Uma das mudanças de design de maior destaque no novo modelo é a mudança do leitor de digitais para a lateral direita do dispositivo. Com isso, o Moto Z3 Play aproveita melhor a área frontal para a tela, algo que já destacamos nesse review.

Sobre a experiência de uso com esse leitor de digitais, ela é satisfatória na maior parte do tempo, com uma leitura rápida e precisa na maioria dos experimentos. É importante destacar que, por conta da sua posição, é possível escolher o dedo para leitura biométrica em função da ergonomia do dispositivo. Ou seja, polegar e indicador podem ser os dedos escolhidos, de acordo com a forma que você está mais acostumado a segurar o smartphone.

Também é importante lembrar que o Moto Z3 Play também conta com sistema de reconhecimento facial na câmera frontal. Algo não tão prático e seguro como ler a digital do usuário, mas ainda assim é uma alternativa adicional que você pode utilizar (ou não).

 

 

Câmeras

 

 

Outro upgrade importante… em partes.

Já que a linha Moto G5 (de 2017) recebeu uma câmera dupla traseira em alguns modelos e o Moto Z2 Play estranhamente ficou com apenas um sensor, a Motorola decidiu corrigir o erro no Moto Z3 Play, e colocar uma câmera traseira dupla de 12 MP + 5 MP com Dual autofocus pixel, abertura f/1.7 e f/2.2, com auto HDR e dual flash LED.

Porém, novos recursos, velhos problemas.

 

 

É claro que temos uma melhora natural na qualidade das fotos do novo smartphone, algo que é perceptível na qualidade final das fotos. Porém, os resultados são apenas bons, e nada além disso. Quero dizer, são resultados de imagens aceitáveis para a maioria dos usuários que querem simplesmente registrar os momentos de sua vida e, comparativamente, os resultados são melhores do que os registrados pela câmera dupla do Moto G6 Plus. Porém, não muito melhores.

 

 

Em alguns cenários pontuais (dias nublados, ausência de iluminação perfeita, luz artificial), foi possível perceber a falta de foco em algumas fotos, o que não agrada muito para os usuários mais exigentes. Nas fotos noturnas ou com baixa luminosidade, vemos como as fotos também apresentam dificuldades em estabelecer um foco perfeito em todos os disparos, algo que é histórico no software de câmera da Motorola. Em compensação, a quantidade de ruído nas fotos é consideravelmente mais baixa do que o esperado, o que considero como algo positivo.

 

 

Na parte de vídeos, a câmera traseira também apresenta os problemas do passado, apesar de melhoras significativas. O Moto Z2 Play apresentou como o seu maior problema a incapacidade de reduzir a captação de ruído nos microfones. Podemos dizer que a Motorola resolveu 90% desse problema, onde o ruído eventualmente aparece, mas em uma quantidade muito menor.

Também foi possível observar que o estabilizador de imagem não está tão otimizado quanto estava no Moto Z2 Play, algo que deve incomodar os videomakers que querem utilizar os sensores fotográficos para registro de vídeos para o YouTube. As impressões aqui são mistas: melhoras em aspectos pontuais, conservadorismo de comportamento em outros aspectos pontuais.

A câmera frontal de 8 MP (f/2.0) segue a mesma regra da câmera traseira: vai bem em condições perfeitas de iluminação, e apresenta suas imperfeições em ambientes pouco iluminados ou com baixa luminosidade. Ou seja, aqui, as melhoras podem ser numéricas, mas não necessariamente práticas.

 

 

Em resumo: a Motorola adicionou uma câmera dupla traseira, um sensor maior na câmera frontal, mas ainda não consegue trabalhar de uma forma que esses sensores entreguem resultados mais satisfatórios do que teoricamente poderiam oferecer. Ter uma câmera dupla apenas para entregar o efeito bokeh, mas sem ter um software que tome o melhor proveito do recurso não é o suficiente, principalmente quando a concorrência está cada vez mais acirrada nesse aspecto (também).

 

 

Bateria e Armazenamento

 

 

O Moto Z3 Play possui uma bateria de 3.000 mAh, com recurso de recarga rápida (via carregador TurboPower). Muitos podem se preocupar com a autonomia desse dispositivo, por conta do tamanho de sua tela.

Nesse sentido, a Motorola continua mandando muito bem. Historicamente, os modelos Play da linha Moto Z entregam uma excelente autonomia de bateria, e o Moto Z3 Play repete a receita. Pelo menos um dia de uso sem maiores problemas, e o carregador TurboPower garante aquele fôlego extra, caso você necessite garantir um dia de autonomia de uso.

No armazenamento, os 64 GB (expansíveis via microSD de até 2TB) são suficientes para a maioria dos usuários. O modelo alternativo, com 128 GB de armazenamento, é mais recomendado para os produtores de conteúdo (fotos e vídeos), sem falar nos usuários que querem a memória interna para instalar jogos e apps mais pesados, além dos arquivos pessoais (no meu caso, músicas em MP3).

 

 

Conclusão

 

 

O Motorola Moto Z3 Play, em linhas gerais, oferece atualizações relevantes em comparação ao Moto Z2 Play em vários aspectos. É um modelo melhor em praticamente tudo (inclusive em questões menores, como WiFi, Bluetooth, GPS, etc), mas é considerado um modelo conservador em questões pontuais.

É importante lembrar que, especialmente pelo fato de ser parte de uma linha que aposta na modularidade, a família Moto Z não vai sofrer alterações drásticas de design. Os modelos são projetados para suportarem, de forma universal, os módulos para expansão das funcionalidades, que é onde está toda a aposta da Motorola nessa família de produtos. Por isso, é preciso estar ciente que não vamos encontrar mudanças gritantes nesse aspecto.

Por outro lado, seria fundamental apresentar evoluções nos sensores fotográficos nos cenários de baixa luminosidade ou iluminação artificial, um problema que a Motorola não consegue contornar de forma sustentável.

Em linhas gerais, o modelo vale o quanto custa em função principalmente do seu desempenho. Quando esse review foi produzido, o ASUS Zenfone 5, o seu principal concorrente no mercado brasileiro, ainda não teve o seu preço anunciado. É esperado que a ASUS bata de frente com esse modelo, e se o Zenfone 5 custar menos de R$ 2.000 (algo difícil, mas possível), o Moto Z3 Play pode enfrentar sérios problemas.

Na verdade, já enfrenta. O Samsung Galaxy A8 2018 já custa menos de R$ 2.000, e oferece especificações muito próximas – com um conjunto de câmera melhor, algo que o Zenfone 5 também possui.

O Moto Z3 Play é recomendado, por exemplo, para quem ficou no Moto Z original, e quer fazer um upgrade para o novo dispositivo. Também é recomendado para quem tem hoje o Moto Z2 Play e, ciente de todos os prós e contras mencionados nesse review, quer fazer a atualização de telefone, também para manter os módulos.

Para quem pensa em ter um Moto Z e quer economizar uma grana, o Moto Z2 Play ainda é uma opção bem viável. Oferece um bom desempenho, e não se sente muitas diferenças nos resultados fotográficos. Agora, se você quer se livrar do ruído nas gravações de vídeo, quer tela maior e um processador mais apto para jogos e um desempenho mais fluído, o Moto Z3 Play é a sua escolha (quase) inevitável.