Não pense no Motorola Moto G6 Plus apenas como uma versão maior do Moto G6. Pense nele como outro smartphone. Até porque ele é efetivamente isso. As diferenças entre os dois modelos são bem consideráveis, e essas diferenças se refletem de forma decisiva na experiência de uso do dispositivo.

Recebemos da assessoria de imprensa da Motorola Brasil uma unidade do Moto G6 Plus, e durante os testes pudemos detectar as diferenças na prática, e não apenas nos fatores numéricos. Nesse review, mostramos as principais características técnicas do produto, as suas principais qualidades e pontos não tão positivos, e procuramos identificar qual é o tipo de usuário que melhor pode se beneficiar desse smartphone para um uso diário.

 

 

Review em Vídeo

 

 

 

Características Físicas

 

 

O Moto G6 Plus mantém o design do Moto G6, algo bem óbvio e lógico, uma vez que estamos falando de produtos pertencentes à mesma família. Logo, temos as mesmas características comuns: um ar mais premium para o dispositivo, com um revestimento envidraçado.

Por ter uma tela maior, o leitor de digitais na parte frontal não é algo tão intuitivo quanto é no modelo menor. Aquela saliência da câmera na parte traseira “que eu tanto amo” (e entenda a ironia nas aspas) continua e, nesse caso, nem o case de silicone que acompanha o kit de venda do produto elimina esse detalhe estético.

 

 

Ainda é um modelo que tem um design que agrada, mantendo os botões de liga/desliga e controle de volume no mesmo lado direito, e em manter a convivência harmônica entre a porta USB Type-C e o conector de áudio de 3.5 mm.

 

 

De um modo geral, não tem muito o que dizer sobre o design do produto. O Moto G6 me agradou nesse aspecto, logo, o Moto G6 Plus também me agrada, pois conceitualmente eles são iguais.

 

 

Tela

 

 

O Moto G6 Plus possui uma tela de 5.9 polegadas Max Vision, com resolução Full HD+ (2160 x 1080 pixels, com aspecto 18:9), densidade de 407 pixels por polegada e 16 milhões de cores.

É uma tela muito boa para a interação com o sistema operacional Android, com uma boa resposta ao toque e sensível à interação dos gestos. Também vai muito bem na reprodução de cores e conteúdos gráficos. Nem preciso dizer que é uma tela excelente para a visualização de vídeos e canais de TV digital (inclusive em alta definição, algo que falo mais adiante nesse review).

Para vídeos e jogos, é uma tela que vai muito bem, oferecendo resultados muito interessantes. Para quem busca um smartphone para o consumo de conteúdo de entretenimento, é um dispositivo mais que recomendado.

Recursos como o Moto Tela ainda estão presentes, e mesmo com uma densidade de tela menor que a do Moto G6, a diferença é tão pequena, que simplesmente passa batido. A maioria dos usuários deve ficar satisfeita com os resultados que vai encontrar nesse modelo.

 

 

Hardware, Software e Experiência de Uso

 

 

Aqui, encontramos grandes diferenças em relação ao Moto G6, e os mais exigentes em termos de desempenho devem olhar para esses itens com maior atenção.

Estamos diante de um smartphone que recebe um processador Qualcomm Snapdragon 630 octa-core a 2.2 GHz, trabalhando com uma GPU Adreno 508, 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento. Aqui, a diferença entre o Moto G6 é considerável, e a experiência de uso desse modelo é significativamente melhor que a do modelo menor.

Não é o mais completo chip intermediário da Qualcomm, e entendemos que a Motorola ainda está apostando na relação custo-benefício, na tentativa de deixar o preço desse smartphone mais atraente do que a concorrência. Mesmo assim, encontramos um dispositivo mais apto a realizar tarefas mais complexas, como jogos com gráficos mais elaborados e a execução de vídeos em Full HD.

A experiência de uso com o Android (quase) puro adotado pela Motorola também acontece de forma mais fluída que no Moto G6, pois a combinação hardware + software é naturalmente mais completa.

E nos jogos, a diferença é perceptível. Apesar de não entregar uma execução perfeita em jogos com gráficos mais exigentes (é possível perceber pequenos lags em jogos como Real Racing 3 e Dead Trigger 2), o Moto G6 Plus oferece um desempenho muito melhor que o Moto G6 nesse aspecto, e é mais preparado para rodar jogos mais pesados.

Volto a destacar o leitor de digitais na parte frontal, que responde bem à leitura, apesar de perceber uma certa lentidão na resposta à leitura.

Em resumo: os mais exigentes devem olhar para o Moto G6 Plus (com Snapdragon 630) como uma possibilidade mais viável para um uso um pouco mais exigente do que o Moto G6 (com Snapdragon 450).

 

 

Câmeras

 

 

Aqui, também temos mudanças. Mais sutis que aquelas aplicadas ao processador, mas que entregam resultados com qualidades diferentes.

O Motorola Moto G6 Plus conta com um sensor traseiro duplo de 12 MP + 5 MP, tal e como acontece no Moto G6. Porém, o modelo maior possui aberturas diferentes (f/1.7 e f/2.2, respectivamente). Menor abertura significa maior capacidade de entrada de luz no sensor, o que significa melhor qualidade de fotos em condições de baixa luminosidade ou luz artificial.

 

 

É claro que os números frios não significam muita coisa. Outros fatores como composição de lentes e a forma em como o software trabalha com esse hardware também são determinantes para entregar boas fotos.

Antes de falar da capacidade fotográfica desse smartphone, é importante lembrar que ele conta com o recurso Google Lens, que identifica textos e objetos para buscas na internet e interações com comandos inteligentes. Um recurso bem legal para deixar o uso do smartphone mais intuitivo, com uma experiência de uso mais completa nesse sentido.

No caso do Moto G6 Plus, temos fotos de boa qualidade em boas condições de iluminação, entregando os resultados esperados para um smartphone de linha média. Me incomodou um pouco o fato que, em algumas fotos, o sistema de estabilização de imagem não trabalhou tão bem quanto eu esperava. Mas de forma geral se aproveita boas fotos.

 

 

Nos cenários com baixa luminosidade ou luz artificial, temos resultados razoáveis. Uma certa quantidade de ruído em determinados momentos, ou imagens que estouram nos pontos mais claros. Mas tudo pode ser razoavelmente administrado com os modos de foto já integrados no seu software.

 

 

A câmera frontal de 8 MP possui abertura f/2.2, e apresenta resultados igualmente razoáveis. Está dentro do padrão para um dispositivo de sua categoria, mas não espere nada acima da média ou surpreendente.

 

 

Infelizmente, na parte de vídeos, ainda é possível perceber os engasgos nas gravações que já foram detectados no Moto G6, em menor frequência, mas ainda estão presentes. Se no modelo menor eu concluí que o problema para isso acontecer era a combinação de hardware e software, no caso do Moto G6 Plus eu só posso entender que é algum problema com o software da câmera, que precisa ser melhor otimizado. É uma pena, pois esse modelo mantém a boa qualidade de gravar o áudio da câmera em estéreo, com os dois microfones, o que é sempre muito bem vindo.

O sensor frontal também é capaz de gravar vídeos em Full HD, mas com áudio em mono. Também entrega resultados de imagens satisfatórios.

 

 

TV Digital

Um dos diferenciais do Moto G6 Plus em relação ao Moto G6 é por contar com o recurso de TV Digital. Ele se faz possível a partir de um adaptador que atua como antena, que acompanha o kit de venda do produto.

Um ponto positivo da TV Digital desse modelo é que ele pode sintonizar canais nos formatos 1Seg e HD, algo mais que bem vindo, dependendo do local do Brasil em que você se encontra. Nos testes, todos os canais da minha região (Florianópolis, SC) foram localizados sem maiores dificuldades, com elevada qualidade de imagem nos dois formatos.

O aplicativo de TV Digital do Moto G6 Plus tem uma interface simples e intuitiva, permitindo uma navegação fácil. Você pode marcar os seus canais favoritos, e pode gravar a programação, cujo conteúdo fica armazenado na memória do smartphone, para visualização posterior.

Em linhas gerais, os resultados são satisfatórios e positivos. Para quem quer um smartphone que entrega essa opção de entretenimento, este modelo é um dos recomendados.

 

 

Bateria e Armazenamento

O Moto G6 Plus possui uma bateria de 3.200 mAh, algo que pode preocupar um pouco quando pensamos no tamanho de tela desse dispositivo (5.9 polegadas). Porém, no uso diário, ele vai bem, obrigado. Pelo menos um dia de uso está garantido para esse modelo, o que mostra que este software está bem otimizado para trabalhar com o hardware para a finalidade de oferecer um equilíbrio entre consumo de energia e desempenho.

O dispositivo conta com 64 GB de armazenamento, expansíveis via microSD. É considerado o básico para quem quer ter uma liberdade para instalar aplicativos e salvar conteúdos pessoais e de terceiros. Você até pode instalar um cartão de memória nesse smartphone, mas é recomendado que os apps mais importantes fiquem instalados na memória interna no dispositivo.

 

 

Conclusão

 

 

O Motorola Moto G6 Plus está aprovado. É um dispositivo de linha média de toda regra, muito equilibrado na combinação hardware + software, entregando uma relação custo/benefício justa, levando em consideração o cenário geral do mercado de linha média de smartphones.

Os fãs da família Moto G certamente vão gostar dos resultados. A alma da série ainda está presente, com um desempenho muito bom para um modelo que custa menos da metade do valor cobrado para um smartphone premium de 2018. Seu valor de mercado deve cair com o passar do tempo, e pode ser uma das melhores opções de compra de sua categoria para os próximos meses.

Diferente do Moto G6, o Moto G6 Plus é recomendado para quem pensa em ficar com o novo smartphone por pelo menos dois anos. O Snapdragon 630 dá conta do recado e de futuras atualizações de software.