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Eu comecei o ano de 2019 priorizando a minha mobilidade urbana em Florianópolis. Eu precisava me deslocar mais e sem depender tanto de ônibus e Uber. Peguei a minha primeira “bicicleta” elétrica (estava mais para scooter), a Mymax Enjoy em janeiro. E, definitivamente, aquele produto não era para mim.

Em fevereiro, eu já estava com a Mibo V1, Foi o meu presente de aniversário de 40 anos, uma vez que eu acreditava que aquele produto era o que o meu dinheiro permitia comprar. Aquela bike elétrica era boa, e me serviu bem por dois meses.

Mas eu precisava de mais. Precisava de uma bicicleta elétrica que fosse competente no deslocamento, mas que me entregasse o prazer de realizar o exercício físico que eu queria, sem falar que andar de bicicleta me torna um ser humano bem melhor (eu já escrevi isso algumas vezes nos últimos meses).

Então, depois de economizar uma boa grana, eu realizei o sonho que foi alimentado por um ano. A Skape Mini foi namorada, cobiçada, desejada. Eu não sei quantas vezes eu vi no YouTube o vídeo de análise da Renata Falzoni sobre o produto. E antes de definir que seria este o produto que eu queria, eu pesquisei ao máximo sobre o mesmo. Até em sites internacionais, uma vez que este é um modelo importado que é comercializado por aqui.

Uma vez convicto que era esse o produto que eu queria, eu fechei a compra na primeira oportunidade. Paguei à vista, em uma pancada só. E paguei feliz. Eu sabia que essa era a bicicleta que poderia me fazer feliz.

Será?

Esse review vai mostrar a minha experiência com a Skape Mini depois de dois meses e mais de 400 km de uso. Vou tentar priorizar as impressões pessoais sobre o produto, já que tem poucas informações sobre essa bike na internet. É claro que eu vou revisar as características técnicas do produto. Mas o foco principal desse post é indicar se ela vale a pena e para quem vale a pena essa bicicleta.

 

 

A compra, e as primeiras impressões

 

 

Eu adquiri a minha Skape Mini através da loja EPPOWER de Campinas (SP), uma das lojas parceiras da Skape Bikes. O atendimento da loja foi excepcional, inclusive no pós venda do produto. Aliás, os “skapers” contam até com grupo de WhatsApp para compartilhar experiências e tirar dúvidas sobre o produto.

O produto chegou muito rápido aqui em Florianópolis. Realizei o pagamento via boleto no final da tarde de uma quarta-feira (em um processo bem seguro), e no final da tarde de quinta-feira eu recebi a notificação que a minha Skape Mini estava a caminho, via transportadora. No final das contas, o produto chegou aqui em uma terça-feira, um dia antes do prazo inicial estimado para entrega.

 

 

O unboxing do produto é bem tranquilo, e basta 30 minutos para deixar a Skape Mini pronta para a sua primeira volta. Ela vem praticamente montada, bastando apertar os parafusos do para-lamas traseiro, apertar os pedais, instalar o conector da bateria, realizar os ajustes nas partes dobráveis e encher o pneu. Tudo bem simples, onde qualquer pessoa pode concluir a montagem do produto sem maiores problemas.

 

 

Design

 

 

Presencialmente, a Skape Mini é linda. Possui um design urbano que me agrada, e é uma das bicicletas elétricas que conta com um design que lembra uma bicicleta normal. E isso acontece principalmente porque a sua bateria está integrada ao design. É uma virtude que essa bike e a Xiaomi Qicycle (sua concorrente direta, mas que custa bem mais cara no Brasil, algo que eu acho bem bizarro, para dizer o mínimo) compartilham.

A unidade que eu recebi é na cor preta, com os detalhes da marca em branco, em uma combinação que me agradou muito. Cai muito bem com o estilo urbano que essa bicicleta possui, ao mesmo tempo que não é muito chamativa. Quero dizer, as pessoas aqui em Florianópolis sacam logo que esta é uma bicicleta elétrica por causa do seu tamanho diminuto (mesmo com um design que lembra uma BMX). Mas é bem menos chamativa que a Mibo V1, com aquele “rabo” onde estava a bateria.

 

 

Características Físicas

 

 

A Skape Mini é uma bicicleta elétrica dobrável, e essas duas características combinadas é que motivam aos interessados nessa bicicleta.

O modelo não foge muito ao sistema de boa parte das bicicletas dobráveis disponíveis no mercado, e conta com pelo menos três pontos de dobra: no centro da bicicleta, no guidão e na bateria. Ah, sim, claro, os pedais são dobráveis e o cano do guidão é flexível, regulando a sua altura. Mas o mais importante aqui é ter em mente que você pode dobrar e desdobrar a bicicleta com facilidade. Basta você pegar o jeito e ir se acostumando com esse conceito.

 

 

Diferente das outras bicicletas elétricas que eu testei, eu não precisei apertar nenhum parafuso ou fazer qualquer tipo de regulagem anormal na Skape Mini, o que mostra que o produto é muito bem construído, com uma excelente qualidade de materiais. O que é uma boa notícia para os menos desavisados (e mais seguro para os usuários mais inexperientes).

 

 

O conjunto de peças também entrega boa qualidade de materiais. Ao longo de dois meses de uso, eu não percebi desgastes de peças por uso intenso, com exceção do manete do freio que precisa ser regulado. Peças como guidão, pneus, freios e pedais são de boa qualidade (apesar do manete sugerir uma troca por um acessório de melhor qualidade).

 

 

O produto em funcionamento

 

 

Devo confessar que, depois de alguns meses usando a Mibo V1, eu precisei passar por uma pequena “curva de adaptação” para usar a Skape Mini. Não que você precisa reaprender a andar de bicicleta, mas sim compreender como a nova bicicleta funciona e o que ela vai pedir de você.

Para quem veio de outra bicicleta elétrica menor, com o motor na roda traseira, saiba que o Skape Mini vai pedir mais de você, pois o motor na roda dianteira ajuda, mas não resolve tudo como um motor na roda traseira. Você tende a pedalar mais, porque as suas pernas se transformam no “motor traseiro” da bicicleta. Era o que eu queria no produto, pois eu sentia a necessidade de fazer o exercício da pedalada de verdade, e não simplesmente ficar girando em falso o tempo todo.

Se você quiser girar em falso com a Skape Mini, onde o motor faz tudo na máxima potência, você pode. Mas faça isso apenas quando você realmente precisa de um deslocamento mais rápido. Ou não fique pedalando: use o acelerador de dedo, que é mais digno.

O acelerador de dedo é um item opcional que ajuda em algumas subidas (mas você ainda precisa pedalar junto para ajudar o motor), ou para o deslocamento automático, sem as pedaladas (em troca, a autonomia de bateria se esgota rapidamente). Esse acelerador também é bom na hora de abertura do sinal, ajudando em um arranque mais rápido, o que é algo bem vindo quando estamos andando no meio do tráfego.

A Skape Mini tem um motor de 250W na roda dianteira. E muitos me perguntam: “mas algumas bicicletas elétricas contam com motores na roda traseira de 350W, e até alguns patinetes elétricos possuem 500W de motor… a Skape Mini não é mais fraca que as outras?”.

Aí é que está: não. Não é mais fraca que as outras.

A maioria das bicicletas elétricas com motor na roda dianteira fica nos 250W porque você está ajudando o motor o tempo todo com a força das suas pernas nos pedais. Os motores de 350W na roda traseira são mais potentes, mas naturalmente precisam empurrar mais peso sobre esta roda, uma vez o conjunto motor + bateria + usuário está no eixo traseiro da bicicleta. Na Skape Mini, apesar da bateria estar disfarçada no canote do assento, o peso está melhor distribuído com o motor na roda dianteira.

Por isso, o motor da Skape Mini é mais que suficiente para um deslocamento eficiente em todos os modos. Tanto na potência mínima (20% de assistência não significa quase nada) como na média (no nível 3 você sente bem a assistência) e principalmente na máxima (nível 5 é pedalar no vazio), a bicicleta vai bem.

É claro que a velocidade pode variar em função do nível de assistência, mas no plano é possível alcançar uma velocidade máxima de 18 km/h no plano (nível de assistência 0 ou 1 – e leve em consideração que eu sou um cara que pesa em torno de 90 kg).

São cinco níveis de assistência:

1 = 20%
2 = 40%
3 = 60%
4 = 80%
5 = 100%

A controladora também permite que o usuário desligue o motor da Skape Mini por completo, transformando o produto em uma bicicleta normal de uma única marcha. Aqui, conta a seu favor o seu baixo peso (14 kg), que permite o desenvolvimento da velocidade de 18 km/h no plano. Repito: com o motor desligado. E eu acho isso excelente.

 

 

E, para aquelas pessoas que pensam que que bicicleta elétrica “é coisa de preguiçoso”, eu lamento em dizer, mas todo esse preconceito abrigado em seu coração só leva você a estar bem errado. E eu nem vou mencionar os estudos que indicam que usuários de bicicletas elétricas se exercitam mais que os usuários das bicicletas normais pelo simples fato que o menor esforço feito faz com que uma pessoa pedale por mais tempo.

Por experiência própria: no nível 1 de assistência de motor, é preciso fazer a mesma força exercida quando o motor está desligado. No nível 3 de assistência, o esforço é bem menor, mas as pedaladas ainda precisam ser firmes e colocando algum esforço. No nível 5, a potência de motor é total, e você vai pedalar no vazio para se deslocar mais rápido, e com zero esforço. A boa notícia é que, ao alcançar a velocidade máxima de 25 km/h, você não precisa ficar pedalando que nem um maluco. Basta girar os pedais tranquilamente, e o motor vai entender que você ainda está pedalando, e o giro de motor é mantido na velocidade alcançada.

 

 

Bateria

 

 

Aqui, é preciso esclarecer uma coisa.

Tal e como aconteceu com todas as bicicletas elétricas que eu testei em 2019, a Skape Mini também depende o tal “mundo perfeito” para entregar a autonomia máxima prometida. Ou seja, cumpre o que promete… desde que o usuário pese 70 kg, esteja no plano e em um asfalto perfeito, etc.

A bateria dessa bicicleta está oculta no cano do selim. Isso deixa a bateria totalmente integrada ao design do produto, sendo assim mais discreta que a maioria dos produtos distribuídos no mercado, além de oferecer uma atualização ou manutenção mais prática e fácil para qualquer usuário. Essa bateria se recarrega por completo em até três horas.

A Skape Bikes descreve nas especificações técnicas da bicicleta que a autonomia da bateria da Skape Mini pode variar “entre 25 e 50 quilômetros”. Na verdade, os números são difusos, porque no site da EPPOWER eu encontrei números um pouco mais realistas, entre 20 e 40 quilômetros.

Mas nenhum dos números reflete a realidade. E o curioso é que isso acontece nas autonomias mínima e máxima.

No nível 5 de assistência (100% do motor), eu jamais alcancei mais de 10 km de autonomia de bateria, eu um percurso que varia planos, subidas e descidas. No nível 3 de assistência (60% do motor), eu cheguei a ultrapassar a casa dos 20 km. Porém, no menor nível de assistência (nível 1, 20% do motor), essa autonomia poderia ultrapassar com facilidade os 50 km no plano. Teve gente que chegou a mais de 60 km rodados com uma única carga.

Sobre a autonomia de bateria em si, os 5.2 aH presentes na Skape Mini que eu recebi realmente ficam um pouco abaixo do que eu esperava. A Skape Bikes afirma que os usuários que já contam com a bicicleta vão receber uma atualização a preço de custo que entrega vários itens, inclusive a bateria de 7 aH, que está na Skape S (modelo maior, com rodas de 20 polegadas e conjunto de marchas), mas que é perfeitamente compatível com a Skape Mini. E a inclusão desse item com certeza vai despertar o interesse de muitos usuários.

 

 

Ela aguenta na subida?

 

 

É a pergunta de US$ 1 milhão.

Sim, a Skape Mini vai muito bem nas subidas. Talvez não tão bem quanto a Mibo V1, que tinha um motor na roda traseira e, naturalmente, tracionava melhor. Mas isso não significa que o motor da Skape Mini na roda da frente não aguenta, especialmente pelo fato que esse mesmo motor será ajudado pela força das pernas do usuário.

Mas posso dizer que a bicicleta faz bem as mesmas subidas que eu fiz com a Mibo V1, mas fiquem cientes que você precisa ajudar no pedal par alcançar o topo. O motor vai ajudar você, e você vai ajudar o motor. E os dois vão trabalhar juntos.

É sempre importante lembrar que as questões de autonomia de bateria e capacidade de enfrentar subidas da Skape Mini estão diretamente relacionados com o peso do usuário e da carga adicional que ele vai levar. Se é só você (mesmo pesando 90 kg, como é o meu caso), ela vai muito bem. Mas se você leva 10 kg a mais de peso na mochila, as coisas podem se complicar um pouco.

 

 

Conclusão

 

 

Eu sou um ser humano melhor e mais feliz com a Skape Mini. Depois de dois meses de uso, eu posso afirmar com conhecimento de causa e sem medo de errar que esta é uma das melhores bicicletas elétricas que você pode encontrar no mercado.

Tem um design urbano que é muito bonito, possui peças de ótima qualidade, é leve e eficiente, cumpre o que promete, e depois da atualização de hardware, deve ficar ainda melhor.

Aproveito o final do post para agradecer à Skape Bikes por trazer um produto tão bom para o Brasil, e ao pessoal da EPPOWER de Campinas pelo excelente atendimento na venda.

Para quem pensa em uma bicicleta elétrica com design urbano, pensando nos deslocamentos diários com eficiência e ainda se inspira a realizar algum exercício, a Skape Mini é o produto para você. É também recomendada para aqueles que contam com um apartamento pequeno, ou que conta com a versatilidade em poder dobrar a bicicleta para pegar um metrô, ônibus ou Uber para chegar ao seu destino final com o menor tempo e de forma saudável.

 


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