Eu sou brasileiro, e não desisto nunca!

Eu precisava priorizar a minha questão de mobilidade urbana em Florianópolis (SC), e como a Bicicleta Elétrica (que está mais para scooter elétrica) da MyMax não era para mim (eu mesmo reconheço que não sou o perfil ideal de uso daquele produto), eu fui buscar outra alternativa nesse sentido. E a melhor opção que encontrei dentro daquilo que eu poderia pagar foi a Bicicleta Elétrica Mibo V1 E-Bike.

Não é a melhor opção do mercado, ao meu ver. Produtos como a Xiaomi QiCYCLE e a Skape Mini são melhores. Em compensação, custam o dobro do valor que eu paguei na Mibo V1 (em torno de R$ 2.400, com frete incluído no valor). Quem sabe no futuro eu realizo o sonho de pegar o modelo mais caro, mas nesse momento o modelo escolhido é o que será analisado nesse review.

Mais uma vez, eu vou mostrar as principais características do produto, a minha experiência de uso e algumas dicas para quem pretende fazer o investimento nesse modelo. E desde já eu digo: vale a pena ler esse review até o final, pois você pode encontrar informações bem úteis e que podem ajudar a finalizar a compra.

 

 

Antes de começar…

Eu recebi a Mibo V1 em 8 de fevereiro de 2019. Foi o meu presente de aniversário de 40 anos, basicamente (faço aniversário em 9 de fevereiro). Não era a minha intenção, mas eu registrei em vídeo o processo de unboxing e montagem do produto. Achei que seria interessante para aqueles mais curiosos e futuros compradores. Vou deixar mais uma vez o vídeo do processo nesse post de review, mas vou adicionar aqui no texto algumas informações complementares.

 

 

É relativamente fácil montar a Mibo V1, desde que você conte com as ferramentas certas. A e-bike já vem com uma chave para apertar os pedais, mas não para os demais itens que chegam relativamente soltos na bicicleta. Selim, parafusos dos freios, ajuste de guidão, caixa de pedais… aperte rigorosamente todas as juntas e parafusos possíveis do produto. Para a sua própria segurança.

Outro detalhe importante é o fato das câmaras da bicicleta chegarem até a sua casa murchas. Isso pode resultar em um furo na câmara durante o transporte. Isso aconteceu comigo, e eu tive que trocar uma das câmeras. E o chato é que a maioria das câmeras de aro 12 comercializadas por aqui não contam com o bico curvo, que facilita na hora de encher ou calibrar o pneu. Atenção para esse detalhe.

Apesar da Mibo V1 já contar com carga de bateria, é importante deixar a bicicleta carregando uma primeira vez por pelo menos seis horas. Falo sobre a bateria mais adiante, mas já posso adiantar que o tempo de recarga médio dessa bateria é de, pelo menos, três horas. E isso, porque eu nunca deixei a bateria se esgotar completamente.

 

 

Design e Características Físicas

 

 

A Mibo V1 é outra bicicleta elétrica pequena e compacta. Parece de brinquedo, mas não é. E seu tamanho é pensado para favorecer a mobilidade urbana e a intermobilidade (compacta e dobrável para ir ao metrô, ônibus ou porta-malas do carro sem maiores complicações).

Sua qualidade de construção é excelente. De frágil, esse produto não tem nada. É muito bem construído e com um bom acabamento. Quando ela está totalmente bem regulada, ela não apresenta rangidos, e o seu motor é absolutamente silencioso.

 

 

A bicicleta pode se compactar dobrando o guidão, os pedais e reduzindo a altura do assento. Isso faz com que o produto caiba em um porta-malas do carro sem maiores dificuldades. E a presilha do guidão está bem mais leve para ser dobrada do que a do modelo da MyMax.

 

 

O Produto Em Uso, Na Prática

 

 

A Mibo V1 é mais pesada que a Enjoy da MyMax (16 kg contra 12 kg), mas mais potente em vários aspectos, o que significa resultados melhores a meu favor.

O seu motor possui 400W de potência. Pode parecer pouca a distância desse modelo para a anterior (350W), mas faz uma diferença considerável, especialmente porque esse é um motor que trabalha com ou sem pedal assistido. Além da versatilidade na hora de uso, esse tipo de motor oferece um desempenho melhor nos diferentes modos.

Você aciona o motor a partir da primeira pedalada. Aqui, o motor entende que você está pedalando e entra em ação, ativando o modo de pedal assistido e mantendo uma velocidade de cruzeiro, que varia entre 12 km/h e 15 km/h. Pode parecer pouco, mas é o suficiente para rodar bem em uma ciclovia no plano (é mais rápido que uma pessoa correndo em alta performance para uma corrida de 15 km, por exemplo).

 

 

Nesse modo, a sua pedalada não tem esforço algum, e o seu deslocamento é bem tranquilo, e transpirando pouco, algo notável para quem precisa de uma bicicleta para o deslocamento urbano. Nesse modo, ela perde um pouco para outros modelos que podem receber o controle de potência de forma individual, através de comandos no painel. Mas é o suficiente para você se deslocar com segurança e sem esforço.

Agora, se você é um ser mais apressado, é só acionar o acelerador de punho, e o motor faz todo o trabalho, alcançando a velocidade máxima de 25 km/h no plano. Essa velocidade pode ser maior em descidas, mas em terrenos planos e com piso regular, essa é a velocidade máxima a ser alcançada, e é o que está dentro das leis brasileiras para esse tipo de veículo.

A diferença entre o modo de pedal assistido e o modo de aceleração com motor elétrico é substancial, e quem vive com pressa vai mesmo apelar para o acelerador. Mas para quem consegue controlar bem o tempo, o melhor mesmo é ir pedalando, aproveitando a paisagem ao seu redor.

 

 

E a pergunta que não quer calar: ela encara bem as subidas?

A resposta é: sim.

Se você for alguém corajoso e disposto a subir sem o auxílio do acelerador, é possível, mas o nível de assistência do motor elétrico cai consideravelmente. Uma vez que este é um motor que funciona com sensor de giro, você precisa produzir o movimento para fazer o motor entender que você está pedalando, para que o mesmo continue a funcionar. Se você para de acelerar, o motor não aumenta a sua potência, e a subida vai depender apenas de você. E aí as coisas se complicam. Por outro lado, se você só depender do acelerador e não pedalar, vai chegar uma hora que o motor não vai aguentar subir sozinho.

Logo, o ideal e recomendado para as subidas é você pedalar e acionar o acelerador. Aí sim, o conjunto vai entender que precisa trabalhar com os dois sistemas para enfrentar a subida. E as subidas mais leves você nem vai precisar acelerar. Você até pode fazer algum esforço, mas consegue subir. Já nas mais pesadas, a combinação pedal + acelerador é fundamental.

Todas as subidas que a Enjoy MyMax não subiu, a Mibo V1 subiu sem maiores problemas. Lembrando: você tem que acelerar e pedalar ao mesmo tempo para subir sem maiores problemas.

 

 

Bateria (e sua autonomia)

 

 

Vale a pena mais uma vez lembrar que eu sou um adulto com 40 anos de idade, pesando 90 quilos e com 1.75m de altura. Logo, eu não sou o que os fabricantes dessas bicicletas elétricas chamam de “cenário ideal” para o uso do produto (adolescentes ou jovens adultos, 1.60m de altura e 70 kg), andando na bicicleta no cenário ideal (terreno plano, sem vento contra, e utilizando o pedal assistido o tempo todo). Por isso, os resultados de autonomia de bateria são baseados na minha experiência de uso com as minhas características biológicas, e os resultados podem variar de pessoa para pessoa.

Dito isso, a Mibo V1 possui uma bateria de 6.6 Ah, ou 6.600 mAh. É uma capacidade de bateria maior do que a presente na scooter da MyMax, e com a assistência de pedais, essa autonomia seria ainda maior. E, na prática, os resultados estão dentro do esperado para alguém com o meu perfil.

 

 

Eu pedalei mais de 150 km com essa bicicleta antes de escrever o review para compreender o comportamento da Mibo V1 com o meu perfil de uso. E o que posso dizer é que o produto cumpre o que promete nesse aspecto. Eu consegui em um uso normal, encarando subidas e descidas, pedalando a maior parte do tempo no plano e usando ocasionalmente o acelerador, eu consegui pelo menos 20 km de autonomia plena, ou seja, funcional em todos os terrenos e o tempo todo. Depois disso, o motor começa a dar sinais de cansaço, e a sua assistência será menor.

 

 

Já utilizando apenas o pedal assistido o tempo todo, inclusive nas subidas mais brandas (nas mais pesadas eu usei a ajuda do acelerador), a autonomia foi de 25 km. E acredito que, no plano, ela aguenta 30 km para uma pessoa como eu, que pesa 90 kg.

Por fim, utilizando o motor elétrico na maior parte do tempo (com o acelerador na maior parte do tempo), a sua autonomia é de, pelo menos, 15 km. Depois disso, ela começa a pedir a tomada.

 

 

É preciso ficar atento com o indicador de bateria, que não é dos mais confiáveis. Quando ele está com dois LEDs apagados, já pode colocar a bicicleta para recarregar, pois o seu desempenho não será pleno. E é uma pena que esse modelo não conta com um velocímetro e um seletor de potência de motor. Se tivesse esses dois itens, seria uma e-bike perfeita.

 

 

Conclusão

 

 

Eu adoro a Mibo V1. É uma bicicleta elétrica pequena e compacta, mas muito versátil. Os meus deslocamentos aqui em Florianópolis são feitos de forma prática e com um desempenho que eu considero muito bom. Além de ter um melhor controle do tempo, eu faço o percurso mais longo que eu fazia de ônibus (9 km) no mesmo tempo que o transporte coletivo, com a diferença que eu não preciso esperar pelo ônibus no ponto e tenho um maior controle no horário de partida e chegada, já que não conto com o imprevisto do engarrafamento.

O produto está mais do que aprovado, e é mais que recomendado para quem pensa na modalidade urbana e na intermodalidade no transporte. É uma bicicleta para quem quer deixar o carro em casa para distâncias curtas (até 20 km, ida e volta), buscando uma maior economia com combustível e transporte público, e a liberdade de poder se deslocar pela cidade em um meio de transporte que oferece uma maior satisfação do que ficar em um carro preso no engarrafamento ou um ônibus lotado.

 

 

Review em Vídeo