Mais uma vez, a Organização Mundial da Saúde volta a ser o centro da opinião pública com uma afirmação sobre o uso da tecnologia: a alarmante conexão entre a depressão, o suicídio e o uso de dispositivos com telas. E, de novo, os argumentos da OMS não se sustentam.

Um estudo publicado na Clinical Psychological Science em 2017 conectava maiores taxas de depressão de suicídio com o passar mais tempo diante das telas. OK, nada surpreendente aqui.

Estudos assim existem desde 1998, e concluem que a internet resultava em uma diminuição na comunicação familiar, redução dos círculos sociais e aumento de depressão e solidão.

Também revelou que quanto mais se usa a internet, maiores eram os seus efeitos. E os estudos sempre foram utilizados para promover “os males da internet”. E, ao longo de 20 anos, o diagnóstico sempre foi apressado.

 

 

Na realidade, o estudo tem sérios problemas. Os investigadores escolheram um grupo de participantes (alunos dos últimos anos de universidade e seus pais) que viram seu vínculo social cair de forma natural, independente do uso da internet.

No começo de 2018, Andrew Przybylski re-analisou os dados, e o resultado foram muito mais interessantes que no estudo original: a conexão entre usar telas e o suicídio é a mesma entre comer batatas e o suicídio. Exatamente a mesma: nenhuma que seja relevante.

 

 

É óbvio que isso não significa que o mundo digital não pode causar danos. Mas é importante deixar bem claro entre não saber o que acontece e acreditar que isso é perigoso. A diferença entre algo que não nos agrada e algo que nos faz mal.

Compreender essa diferença é fundamental para uma melhor compreensão das coisas.