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Quem sempre viu a Netflix em 4K não vai para o 1080p da plataforma (de jeito nenhum)

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Posso dizer que sou um dos primeiros usuários brasileiros da Netflix na história da plataforma, pois eu participei do evento de lançamento da plataforma de streaming no Brasil e, por causa disso, recebi vários meses de assinatura do serviço de graça.

Ah… bons tempos que não voltam mais…

Mesmo assim, apenas nos últimos anos é que me tornei um assinante do plano 4K da Netflix. Alguns motivos explicam a minha decisão, mas o único que vale a pena compartilhar com você é o fato de investir em uma TV 4K, o que justificou o pagamento do plano.

Mas… e se eu tentar voltar para o plano de 1080p por uma questão de economia ou se as divisões de contas na Netflix chegarem ao fim no Brasil pra valer?

O que acontece comigo (e com todo mundo que passou a vida assistindo aos conteúdos da Netflix em 4K?

 

Existe um abismo na qualidade de imagens

Quem pensa na possibilidade de sair do plano 4K na Netflix para apostar no plano em FullHD por uma questão de economia, recomendo que repense esse plano, principalmente se possui uma TV com resolução 4K em casa.

O grande problema da Netflix nas diferentes ofertas de resolução de imagem não está na limitação de catálogo ou dos preços sugeridos para cada plano. Está no tipo de compressão de imagem que a plataforma adotou para oferecer esses conteúdos em diferentes resoluções.

Isso só pode ser analisado de forma isenta de qualquer tipo de variável técnica a partir dos conteúdos originais e produzidos pela Netflix. Não podemos usar como base filmes e séries produzidos por outros estúdios, pois as técnicas de compressão podem ser afetadas por aspectos técnicos como o tipo de câmera utilizada para o registro de imagem, a década que aquele conteúdo foi produzido e outros aspectos de produção que não são relevantes neste momento.

Já com os conteúdos originais, a banda toca de uma forma diferente. Pelo menos em teoria, o padrão de qualidade da Netflix precisa ser o mesmo para todos os filmes e séries produzidos pela própria plataforma de streaming, o que deixa a avaliação mais justa e mostrando de forma mais clara os contrastes dos resultados.

Em termos práticos: assistir ao Drive to Survive em FullHD é uma experiência absurdamente diferente do que ver o mesmo documentário em 4K. E principalmente em uma produção como essa, onde o nível de qualidade das imagens entregues é elevadíssimo, com uma riqueza de detalhes que aumentam de forma considerável os níveis de imersão do espectador.

Detalhes como granulados e imperfeições de tela ficam visíveis na resolução FullHD, e isso chama muita atenção, já que a Netflix possui hoje um dos melhores times de tecnologia do mundo trabalhando especificamente na compressão de conteúdo.

Porém, alguns conteúdos com resolução FullHD deixam perceptíveis cortes de cena, como se as mesmas fossem costuradas e longe de alcançarem o resultado estético dos planos em 4K. Sem falar no nível de brilho, que piora consideravelmente na reprodução do conteúdo em 1080p.

Nos aspectos técnicos, algumas ferramentas que analisam os conteúdos em exibição mostram que a taxa de bits dos vídeos em 4K com Dolby Vision disponíveis na Netflix entregam uma taxa de 17.98 Mbps, que nada mais é do que 10 vezes mais informações por segundo em relação ao mesmo conteúdo em 1080p.

E isso porque estamos falando de uma imagem que é quatro vezes maior.

A boa notícia aqui é que a Netflix usa o codec HEVC em todas as versões de resolução de vídeo para os filmes em exibição em sua plataforma. E esse codec possui um sistema de compressão muito melhor do que O AVC/H.264 para entregar a mesma taxa de bits que mencionei um pouco antes.

Por outro lado, o 1080p da Netflix é pior do que dos seus concorrentes ao entregar 1.79 Mbps na taxa de conversão de bits para os seus vídeos nesse formato. O Disney+ entrega 10 Mbps com a mesma resolução, e o Amazon Prime Video oferece 8 Mbps para os seus filmes em FullHD.

 

A situação consegue ser pior do que você imagina

É sempre importante lembrar que o plano 4K da Netflix (ou Plano Premium) era o único que permitia o compartilhamento de contas. E o grande motivo para as mudanças recentes na plataforma não é exatamente a qualidade de imagem, mas sim as pessoas que não pagam um centavo pelo serviço.

Logo, não ter um plano com resolução 4K não deveria ser algo dramático para a grande maioria dos usuários, desde que os planos em FullHD entregassem uma qualidade de imagem decente. Porém, na prática, acontece exatamente o contrário, e o assinante ainda paga bem caro por isso.

A concorrência não cobra a mais para entregar a resolução em 4K para os seus assinantes, mas não podemos tirar o direito da Netflix em fazer isso. O grande problema aqui é que corremos o sério risco de terminar 2023 com planos em FullHD que entregam uma imagem péssima e pagando caro por isso. E tudo porque a taxa de compressão de bits da plataforma é muito inferior aos seus concorrentes.

O FullHD da Netflix poderia ser igual ou tão bom como é o dos seus competidores diretos, mas a impressão que fica é que a plataforma piora a qualidade do 1080p de propósito para induzir os clientes a assinarem os planos em 4K.

Repito: o 1080p não é um problema. Mas custando o que custa na Netflix, nem dá para defender a sua existência. No final das contas, quem divide conta vai seguir compartilhando o acesso. É só pedir para o coleguinha pagar um pouco a mais (ou começar a pagar), e ainda assim vai receber mais pagando menos que um plano em FullHD com qualidade de imagem de YouTube de 2007.


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