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Quem quer a volta do DreamScene no Windows?

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É de se desconfiar que algumas pessoas na Microsoft simplesmente não raciocinam antes de adotar algumas mudanças ou resgatar recursos que ninguém pediu. Elementos que só a gigante de Redmond quer.

E é de se suspeitar dos motivos que levam a Microsoft a fazer isso. Onde que a empresa está ganhando com esses movimentos.

Para quem não sabe, a Microsoft está neste momento trabalhando para reintroduzir no Windows 11 um recurso que marcou época no Windows Vista: a possibilidade de definir vídeos como papel de parede na área de trabalho.

Muitos de vocês não se lembram disso porque ou não chegaram a usar o Windows Vista, que é do começo dos anos 2000 – e tem uma galera que lê este blog que sequer estava viva nesta época -, ou porque tratou os traumas dessa versão do Windows em uma terapia.

Fato é que a funcionalidade, conhecida como DreamScene, permite aos usuários personalizar completamente sua experiência visual utilizando arquivos de vídeo em diversos formatos como plano de fundo dinâmico.

E você não tem ideia do quão infeliz essa decisão pode ser para o Windows, principalmente para a bateria do seu notebook ou tablet.

Vamos conversar um pouco sobre isso.

 

Sim… está acontecendo…

O desenvolvimento desta característica foi descoberto nas versões preliminares mais recentes do sistema operacional, indicando que a empresa reconhece a demanda dos usuários por maior personalização.

Por outro lado, muitos de nós bem sabemos como um vídeo rodando o tempo todo como plano de fundo consome recursos do equipamento, mesmo com toda a evolução de hardware que testemunhamos nos últimos anos.

E a demanda por bateria com uma tela que vai ficar mais tempo ligada em modo ativo (ou seja, com os seus pixels alternando o tempo todo) aparentemente não foi mensurada ou levada em consideração quando a Microsoft decidiu colocar o DreamScene em desenvolvimento no Windows 11.

A implementação do recurso permitirá que formatos como MP4, MOV, AVI, WMV e MKV sejam utilizados diretamente como papel de parede, eliminando a necessidade de soluções de terceiros para esta funcionalidade específica.

 

Por que o DreamScene desapareceu?

O DreamScene original do Windows Vista era considerado na época um elemento inovador na personalização de desktop, oferecendo aos usuários a capacidade de transformar suas áreas de trabalho estáticas em ambientes visuais dinâmicos.

Foi uma tecnologia foi pioneira em sua época, antecipando tendências que hoje vemos implementadas em diversos sistemas operacionais, incluindo algumas distribuições Linux e versões mais recentes do macOS.

O problema é que o mesmo DreamScene consumia muitos recursos de um hardware que era mais limitado que este que temos hoje, e com um Windows Vista já muito problemático neste aspecto, pois contava com elementos visuais que deixavam o sistema operacional pesado pela própria natureza.

O próprio Windows Aero, que foi copiado pela Apple no iOS 26 e macOS 26, foi basicamente condenado à aposentadoria precoce (muito em partes) por causa dessa exigência do sistema operacional na RAM e na placa de vídeo. Apenas para ser mais bonito e atraente para os usuários.

Tudo bem, o Windows na época rodava em um HD mecânico, e hoje temos as SSDs para deixar o sistema operacional mais fluído e funcional. Mesmo assim, muitas pessoas não contam com boas recordações do Windows Vista também pelo excesso de recursos visuais.

 

Softwares de terceiros estimulam a Microsoft

A descontinuação do DreamScene após o Windows Vista criou um vazio funcional que foi preenchido por desenvolvedores de terceiros. Durante anos, os usuários que desejavam papéis de parede animados precisaram recorrer a soluções alternativas, demonstrando que a demanda por este tipo de personalização permaneceu constante ao longo do tempo.

O Wallpaper Engine apareceu como a principal alternativa comercial para suprir esta necessidade, estabelecendo-se como uma das aplicações mais populares na plataforma Steam.

Com preço de aproximadamente 4,99 euros, o software mantém consistentemente posições elevadas nas estatísticas de jogos mais executados, frequentemente figurando entre os primeiros colocados com milhares de usuários simultâneos ativos.

O sucesso comercial e a popularidade duradoura do Wallpaper Engine servem como indicadores claros da demanda reprimida por funcionalidades de personalização avançada.

A presença constante desta aplicação nos rankings de uso do Steam demonstra que os usuários estão dispostos a investir em soluções que ofereçam maior controle sobre a aparência e comportamento de seus desktops.

O que ninguém está levando em consideração é que a grande maioria dos equipamentos que utilizam a Steam de forma prioritária são computadores gaming, com configurações elevadas de hardware e, coincidência ou não, são desktops.

É evidente que existem os notebooks gaming que são utilizados para os jogos e outras tarefas profissionais, como editores de fotos e vídeos e plataformas de inteligência artificial. E esses usuários eventualmente devem desejar a volta do DreamScene.

Porém, esse grupo dos portáteis não é o majoritário. E a inclusão de uma funcionalidade que, de forma inevitável, vai consumir mais recursos no equipamento, passa bem longe de ser algo positivo para quem deseja manter o computador portátil funcionando pelo maior tempo possível longe da tomada.

 

Vale a pena a volta do DreamScene agora?

A Microsoft aparentemente reconheceu esta lacuna no mercado quando olhou para os números dos softwares da Steam, e decidiu reintegrar a funcionalidade nativamente ao Windows 11.

A implementação promete ser mais direta e acessível, permitindo configuração através do mesmo menu utilizado atualmente para alterar papéis de parede estáticos, simplificando o processo para os usuários finais.

A integração nativa apresenta vantagens consideráveis em relação às soluções de terceiros, principalmente em termos de otimização de recursos e integração com o sistema operacional.

Aplicativos externas frequentemente consomem ainda mais recursos computacionais e podem apresentar incompatibilidades ou conflitos com atualizações do sistema, problemas que uma solução nativa poderia minimizar.

Por outro lado, a implementação de papéis de parede animados inevitavelmente impactará o consumo de bateria e o desempenho geral do sistema, o que torna questionável a decisão da Microsoft em colocar uma funcionalidade que vai resultar em uma degradação da experiência de uso em algum momento.

Eu sei que já abordei sobre o pior efeito colateral dessa decisão no artigo, mas é sempre bom enfatizar para os mais distraídos.

Vídeos em reprodução contínua demandam processamento gráfico constante, resultando em maior drenagem de bateria em dispositivos móveis e potencial redução de performance em máquinas com especificações mais modestas.

Ter o notebook funcionando por menos tempo é algo inviável para muitos gamers e profissionais, e mesmo que esse seja um recurso que pode ser desativado pelo usuário, é de se questionar se o grande público realmente deseja a volta do DreamScene.

A Microsoft poderia perder o seu tempo trabalhando nas brechas de segurança e problemas de desempenho atuais do Windows 11. Seria uma forma bem mais interessante de investir recursos no desenvolvimento de um software do que apostando em soluções cosméticas que a grande maioria dos usuários não pediu.

A funcionalidade foi identificada pelo usuário Phantomofearth na rede social X durante análise das versões preview do Windows 11 distribuídas para desenvolvedores na semana anterior. Considerando o estágio atual de desenvolvimento, estima-se que o recurso pode levar várias semanas adicionais antes de estar disponível para o público geral através do canal estável de atualizações.

 


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