
Os canais FAST (Free Ad-Supported Television) conquistaram espaço no mercado brasileiro de entretenimento, oferecendo uma alternativa gratuita aos tradicionais canais de televisão digital terrestre.
Até porque o brasileiro se acostumou a ver TV de graça em troca de ver a publicidade que lota a programação da TV aberta desde sempre.
Várias plataformas de Smart TVs oferecem serviços de canais FAST em diferentes marcas, como Samsung TV Plus, LG Channels e MiTV+ da Xiaomi. Também temos as plataformas independentes, como Pluto TV, Flex, Mercado Play e +SBT.
Uma pergunta que muitos estão fazendo (e considero uma pergunta legítima) é: quem paga a conta dos canais FAST?
Quem acompanha o blog há mais tempo sabe qual é a resposta. Mas como a audiência é rotativa, entendo que vale uma explicação mais específica sobre o tema.
Quem paga a conta?

Os canais FAST são monetizados através da publicidade direcionada, o que elimina a necessidade de pagamento de assinaturas.
Apenas em 2021, esse modelo de negócio gerou uma receita publicitária de nada menos que US$ 2.1 bilhões, o que permitiu que empresas privadas investissem no segmento e na manutenção de conteúdo.
Dessa forma, algumas marcas que não estavam no setor do entretenimento entraram para competir com as gigantes.
É bem simples de entender como funciona.
Os anunciantes são a principal fonte de receita, investindo recursos para alcançar públicos específicos através de segmentação avançada.
Os dados de consumo dos usuários tornam-se ativos valiosos para personalização da experiência publicitária, maximizando a efetividade dos investimentos em marketing.
Plataformas que exigem cadastro dos usuários conseguem implementar estratégias de segmentação mais sofisticadas, aumentando o valor das inserções publicitárias oferecidas aos anunciantes.
Onde os canais FAST podem ser encontrados?

A distribuição dos canais FAST ocorre principalmente através de smart TVs de diferentes fabricantes, e se alinham com a tendência de consumo de conteúdo da era conectada.
Dados do IBGE mostram que em 2023, das 71,5 milhões de residências brasileiras, a maioria possui Smart TVs, demonstrando o potencial de penetração deste modelo no mercado nacional.
Uma marca ter uma Smart TV hoje é uma forma de eliminar uma barreira de acesso para os usuários finais, já que os canais FAST estão disponíveis de imediato após a configuração inicial do eletrodoméstico.
Dessa forma, aumentam as chances de consumo desse conteúdo de forma orgânica pelo consumidor.
As características dos canais FAST

A grande diferença dos canais FAST em relação aos serviços de vídeo on demand é a manutenção de uma grande de programação linear fixa, semelhante à televisão convencional, porém distribuída exclusivamente via internet.
Os operadores dos canais controlam o fluxo de conteúdo e a inserção de publicidade de forma mais precisa, otimizando a experiência publicitária para os anunciantes.
A programação é organizada em gêneros específicos, incluindo filmes, séries, documentários, canais infantis e conteúdo especializado, atendendo diferentes segmentos de audiência.
A infraestrutura tecnológica necessária para operação dos canais FAST requer investimentos em servidores de streaming, redes de distribuição de conteúdo (CDN) e sistemas de gerenciamento de publicidade programática.
Os operadores devem garantir a qualidade de transmissão de forma consistente, além da compatibilidade com múltiplos dispositivos e integração eficiente com plataformas de ad serving para maximizar receitas publicitárias.
A escalabilidade do sistema também é importante para suportar os possíveis picos de audiência sem comprometer a experiência do usuário.
Mercado brasileiro em expansão
–
Todos os principais grupos de mídia contam com canais FAST no Brasil, mostrando que o nosso consumidor abraçou o formato como uma alternativa barata à TV aberta.
Só o Globoplay conta hoje com quatro canais FAST, que podem ser assistidos por todos os usuários da plataforma sem uma assinatura mensal ou anula.
Sofa Digital lançou os canais Turma da Mônica e Adrenalina Freezone, que em poucos meses conquistaram audiência comparável a alguns canais abertos, evidenciando o potencial de penetração no mercado nacional.
Empresas como SoPlay e Watch Brasil buscam levar canais FAST para pequenos operadores de internet (ISPs) no Brasil, expandindo o alcance do modelo para além das smart TVs tradicionais.
O Mercado Play é, aparentemente, um sucesso, pois segue expandindo o seu catálogo e alcance. Da mesma forma acontece com o Pluto TV, que recebe novos canais a cada mês.
O +SBT e o Record Play contam com conteúdos exclusivos em diferentes canais temáticos, mostrando que a estratégia do FAST chegou mesmo para ficar.
Inclusive nos canais de TV que, em um passado não muito distante, olhava para o streaming como o grande inimigo.
Um olhar para o futuro

Os canais FAST abriram novas receitas para o mercado de publicidade, trazendo alto poder de segmentação de público e conteúdo, configurando-se como vantagem para anunciantes.
A capacidade de segmentação avançada permite que marcas direcionem campanhas publicitárias com precisão superior aos métodos tradicionais de televisão aberta, aumentando o retorno sobre investimento em marketing.
A migração de verbas publicitárias da televisão tradicional para os canais FAST representa uma tendência consolidada no mercado norte-americano e emergente no Brasil.
Anunciantes encontram no modelo FAST uma alternativa mais econômica e mensurável comparada à televisão aberta, com possibilidade de segmentação demográfica, geográfica e comportamental mais refinada.
A capacidade de análise de audiência em tempo real dos resultados publicitários é uma vantagem interna que conta a favor desse modelo televisivo.
O crescimento sustentável dos canais FAST pode ficar limitada em função da qualidade e variedade do conteúdo oferecido, uma vez que o modelo depende majoritariamente de produções licenciadas de baixo custo para manter a viabilidade econômica.
A competição por conteúdo premium torna-se mais intensa conforme o mercado amadurece, potencialmente elevando os custos de licenciamento e impactando as margens de lucro dos operadores.
Por outro lado, é possível encontrar conteúdos diversificados e de qualidade nas plataformas mais consolidadas, e é correto dizer que até mesmo os mais exigentes podem aproveitar dos conteúdos gratuitos do FAST.
A regulamentação do setor de streaming é outro ponto a ser discutido, tanto em função da proteção de dados dos usuários e transparência nas práticas publicitárias.
Autoridades reguladoras mundiais intensificam o escrutínio sobre coleta e uso de dados pessoais, o que pode impactar os modelos de negócio baseados em segmentação comportamental.
Os operadores precisam desenvolver estratégias de compliance robustas para manter a viabilidade operacional em diferentes jurisdições.
O que é inegável é que o FAST é sim um modelo de negócio sustentável, e uma tendência de futuro para todos os players do mercado, incluindo as plataformas de streaming que, hoje, cobram para exibir anúncios nos seus filmes e séries.
O brasileiro mesmo está mais do que acostumado a não pagar nada para ver TV em troca da insuportável publicidade.
Logo, é de se imaginar que Netflix, Disney+, HBO Max, Apple TV+ e várias outras vão repensar seus respectivos modelos de negócios para seguirem em frente.

