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Quando Bill Gates calou Steve Jobs

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Bill Gates, ousado e debochado.

A rivalidade entre Steve Jobs e Bill Gates é marcada por confrontos memoráveis e semelhanças no estilo de liderança, mesmo com as aparentes diferenças de perfis e personalidades. E a acusação de que a Microsoft copiou a interface gráfica do Macintosh para criar o Windows é, talvez, o principal motivo de cisão entre os dois.

A Apple apresentou o Macintosh antes do Windows 1.0 chegar ao mundo em 1985. Em comum, as duas interfaces contavam com suporte para janelas, ícones e mouse.

Jobs ficou furioso, afirmando que o Windows era “uma cópia descarada”, algo que o próprio Steve deveria ter calculado quando aceitou a Microsoft como a primeira desenvolvedora externa para o Macintosh (e impediu a empresa de Redmond de lançar softwares com mouse até um ano após o lançamento do Mac).

O Mac chegou em 1984.

E em 1985, Bill Gates não só confirmou que copiou, como deu na cabeça de Steve Jobs na casa dele.

 

O prelúdio da disputa

Neil Konzen, programador da Microsoft, foi designado para colaborar no desenvolvimento do Mac devido ao seu entusiasmo pelo sistema.

Andy Hertzfeld, um dos principais engenheiros da Apple, notou que Konzen fazia perguntas técnicas em demasia, e alertou Jobs sobre a possibilidade de clonagem do sistema.

Em novembro de 1983, a Microsoft anunciou oficialmente o desenvolvimento de um ambiente gráfico chamado “Windows”. Jobs, furioso com a notícia, convocou Gates imediatamente para Cupertino, para ter uma conversa séria sobre o assunto com ele.

Durante o confronto, Jobs acusou Gates: “Você está nos enganando! Eu confiei em você e agora você está roubando de nós!”.

A resposta de Gates foi calculada e reveladora sobre a origem das ideias de ambos.

 

A resposta que calou Jobs

Gates rebateu com uma frase que se tornaria histórica:

“Bem, Steve, acho que há mais de uma maneira de ver isso. Acho que é mais como se nós dois tivéssemos um vizinho rico chamado Xerox e eu invadisse a casa dele para roubar a TV e descobrisse que você já a havia roubado.”

Com essa resposta, Gates não negou a inspiração no trabalho da Apple, mas lembrou que a própria Apple havia se inspirado nas inovações do laboratório Xerox PARC, que desenvolveu tecnologias revolucionárias como impressão a laser, Ethernet, mouse e a própria interface gráfica.

A disputa sobre a origem das ideias tornou-se secundária na história de dois visionários que transformaram a computação moderna, ambos beneficiados pelas inovações pioneiras do “vizinho rico” Xerox.

 

A batalha legal e seus desdobramentos

A primeira versão do Windows estava longe de replicar a experiência do Macintosh. Não possuía janelas sobrepostas, o que irritou Gates, que queria algo mais prático para os usuários.

Uma nova equipe foi formada para recomeçar do zero, curiosamente liderada pelo mesmo Neil Konzen que havia trabalhado com a Apple.

A segunda versão, muito mais competente, motivou a Apple a entrar com uma ação por violação de direitos autorais contra a Microsoft em 1988.

No entanto, a justiça decidiu contra a Apple, considerando que a empresa havia concedido uma licença perpétua em 1985 permitindo à Microsoft usar elementos-chave da interface.

 

Onde foi que a Apple errou?

Sabe aquela condicionante de não lançar softwares com mouse um ano depois do Mac?

Pois é… justamente por limitar em um ano essa proibição, a Apple deixou uma brecha para que a Microsoft e qualquer outra empresa pudesse lançar softwares compatíveis com esse periférico.

Se a Apple registrasse em patente o Mac como “o único sistema operacional com interface gráfica que pode utilizar um mouse”, quem sabe teria uma chance.

E nem assim venceria a questão, por não ser a empresa que inventou o mouse, e pelo Mac ser um sistema “altamente inspirado” (para não dizer clonado) de outra plataforma existente.

Tá, vou ser razoável: a Apple também pegou a ideia de uma outra empresa, e não pode reivindicar patente da interface ou dos periféricos que vão controlar ou interagir com o software.

Esse é o mais tenso capítulo entre Apple e Microsoft, típico de uma novela mexicana, com disputas, acusações e influência muta.

E saber que Bill Gates calou Steve Jobs com uma acusação na cara dele, dento da Apple, deixa tudo isso algo ainda mais delicioso.

Mal posso esperar para que a Netflix faça uma série de gosto duvidoso sobre esse episódio do mundo da tecnologia.


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