Qual navegador mais respeita sua privacidade?

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Quando falamos de navegadores web e privacidade, vários rótulos aparecem, entre eles frases como “Chrome é ruim, Firefox é bom”. Mas a realidade é mais complexa do que parece, e nem tudo é a letra fria da lei.

O simples fato de usar o Firefox no lugar do Chrome não quer dizer que você está completamente seguro. Você até pode ficar MAIS protegido, mas não completamente anônimo. As aparências enganam, e um novo estudo publicado pelo gHacks nos lembra sobre isso, e suas conclusões despertam uma reflexão.

O estudo “Web Browser Privacy: What Do Browsers Say When They Phone Home?” analisou o comportamento de seis populares navegadores web (Brave, Google Chrome, Microsoft Edge, Mozilla Firefox, Safari e Yandex).

 

 

 

E o vencedor foi…

 

O mesmo teste foi realizado em cada navegador repetidas vezes:

1. Inicie o navegador a partir de uma nova instalação/novo perfil de usuário.
2. Cole uma URL na barra de endereços, pressione enter e registre a atividade do usuário.
3. Feche o navegador e reinicie, registre a atividade da rede.
4. Inicie o navegador a partir de uma nova instalação/novo perfil de usuário e monitore a atividade da rede por 24 horas.
5. Inicie o navegador a partir de uma nova instalação/novo perfil de usuário, digite uma URL e monitore o tráfego.

E o resultado foi surpreendente.

 

 

O Brave foi o único que não incluiu identificadores persistentes ou compartilhou detalhes dos sites visitados com os servidores da empresa. Ou seja, ele cumpre o que promete, pois se vende como um navegador que respeita e protege a sua privacidade.

 

 

 

Chrome vs Firefox: não é o que você espera

 

 

Para a surpresa de muitos, o Chrome ficou na frente do Firefox no estudo.

Os dois navegadores contam com o mecanismo de pesquisa do Google por padrão, assim como sugestões de pesquisa e recursos contra ameaças online, e tudo isso envia os dados para os servidores de Mountain View.

Porém, o Chrome inclui um identificador exclusivo, e na sua primeira execução, é possível desmarcar os itens que definem o navegador como padrão e o envio automático de estatísticas de uso e relatórios de colisão para o Google.

Já o Firefox no seu primeiro uso abre a guia com dados sobre privacidade que as pessoas acabam não lendo, indicando a telemetria do navegador e identificadores potencialmente persistentes habilitado por padrão, além de um websocket aberto para notificações push vinculadas a um identificador exclusivo.

Ou seja, o Firefox tem mais sistemas de monitoramento que o Chrome como padrão. Lembrando que as modificações nas configurações reduzem a quantidade de informações enviadas, mas não é provável que seja algo que a maioria dos usuários estão fazendo.

É claro que você envia muitos dados para o Google via Chrome com a sincronização de dados, enquanto que o Firefox não usa os dados para qualquer coisa. Porém, o estudo em questão só analisou o comportamento padrão dos navegadores.

 

 

 

Microsoft Edge, um pesadelo para a privacidade

 

 

Na sequência da lista, encontramos o Safari e, na lanterna, o Yandex. O primeiro por causa do suporte limitado da plataforma, e o segundo pelo baixo interesse. Logo, vamos deixar os dois de lado para falar do novo Microsoft Edge Chromium, que é descrito como um verdadeiro pesadelo para a privacidade.

O Edge Chromium não coleta apenas a mesma quantidade de dados do Chrome ou Firefox. Ele envia identificadores persistentes para vincular solicitações (incluindo localização e endereços IP) aos servidores da empresa, além das páginas web visitadas que não estão relacioandas com sugestões de pesquisa e função de autocompletar.

Sem falar nos eu identificador exclusivo de hardware que não dá para desativar, que funciona para a Microsoft rastrear o usuário mesmo em caso de reinstalação do sistema operacional.

Simplesmente assustador!

 

 

 

Qual navegador mais respeita sua privacidade?

 

De novo: as aparências enganam.

Você pode usar o Chrome com uma privacidade até decente desativando a sua sincronização. O mesmo pode ser feito com o Firefox, que sincroniza os dados de forma muito mais respeitosa com a sua privacidade (você ainda envia dados para os servidores da Mozilla, mas eles não usam esses dados em tudo).

Porém, se os usuários do Firefox mudarem as configurações para otimizar a privacidade ao máximo, a Mozilla perderia receita, já que a maior parte dela vem justamente por ter o mecanismo de busca do Google como padrão. Quanto ao Brave, ele é sim o mais seguro, mas ainda guarda os seus esqueletos no armário.

Então, provavelmente os navegadores que mais respeitam a sua privacidade provavelmente não estão entre os mais populares, e isso não vai interessar à maioria dos usuários, pois ter maior privacidade requer sacrifícios, como definir as opções do seu navegador à mão e de forma completa, ou parar de usar funções ou serviços que facilitam a sua vida.

 

 

Dito tudo isso, o navegador que mais vai respeitar a sua privacidade é mesmo o Tor Browser. Tá, você tem outras alternativas que você pode testar por sua conta e risco, como Ungoogled Chromium, GNU IceCat e Iridium Browser. Mas o Tor é o mais indicado para os mais paranoicos.

Porém, tente não ficar obcecado no tema. O Firefox é aceitável, e se o seu comportamento na internet é obscuro, você não tem com o que se preocupar. Mas sempre determina o que é aceitável dentro dos seus parâmetros.

 

 

Via gHacks


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