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Quais smartphones Samsung Galaxy vão receber o Gemini Intelligence

A inteligência artificial deixou de ser um recurso periférico nos smartphones para se tornar o principal argumento de venda das fabricantes mais relevantes do mercado. A Samsung, líder mundial em vendas de aparelhos Android, acaba de assumir uma posição estratégica inédita ao se tornar a primeira marca do mundo a oferecer o Gemini Intelligence nos seus dispositivos Galaxy.

O movimento não é apenas uma parceria comercial entre duas gigantes da tecnologia. É a consolidação de uma nova fase na história dos celulares inteligentes, em que a IA deixa de responder perguntas e passa a executar ações complexas de forma autônoma dentro do próprio sistema operacional.

Para os consumidores brasileiros, o anúncio levanta questões práticas imediatas: quais aparelhos vão receber o recurso, o que muda na rotina de uso e por que nem todos os modelos Galaxy serão contemplados. Compreender as respostas para essas questões é fundamental para quem pretende tomar decisões mais inteligentes na hora de comprar ou atualizar o seu smartphone.

 

O que é o Gemini Intelligence e como ele funciona

O Gemini Intelligence representa uma evolução significativa em relação ao Gemini convencional, o assistente de IA do Google já disponível em versões anteriores do Android. A principal diferença está no chamado “modo agente”, que permite ao sistema controlar o smartphone de forma ativa, antecipando ações e executando tarefas sem que o usuário precise intervir a cada etapa.

Na prática, o recurso funciona como um operador invisível dentro do celular. Por meio de comandos de voz ou texto em linguagem natural, o Gemini Intelligence pode preencher formulários, navegar por aplicativos, compor mensagens, gerenciar compromissos e realizar sequências de ações que antes exigiriam vários toques manuais na tela.

O sistema é alimentado pelo Gemini Nano v3, o modelo de linguagem mais avançado do Google desenvolvido para rodar diretamente no dispositivo, sem depender da nuvem para cada interação. A capacidade de processar comandos localmente reduz a latência, melhora a privacidade do usuário e mantém o funcionamento mesmo em situações de conectividade limitada.

 

Por que a Samsung foi a primeira escolhida pelo Google

A parceria entre Samsung e Google tem raízes profundas na construção do ecossistema Android ao longo dos últimos 15 anos. A escolha da Samsung como primeiro fabricante a receber o Gemini Intelligence reflete tanto o volume de vendas da linha Galaxy quanto a capacidade técnica da empresa sul-coreana de integrar recursos de software avançados em sua plataforma proprietária, o One UI.

O anúncio oficial posicionou os Galaxy como a vitrine global do Gemini Intelligence antes mesmo de outros fabricantes de peso, como Motorola, Xiaomi ou OnePlus, terem acesso ao recurso. A integração foi planejada para acontecer junto ao lançamento do Android 17 e do One UI 9, reforçando a imagem dos Galaxy como dispositivos de referência no mercado Android.

Sob a perspectiva de negócios, a exclusividade temporária beneficia ambos os lados: o Google ganha um parceiro com alcance global para demonstrar as capacidades do Gemini em condições reais de uso, enquanto a Samsung fortalece o valor percebido da sua linha topo de linha frente à concorrência direta da Apple e dos fabricantes chineses.

 

Quais modelos Galaxy vão receber o Gemini Intelligence

Nem todos os aparelhos da linha Galaxy serão contemplados com o Gemini Intelligence, e essa limitação é um dos pontos mais importantes para o consumidor entender antes de qualquer decisão de compra. Até o momento, os únicos modelos confirmados pelo Google e pela Samsung para rodar o Gemini Nano v3 são:

  • Galaxy S26
  • Galaxy S26+
  • Galaxy S26 Ultra
  • Galaxy Z Fold8
  • Galaxy Z Fold8 Wide
  • Galaxy Z Flip8

Os dobráveis da linha Z devem receber o Gemini Intelligence junto com a versão estável do One UI 9, prevista para julho de 2026. Os modelos da linha S26 também entram nessa janela de lançamento, reforçando o posicionamento dos aparelhos top de linha como os únicos capazes de rodar o recurso.

Aparelhos anteriores, como o Galaxy S25, S24, Z Fold7 ou Z Flip7, ficam de fora não por uma decisão arbitrária da Samsung, mas por limitações concretas de hardware, conforme detalhado nas seções seguintes.

 

Os requisitos técnicos que excluem os modelos mais antigos

O Google estabeleceu requisitos técnicos objetivos para que um dispositivo possa rodar o Gemini Intelligence. A lista exclui automaticamente a maioria dos Galaxy lançados antes de 2026 e é composta pelos seguintes critérios:

  • Processador do segmento topo de linha com suporte a AI Core
  • Mínimo de 12 GB de RAM
  • Compatibilidade com o Gemini Nano v3 ou superior
  • Compromisso de 6 anos de atualizações de segurança
  • Compromisso de 5 anos de atualizações do sistema operacional Android

Os Galaxy mais antigos foram construídos com o Gemini Nano v2, uma versão anterior do modelo de linguagem local que não suporta as capacidades de agência do Gemini Intelligence. A diferença não é apenas de nomenclatura: o Nano v3 exige mais poder de processamento e maior quantidade de memória para executar comandos complexos diretamente no dispositivo.

A limitação de RAM é particularmente restritiva. Modelos como o Galaxy S25 base, lançado com 12 GB de RAM em algumas regiões, ainda precisam passar pela avaliação completa dos requisitos do Google para confirmar compatibilidade, e até o momento não estão na lista oficial de dispositivos suportados.

 

O papel do Android 17 e do One UI 9 na experiência

O Gemini Intelligence não é um aplicativo que pode ser instalado isoladamente: ele depende de uma integração profunda com o Android 17, que passou a incluir o recurso como parte do que o Google chamou de “sistema inteligente” do novo sistema operacional. Sem o Android 17 e o One UI 9, mesmo um aparelho com o Gemini Nano instalado não conseguirá ativar o modo agente.

O One UI 9 é a camada de software da Samsung construída sobre o Android 17, e é por meio dele que o Gemini Intelligence se integra às funções nativas dos Galaxy, como câmera, galeria, calendário, aplicativos de produtividade e assistente de voz. A customização da Samsung amplia as possibilidades de automação disponíveis em relação ao Android puro.

Para os usuários brasileiros, vale destacar que a disponibilidade do Android 17 e do One UI 9 depende tanto do cronograma global da Samsung quanto da aprovação pelas operadoras locais em alguns casos. Aparelhos comprados com versões bloqueadas por operadora podem receber as atualizações com atraso em relação às versões desbloqueadas.

 

O que muda na prática para quem vai usar o Gemini Intelligence

A diferença mais concreta entre o Gemini convencional e o Gemini Intelligence está na capacidade de encadear ações dentro do sistema sem interrupções. Um exemplo prático: com um único comando de voz como “agende uma reunião com João na sexta às 15h e mande uma mensagem avisando”, o assistente acessa o calendário, cria o evento e abre o aplicativo de mensagens para redigir e enviar o texto, tudo de forma sequencial e autônoma.

Outros exemplos de uso que demonstram o potencial do modo agente incluem:

  • Navegar por um site de e-commerce, adicionar produtos ao carrinho e finalizar uma compra com base em preferências anteriores
  • Responder automaticamente a e-mails com base em instruções predefinidas pelo usuário
  • Organizar fotos da galeria em álbuns temáticos por reconhecimento de contexto
  • Configurar lembretes e alarmes a partir de informações detectadas em mensagens recebidas
  • Preencher formulários online usando dados do perfil do usuário armazenados localmente

A autonomia do assistente representa uma mudança qualitativa no relacionamento entre o usuário e o dispositivo. O celular deixa de ser uma ferramenta reativa, que responde a toques, e passa a ser um agente proativo, capaz de interpretar intenções e agir sobre elas.

 

O que acontece com os Galaxy que ficarem de fora

Possuir um Galaxy sem suporte ao Gemini Intelligence não significa ficar completamente sem recursos de IA. A Samsung continuará oferecendo o pacote Galaxy AI nos dispositivos mais antigos, que inclui funcionalidades como Circle to Search, Live Translate, Note Assist e Generative Edit para fotos.

Além disso, o Gemini baseado em nuvem permanece disponível para todos os aparelhos com Android 10 ou superior via aplicativo. A diferença em relação ao Gemini Intelligence é que o modelo em nuvem depende de conexão com a internet para funcionar e não tem capacidade de controlar o sistema operacional de forma autônoma.

A Samsung também tende a manter o Bixby como assistente alternativo em dispositivos mais antigos, ainda que o assistente próprio da empresa venha perdendo espaço progressivamente para os serviços do Google na estratégia da fabricante. Para quem possui um Galaxy S23 ou anterior, a recomendação prática é avaliar se as funcionalidades do Galaxy AI já disponíveis atendem às necessidades do dia a dia antes de considerar uma troca de aparelho motivada exclusivamente pelo Gemini Intelligence.

 

O impacto para o mercado de smartphones no Brasil

O Brasil é um dos maiores mercados de smartphones do mundo e um dos países onde a Samsung historicamente mantém liderança de participação. O anúncio do Gemini Intelligence nos Galaxy tende a aumentar a pressão sobre concorrentes como Motorola, Xiaomi e Apple para acelerar o desenvolvimento ou a integração de recursos equivalentes nos seus próprios aparelhos.

Para o consumidor brasileiro que busca um smartphone com as capacidades mais avançadas de IA disponíveis no mercado Android, os modelos da linha S26 e os dobráveis Z da oitava geração surgem como as únicas opções concretas no curto prazo. O preço desses aparelhos no Brasil, historicamente mais elevado do que em outros mercados por conta da tributação sobre eletrônicos importados, é um fator decisivo para a adoção em larga escala do recurso no país.

A chegada do Gemini Intelligence ao mercado brasileiro também deve estimular discussões sobre privacidade e uso de dados, já que o modo agente opera com acesso amplo ao sistema do dispositivo. Embora o processamento local reduza a exposição de informações à nuvem, a questão sobre quais dados são coletados e como são utilizados pelo Google e pela Samsung permanece relevante para usuários e órgãos reguladores.