
“Missão: Impossível – O Acerto Final” é uma realidade. E após o fim da saga, todos se perguntam: “E aí? Vai ter mais?”.
Até segunda ordem, é o fim mesmo.
Tom Cruise interpreta Ethan Hunt há 29 anos, desde o primeiro filme em 1996, superando qualquer ator que tenha interpretado James Bond. Daniel Craig, o mais longevo na franquia 007, permaneceu apenas 15 anos no papel.
Para compreender a situação atual da franquia “Missão: Impossível”, é importante analisar o comprometimento de Cruise com o personagem. Aos 62 anos, o ator está relutante em abandonar o papel, declarando publicamente sua intenção de continuar fazendo filmes de ação até os 100 anos, superando sua declaração anterior de parar aos 80, como Harrison Ford.
Mas… o que são os números para um ator que desafiou a morte tantas vezes em nome da sétima arte?
Existe algum sucessor?

Encontrar um sucessor para Tom Cruise no papel de Ethan Hunt (ou de qualquer um que seja o equivalente para assumir o comando do time do IMF) passa bem longe de ser uma missão das mais fáceis.
Poucos demonstram querer manter o legado. E quem trabalha com Cruise entende que ele é insubstituível.
Jeremy Renner foi introduzido em “Protocolo Fantasma” (2012) como possível sucessor, mas o próprio ator esclareceu posteriormente que “sempre foi o show de Tom”. Outros nomes mencionados nas especulações incluem Rebecca Ferguson, Pom Klementieff, Aaron Taylor-Johnson e Michael B. Jordan, porém sem confirmações oficiais.
Glenn Powell foi o que mais esteve perto de suceder a Cruise na franquia, pelo menos em teoria.
Em 2024, rumores apontaram o ator como candidato, mas Powell rejeitou categoricamente a possibilidade, brincando que sua mãe não permitiria por ser “o pior trabalho possível, basicamente uma armadilha mortal”, referenciando as cenas perigosos da franquia.
Dá para continuar?

A relutância dos atores em assumir a franquia conecta-se diretamente com as exigências físicas extraordinárias do papel.
Cruise é considerado a última grande estrela de Hollywood disposta a arriscar a vida por suas performances, executando as cenas de ação reais que remetem à era de Buster Keaton.
Sua dedicação extrema criou um padrão praticamente impossível de replicar. O ator não apenas atua, mas transforma cada filme em um espetáculo de ação tangível, sem depender exclusivamente de efeitos digitais.
Para entender a dimensão do seu comprometimento, considere que Cruise ainda possui projetos futuros igualmente arriscados: uma colaboração com Doug Liman para filmar no espaço e “Top Gun 3”, onde certamente ele vai entrar em caças para simulações de batalhas aéreas.
É um impasse para a Paramount?

Quem se sente totalmente refém do talento de Cruise é a Paramount, estúdio que distribui os filmes da franquia.
“Missão: Impossível” é extremamente lucrativo, mas dependente de um ator que se recusa a estabelecer um plano de sucessão claro. E provavelmente nem quer, já que é dono dos direitos criativos, e não deve colocar ninguém tão cedo no seu lugar.
A Paramount busca nesse momento uma solução que faça com que o dinheiro entre em caixa e, ao mesmo tempo, lide com a realidade de que nenhum outro ator demonstra disposição para assumir os riscos associados ao personagem.
O crescendo de 30 anos da franquia e o tipo específico de cinema que apenas Cruise parece capaz de executar torna a viabilidade da saga praticamente impossível sem a sua presença.
Bom, quero dizer…
Até daria para continuar com “Missão: Impossível”. Mas depois das quase três décadas de serviços prestados por Tom Cruise, seria muito difícil não cair nas comparações.
E a franquia perderia como um todo.
“Missão: Impossível” tem futuro sem Tom Cruise?

O futuro é incerto, até mesmo para “Missão: Impossível”.
O elenco e a equipe técnica evitam declarações definitivas sobre a continuidade, enquanto Cruise demonstra dificuldades em abandonar o papel que definiu três décadas de sua carreira.
Neste momento, me arrisco a dizer que “O Acerto Final” é, pelo menos, o fim da jornada de Ethan Hunt nessa história. Acredito que, em nome do dinheiro, Cruise reativa a franquia daqui a dez anos, usando a desculpa do “o legado tem que continuar”.
Estamos diante de um episódio que é praticamente único na história do cinema: uma franquia de ação construída inteiramente ao redor das capacidades físicas excepcionais de um único intérprete, criando uma dependência que pode determinar o fim natural de um enorme sucesso… porque o seu protagonista decidiu se aposentar, e não tem coragem de colocar ninguém no seu lugar.
Ou ninguém é maluco para assumir o papel dele.
Tal e como acontece com Harrison Ford com Indiana Jones.
Alguém mais imagina outro ator interpretando o icônico arqueólogo?
Então…
É basicamente a mesma coisa.

