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Por que Sam Altman acredita que “a Geração Z é a mais sortuda da história”

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A inteligência artificial está moldando o presente e definirá o futuro de todas as profissões. Esse impacto é percebido de forma ainda mais intensa pelas gerações mais jovens, mais especificamente a Geração Z, que surge como protagonista desse novo cenário.

Sam Altman, CEO da OpenAI, é um dos principais porta-vozes desse otimismo. Para ele, os jovens têm uma chance única de aproveitar as mudanças em andamento, afirmando que “ter 22 anos hoje seria sinônimo de viver na era mais promissora da história”.

Será que Sam Altman está exagerando? Ou apenas é otimista demais diante de sua própria perspectiva (como CEO da empresa que desenvolve a principal plataforma de inteligência artificial do mercado?

Vamos tentar descobrir a resposta juntos, a partir de agora.

 

O otimismo de Sam Altman

O executivo destaca que a tecnologia atual permite transformar ideias em realidade com muito mais rapidez. Nesse contexto, a juventude tem ferramentas que antes eram inimagináveis, com a inteligência artificial atuando como catalisador dessa transformação.

Altman acredita que a automação inevitavelmente eliminará algumas funções. Porém, ao contrário do que muitos pensam, ele enxerga nisso uma oportunidade, onde os jovens são os que melhor se adaptam a cenários de mudança.

Essa visão se baseia no histórico de como gerações anteriores reagiram a novas tecnologias. Sempre que houve grandes revoluções, os mais novos conseguiram encontrar formas criativas de prosperar.

Agora, o mesmo tende a ocorrer com a era da IA: quanto mais distante for a geração, maiores serão as dificuldades em aprender a mecânica de desenvolvimento e funcionamento dos prompts nas plataformas.

Altman reforça que, se tivesse 22 anos, se sentiria privilegiado por viver essa transição. Em sua opinião, a Geração Z é a mais sortuda da história justamente por ter acesso a ferramentas que podem potencializar qualquer ideia.

Isso, para ele, muda completamente as regras do jogo, nos mais diferentes campos da vida.

E isso tem, obviamente, efeitos e consequências.

Positivas e negativas.

 

Os impactos no mercado de trabalho

O entusiasmo de Altman não permite que ele ignore os problemas e efeitos colaterais desse novo tempo. Ele admite que setores inteiros podem desaparecer com a automação, o que gera apreensão entre trabalhadores, especialmente os mais velhos.

Aqui, insisto que o analfabeto digital do futuro será aquele que não souber ou se recusar a trabalhar com plataformas de inteligência artificial, pois a grande maioria das atividades profissionais vão passar por um chatbot ou um prompt.

A preocupação maior, segundo ele, está nas pessoas que têm dificuldade de adaptação. Aqueles que resistem a se atualizar correm o risco de ficar para trás, em um comportamento que passa pelos mais velhos, na grande maioria dos casos.

Para os mais jovens, a transição tende a ser menos dolorosa, pois as novas gerações são mais propensas a abraçar o novo.

Empresas como Microsoft e Meta já estão reduzindo seus quadros de funcionários. Muitas dessas medidas estão diretamente relacionadas à adoção da inteligência artificial, o que reforça a urgência de se preparar para esse novo ciclo.

 

Contrapontos e alertas

Apesar do tom otimista de Altman em um discurso que, de novo, é conveniente para o CEO da OpenAI, outros especialistas trazem uma visão mais cautelosa.

Mo Gawdat, ex-diretor de negócios do Google X, prevê um cenário disruptivo até 2027. Para ele, nenhum emprego estará imune ao impacto da IA, o que coloca em xeque o discurso de oportunidades ilimitadas para todos.

Segundo Gawdat, a diferença entre a inteligência humana e a artificial pode ser tão grande quanto a existente entre uma mosca e uma pessoa. Isso significaria uma transformação radical em pouquíssimo tempo em diferentes campos laborais.

Outro alerta vem do chamado padrinho da IA, Geoffrey Hinton. Ele aponta para o risco de a tecnologia se tornar opaca demais para o controle humano, onde as máquinas poderiam escapar à supervisão da sociedade.

A mera possibilidade de uma plataforma de inteligência artificial se autogerenciar, executando automaticamente tarefas para os humanos, já dá margem para que a teoria de Hinton tenha sentido. E monitorar os avanços neste aspecto se faz mais do que necessário.

Não podemos nos esquecer que algumas plataformas de inteligência artificial já apresentam um comportamento reativo e manipulativo diante de alguns cenários, algo que não era previsto pelos seus desenvolvedores.

 

Adaptação e oportunidades

Ainda que os riscos sejam reais, a adaptação às novas tecnologias se torna um fator decisivo para os profissionais. A Geração Z, por crescer cercada por tecnologia, tende a ter maior facilidade nesse processo.

Esse diferencial pode ser o ponto central da vantagem destacada por Altman.

Jovens empreendedores já demonstram essa capacidade ao lançar startups inovadoras em escala global. Muitos usam a inteligência artificial para criar soluções rápidas, acessíveis e eficientes.

A barreira de entrada para novos negócios, portanto, está menor do que nunca, já que quem usa a IA para expandir o potencial criativo com a capacidade visionária poderá emergir seus próprios modelos de negócio com um esforço menor.

A visão de Sam Altman é, acima de tudo, um chamado à ação, além de ser um discurso de autopromoção, de alguma forma. Para ele, essa geração tem a missão de transformar ideias em impacto real.

E muitas pessoas vão transformar esforço criativo em protagonismo histórico.

Se tudo der muito certo, obviamente.

 


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