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Por que os streamings ganham dinheiro quando você ouve e vê tudo a 1,5x

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Os mais jovens estão acelerando a reprodução de qualquer tipo de conteúdo multimídia, incluindo vídeos, podcasts, audiolivros e, é claro, mensagens de voz do WhatsApp. Tudo agora é reproduzido em 1.5x ou mais, e isso tem algumas explicações.

A tendencia é incentivada por grandes plataformas como YouTube, Spotify e Netflix para manter o engajamento do usuário e aumentar a receita. Ou seja, é o mundo capitalista influenciando nos hábitos das pessoas.

Os mais velhos não conseguem entender muitas coisas sobre o comportamento da Geração Z, mas este é um tipo de hábito que até eu absorvi em alguns casos. E é importante que exista um entendimento racional sobre isso.

 

O impacto cognitivo do FOMO (e o dinheiro que estão ganhando com isso)

Uma das principais motivações para essa prática de acelerar tudo é o desejo de consumir mais conteúdo em menos tempo. E isso é um reflexo direto de que como estamos nos comportando nesse momento como coletivo.

Existe uma saturação de conteúdo em todas as plataformas. E qualquer ser humano não consegue ter tanto tempo assim para consumir tudo.

Na prática, estamos pressionados entre o volume de conteúdos e o medo de sofrer de FOMO (Fear Of Missing Out, ou “Medo De Perder Algo), que é um dos males modernos da era digital.

O impacto cognitivo do FOMO e da maior velocidade no consumo de conteúdo de mídia existe. Pesquisas indicam que a retenção de informações não é prejudicada em velocidades de até 1,5x, mas piora significativamente a 2x ou mais.

Sem falar na falta de paciência de muitas pessoas em não quererem mais consumir conteúdos longos e bem detalhados. Séries de TV mais densas ou filmes mais aprofundados simplesmente não são consumidos por parte do público porque “a narrativa é mais lenta”.

O engraçado, é que, em regra, são as mesmas pessoas que exigem que os longos áudios que elas mandam no WhatsApp sejam ouvidos em velocidade normal.

Como se eu tivesse essa paciência toda para ouvir a ladainha da dona Cleide, que fica falando mal do marido que não quer mais nada com ela.

 

A polêmica está servida

É claro que a discussão iria chegar na indústria de Hollywood, onde um cabo de guerra sobre a questão já é travado pelos dois lados mais envolvidos na problemática.

Ou melhor, os dois lados que não envolvem o público consumidor, evidentemente.

De um lado, os criadores de conteúdo, especialmente cineastas, que se opõem à aceleração, pois ela compromete o ritmo e a intenção artística de suas obras.

É como eu disse um pouco antes: filmes e séries de TV com um conteúdo mais profundo e narrativa mais detalhada são diretamente prejudicados pela velocidade 1,5x, pois deixam de ser apreciadas tal e como elas foram originalmente idealizadas.

Do outro lado da questão está algumas plataformas de streaming, que trabalham para atender ao público consumidor de forma específica, dependendo do perfil e do dispositivo utilizado.

O YouTube permite a aceleração dos vídeos em todas as plataformas. Já a Netflix libera a velocidade mais alta em smartphones, se alinhando com o desejo da Geração Z, mas restringe o recurso em telas maiores, atendendo as preocupações dos criadores desses conteúdos.

No Spotify ou em plataformas de áudio, só vejo algum sentido acelerar nos podcasts e, ainda assim, se a dicção do produtor de conteúdo for acelerada, você vai perder alguma coisa do que foi dito, de forma quase inevitável.

E nas plataformas musicais, a aceleração nem faz sentido. A música deve ser consumida como ela é, em seu estado puro.

 

Você sempre vai perder alguma coisa

Para quem adora acelerar vídeos e áudios, fica a dica: você sempre vai perder alguma coisa daquela experiência.

Acelerar áudios e vídeos tem como “moeda de troca” a perca de alguns detalhes e nuances importantes do conteúdo. Perceber o tom de voz ou a forma em como algo é dito ajuda a dar contexto para a narrativa que é consumida.

Eu mesmo disse no começo do artigo que sou adepto do 1,5x par a reprodução de conteúdos de áudio no WhatsApp, pois essa é a via que me permito ganhar algum tempo no meu dia a dia.

Mas para todo o resto, utilizo a velocidade normal, pois o que mais importa para mim é selecionar melhor os conteúdos consumidos do que ouvir e ver tudo o que está acontecendo na internet e fora dela.

Tenta combater o FOMO na sua vida selecionando melhor aos conteúdos. Isso é muito mais saudável do que ficar ouvindo recortes de muitas coisas, mas sem absorver nada de verdade.

Seja mais seletivo. A qualidade vem sim da quantidade, mas saber escolher evita levar para casa morangos estragados.

E como morango está custando um rim, você precisa ser seletivo de qualquer maneira.

 

Via The Economist, Variety


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