
Se tem uma coisa que me irrita (e eu sei que irrita também a muitos usuários de tecnologia) é a hipocrisia em função da incoerência. E a Apple vem se tornando mestre neste aspecto, e faz tempo.
Neste exato momento, aconteceu mais um exemplo de como a Apple tromba com fatos e premissas, e eu não estou falando da ausência do Apple Intelligence até agora. Esse é outro assunto que a gigante de Cupertino tem que lidar como uma incômoda pedra no sapato.
Dito isso…
A Apple anunciou que os AirPods Max com USB-C receberão uma atualização em abril para suportar áudio sem perdas e latência ultrabaixa. Mas há um detalhe: isso só funcionará com fio.
Sim… os fones sem fio premium que hoje pode ser encontrado a partir de R$ 6.590 precisarão de um cabo para entregar o máximo de qualidade sonora.
Uma decisão tecnicamente compreensível, mas paradoxal.
A ironia de um produto premium

Lançados em 2020 com a promessa de “som de alta fidelidade”, os AirPods Max nunca foram capazes de reproduzir áudio sem perdas, nem mesmo com fio, graças à limitação do conector Lightning.
Cinco meses após sua chegada, a Apple introduziu o lossless no Apple Music, mas seus próprios fones de ouvido de ponta ficaram de fora do recurso, permitindo que acessórios da concorrência usufruíssem dos benefícios da funcionalidade.
Agora, com a chegada do USB-C, a empresa finalmente entrega esse recurso para os seus próprios fones de ouvido. O único problema é que ele chega tarde e de forma incompleta.
O grande asterisco
A mudança de porta era a chance perfeita para uma renovação real nos fones da Apple. Mas, em vez de focar na experiência, a empresa preferiu entregar ajustes cosméticos.
Resultado: um produto premium ainda preso a decisões técnicas do passado.
Se o objetivo era oferecer áudio sem perdas, por que não implementar a tecnologia desde o lançamento da versão USB-C?
E mais: por que a Apple, que criou um protocolo próprio de lossless wireless para o Vision Pro, não o expande para iPhone e Mac?
Responda, dona Apple, pois nada disso faz qualquer sentido para mim.
Estratégia de negócios, não de excelência

No fim, as decisões da Apple sobre áudio revelam mais sobre sua estratégia comercial do que sobre seu compromisso com a qualidade. O suporte ao lossless no Apple Music foi uma resposta à concorrência, não uma revolução sonora.
Se fosse o contrário, a empresa teria planejado uma solução completa desde o início – e não apenas remendos ao longo dos anos.
E o que me deixa mais surpreso (e, por que não dizer, perplexo) é que tem gente até hoje defendendo os AirPods Max e a Apple como se fossem a meca da tecnologia, mas que não entregam uma experiência decente e completa para os usuários.
Olhando de forma mais clínica para alguns dos seus principais produtos, a receita é a mesma: um iPhone que, durante muito tempo, foi capado pela Apple para manter o telefone “mais protegido e seguro”; um iPad com iPadOS que poderia muito bem receber um macOS ou um sistema híbrido para ser mais completo do que é; e um MacBook Air que, por anos, ficou nos 8 GB de RAM para limitar o máximo potencial dos equipamentos.
E as pessoas pagam caro por isso.
Eu realmente não consigo entender.
Via Apple

