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Por que o Prime Video cresceu tanto no Brasil

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Recentemente, publiquei um artigo sobre a análise feita pelo Justwatch.TV sobre o atual cenário no mercado brasileiro de streaming, revelando que o Prime Video se tornou uma grande ameaça ao império da Netflix no Brasil.

A plataforma de streaming da Amazon tevem um crescimento expressivo no seu número de usuários, saltando de 16% para 21% em um ano (entre 2024 e 2025), e agora é uma ameaça real ao império da Netflix no mercado nacional.

Tão importante quanto saber que a Netflix pode perder a liderança dentro de um segmento que ela praticamente criou “do nada” é compreender o que o Prime Video fez de certo para crescer tanto em tão pouco tempo, e em um cenário que passa bem longe de ser o mais favorável para o setor.

 

O combo do Prime Video

A impressionante ascensão da Prime Video no mercado brasileiro não acontece por acaso, mas como resultado de uma estratégia multifacetada que combina preço competitivo, diversificação de conteúdo e, principalmente, a integração com o ecossistema mais amplo de serviços da Amazon.

Com uma mensalidade de R$19,90 (no seu plano básico com anúncios), o serviço oferece não apenas acesso ao catálogo de filmes e séries, mas também benefícios adicionais como frete grátis para compras na gigante do e-commerce, criando um valor agregado superior ao das plataformas concorrentes que oferecem exclusivamente conteúdo audiovisual.

Na grande maioria dos casos, o consumidor vai valorizar o combo do Amazon Prime, inclusive na hora de realizar suas compras no e-commerce. Essa estratégia de “jardim murado” é hoje observada de perto pelo Mercado Livre, que agora tem o Mercado Play para chamar de “seu” como serviço de streaming.

 

O futebol como protagonista

A aposta em transmissões esportivas representa outro pilar fundamental da estratégia da empresa para conquistar o público brasileiro, tradicionalmente apaixonado por futebol.

Ao adicionar jogos da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro Série A ao seu portfólio, a Prime Video atingiu um segmento de público altamente engajado e disposto a pagar por conteúdo premium.

Esse investimento da Amazon é reforçado pela contratação de profissionais renomados para as transmissões esportivas, incluindo o nome de peso de ninguém menos que Galvão Bueno, que voltou a narrar jogos de futebol depois de anos.

É uma movimentação estratégica que demonstra um certo entendimento do mercado local e capacidade de adaptação às preferências culturais específicas, diferenciando-se da abordagem mais globalizada e padronizada da Netflix.

Agora, some isso ao fato de que o assinante do Prime Video ainda pode contratar o Premiere dentro do Prime Channels, e que alguns jogos da NBA são transmitidos em português no Modo Prime, e você tem uma proposta muito interessante para o torcedor brasileiro.

 

O brasileiro reclama, mas gosta

Mesmo com essa possível liderança no mercado brasileiro, o Prime Video não está agradando a todos os assinantes.

A introdução de anúncios no plano básico e a criação de um modelo de assinatura mais caro para experiência sem publicidade geraram críticas em comunidades online de consumidores. O que é justo, já que todos ficaram acostumados com um serviço premium menos degradado.

Mesmo assim, a equação de valor proposta pela Amazon parece continuar favorável, considerando que a diferença de apenas dois pontos percentuais em relação à Netflix sugere que a estratégia de crescimento, mesmo com ajustes controversos, mantém trajetória ascendente e capacidade de atração de novos usuários.

Ou seja, o brasileiro está reclamando e, mesmo assim, segue aderindo ao básico com anúncios. Exatamente da mesma forma que os assinantes da Netflix fizeram.

E tudo isso explica por que o Prime Video pode ser líder de streaming no Brasil em um futuro próximo. Isso parece ser algo inevitável, já que a Netflix não faz nada de tão relevante assim para reverter o quadro.


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