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A apresentação da nova família de smartphones iPhone 12 reforça um comportamento que está acompanhando esse produto desde o lançamento do iPhone X: o preço real (ou preço estável, sem considerar a inflação) da maioria dos modelos está cada vez menor.

Isso pode ser percebido pelos números visíveis, dando a impressão que estamos recebendo algumas (poucas) melhorias por um preço menor. Porém, isso está bem longe de ser verdade. Na verdade, considerando que nenhum dos iPhones lançados em 2020 contam com carregador no kit de venda, eles custam mais caros (considerando o preço desse item).

Sem falar que um iPhone pode ser um enorme cavalo de Troia para os usuários.

 

 

 

De produtos finais para cavalos de Troia

 

 

Os preços sugeridos para os novos iPhones não estão atrelados a um plano em uma operadora de telefonia móvel, que oferece preços menores e planos de parcelamento. Esses preços foram fixos nos primeiros sete anos do produto no mercado, mas começaram a subir gradativamente, com o seu auge de alta em 2017.

De lá para cá, apareceram três modelos Max do iPhone, mais caros do que todos os outros. Por outro lado, modelos cada vez mais acessíveis chegaram ao mercado na outra ponta. Primeiro, foi o iPhone XR; depois, o iPhone 11 (que teve o seu preço reduzido), e agora o iPhone 12 mini, que é mais caro que o iPhone 11, mas entrega melhorias notáveis.

Já o iPhone 12 Pro tem o mesmo preço inicial sugerido do X, Xs e iPhone 11 Pro, os seus equivalentes dos anos anteriores. Ou seja, o mesmo preço, sem considerar a inflação.

Com os preços ajustados para 2020, concluímos que o iPhone SE (2020) é muito mais barato que o iPhone SE de 2016. E os modelos de entrada se tornaram mais acessíveis, seja pelos ajustes de valores, seja porque simplesmente a Apple não deixou os modelos mais caros. E o mesmo acontece com os modelos high-end do dispositivo.

 

 

 

Uma mudança de paradigma

 

 

A explicação para esse estranho fenômeno monetário está na divisão de serviços da Apple (Apple Pay, la App Store, iCloud, Apple Music, Apple Arcade, Apple TV+, Apple Card, Apple Care, etc). Hoje, um dos motivos para a Apple querer vender iPhones menos caros é para ter mais assinantes dentro desses serviços e, dessa forma, capitalizar mais por mais tempo.

Tim Cook tinha como principal missão deixar a Apple menos dependente do iPhone nos lucros da empresa e, de quebra, reduzir o preço dos smartphones para rentabilizar além da compra do telefone. Ou seja, o iPhone não é o produto final para venda, mas sim um autêntico cavalo de Troia para obter mais assinaturas e pagamentos recorrentes.

E isso, porque só estamos falando de novos iPhones. Manter os modelos XR e 11 no catálogo de telefones só deixa essa proposta de lucros a longo prazo ainda mais evidente.

Sem falar que o Apple One, produto que agrupa todos os serviços, está para chegar, deixando a proposta da Apple ainda mais atraente. Ou seja, para a gigante de Cupertino, ter um iPhone se tornou apenas um detalhe, ou parte de um objetivo maior.


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