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Por que o iPhone quase nunca cai de preço?

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A pergunta de US$ 1 milhão. Ou de alguns milhares de reais no Brasil.

Diferente da maioria dos smartphones Android, que perdem valor rapidamente após a compra, os iPhones seguem uma lógica de mercado muito distinta.

Mesmo anos após o lançamento, modelos antigos da Apple ainda podem ser vendidos por preços elevados — em alguns casos, quase equivalentes aos praticados no lançamento.

Por que diabos isso acontece? Qual é a mágica da Apple neste caso? Ou o que faz com que o iPhone perca pouco valor de mercado, mesmo depois de anos do lançamento.

O fenômeno é resultado de uma combinação entre a estratégia comercial da Apple, a percepção de valor da marca e aspectos técnicos dos dispositivos.

E neste artigo, vamos mostrar todos os detalhes que explicam essa queda quase insignificante de valor de mercado do iPhone.

 

A política de lançamentos da Apple

A empresa introduz poucos modelos por ano — geralmente quatro ou cinco — com diferenças bem definidas entre eles, o que cria uma percepção de escassez e aumenta o valor percebido de cada dispositivo.

Isso contrasta com o universo Android, onde fabricantes como Samsung, Xiaomi e Motorola lançam dezenas de modelos anualmente, muitas vezes com pequenas variações entre si.

A escassez relativa e o foco em poucos dispositivos permitem que os iPhones permaneçam relevantes por mais tempo.

Além disso, a Apple construiu uma marca baseada na exclusividade, qualidade e status.

Consumidores que optam por um iPhone não estão apenas comprando um smartphone, mas adquirindo um símbolo social e uma experiência premium.

Essa imagem reforça a disposição do consumidor em pagar mais, mesmo por modelos usados.

A empresa, por sua vez, contribui para essa lógica mantendo seus preços elevados e raramente aplicando cortes agressivos — mesmo com a chegada de novas gerações de aparelhos.

 

Construção técnica e suporte de software

Os iPhones são fabricados com componentes de alta qualidade, o que garante sua longevidade física. Não que o mesmo não aconteça nos dispositivos Android. A diferença é que a Apple faz dessa forma desde o primeiro modelo do seu smartphone.

Agora combine isso com o fato de os aparelhos receberem atualizações do iOS por cerca de seis anos, superando amplamente os ciclos de suporte oferecidos por grande parte dos fabricantes Android.

Isso significa que um iPhone 13 lançado em 2021 ainda terá suporte oficial ao menos até 2027, mantendo-se seguro, funcional e compatível com os principais apps do mercado.

A longevidade de um produto por si já ajuda a aumentar o seu valor de mercado, já que a percepção do grande público sempre será a ausência de necessidade de troca constante do telefone.

O ecossistema fechado da Apple também exerce influência significativa nesse cenário, ainda mais considerando todo o controle que a empresa faz sobre esses produtos.

O iPhone funciona melhor quando integrado com outros produtos da Apple, como o Apple Watch, os AirPods, iPads e Macs.

A sinergia entre dispositivos incentiva os usuários a permanecerem dentro do ecossistema, o que aumenta a demanda por aparelhos mesmo em segunda mão.

Muitos usuários, ao trocarem de iPhone, vendem seus modelos anteriores por preços elevados porque sabem que encontrarão compradores dispostos a pagar mais para se manterem dentro desse ambiente integrado.

 

Câmeras e o comportamento do mercado de usados

Referência em qualidade de imagem para fotos e vídeos, os sensores da Apple continuam a atrair fotógrafos amadores, criadores de conteúdo e profissionais da imagem.

O desempenho consistente da câmera ao longo dos anos garante que até modelos mais antigos ainda sejam desejáveis para quem valoriza esse aspecto.

A confiança na qualidade das fotos é tamanha que muitos usuários preferem um iPhone usado a um Android novo da mesma faixa de preço.

Como a desvalorização dos iPhones é baixa, vendedores não precisam reduzir seus preços para encontrar compradores.

Na prática, é possível vender um iPhone antigo por um valor próximo ao original — ou até superior, em determinadas situações de escassez ou valorização cambial.

O ciclo virtuoso de revenda reforça ainda mais o valor percebido da marca. E os usuários sempre vão pagar a mais para ter essa maior qualidade.

 

Custa mais caro, mas vale a pena

Embora o custo inicial de um iPhone seja elevado, ele é frequentemente encarado como um investimento de longo prazo.

Quando se divide o valor pago pelos anos de uso com suporte oficial e desempenho sólido, o custo-benefício se torna mais interessante, especialmente para quem pretende revendê-lo no futuro.

É uma das melhores (se não for a melhor) relações custo-benefício que você pode encontrar no mercado de telefonia móvel, e isso acontece há anos.

Isso se torna ainda mais relevante diante da crescente competitividade de marcas Android que oferecem excelente desempenho a preços menores — como Xiaomi, Samsung, Realme e OPPO — mas que não conseguem igualar o tempo de suporte e a estabilidade da revenda.

Só agora alguns modelos de telefones Android conseguiram alcançar os sete anos de atualizações de versões e de suporte para correções de brechas de segurança.

O que pode ser sim considerado uma vitória para os usuários do Android.

O problema é que essa longevidade maior no sistema operacional móvel da gigante de Mountain View não é uma regra universal, ou uma política estabelecida nem mesmo pela maioria dos fabricantes.

É muito mais uma iniciativa de uma minoria comandada por Google e Samsung do que uma regra universal.

Dessa forma, a grande maioria dos usuários Android passa longe de ter a chance de contar com esse longo tempo de atualização dos seus dispositivos.

E a maioria se torna refém de uma eventual obsolescência programada por parte dos fabricantes de smartphones Android, que são quem decidem quanto tempo o seu dispositivo será atualizado.

A combinação entre demanda constante, percepção de exclusividade, qualidade técnica, suporte prolongado, integração entre dispositivos e comportamento do mercado secundário torna os iPhones um dos produtos tecnológicos com menor desvalorização ao longo do tempo.

É uma lógica que reforça o posicionamento da Apple como líder no segmento premium e ajuda a explicar por que os consumidores continuam pagando caro — e satisfeitos — por aparelhos novos e usados da marca.

E todo mundo sabe que produtos de qualidade tendem a ser valorizados pelos usuários e, por tabela, pelo mercado como um todo.

Espero ter ajudado.

Pois entendo que tudo isso explica por que sempre vamos pagar mais caro por um iPhone.

Ah, sim… eu não mencionei o “fator Brasil” nessa equação.

Mas isso é assunto para outro momento.

 


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