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Por que o ASUS Zenbook A16 custa o preço de um carro usado no Brasil

A linha entre um computador potente e um dispositivo portátil sempre foi um abismo. Ou você carregava um tijolo pesado para ter desempenho, ou aceitava as limitações de um aparelho frágil e lento.

A ASUS parece ter encontrado uma nova equação para esse velho problema.

O anúncio do ASUS Zenbook A16 no Brasil não é apenas o lançamento de mais um produto. Trata-se da chegada de uma arquitetura que promete mudar o que entendemos por mobilidade e potência.

E, pelo visto, a empresa está disposta a cobrar caro por isso.

 

A aposta em um novo processador

O grande destaque do modelo é o processador Snapdragon X2 Elite Extreme. Ele é o primeiro desse tipo a ser vendido oficialmente no mercado brasileiro, um movimento ousado em um ecossistema dominado por Intel e AMD.

A promessa da Qualcomm é de um salto significativo em eficiência energética, algo que os chips tradicionais sempre tiveram dificuldade em entregar.

Esse processador vem com 18 núcleos e uma unidade de processamento neural (NPU) capaz de atingir 80 TOPS. Isso significa que o computador foi pensado para rodar tarefas de inteligência artificial localmente, sem depender tanto da nuvem.

É uma tentativa de antecipar o futuro, onde o processamento de IA será tão comum quanto abrir uma planilha.

A tecnologia ARM, base desse chip, é a mesma que equipa a maioria dos smartphones atuais. A aposta é que essa arquitetura pode oferecer um equilíbrio entre desempenho e duração de bateria que os processadores x86 não conseguem alcançar. Resta saber como o mercado e os desenvolvedores de software vão receber essa mudança.

 

A leveza como argumento de venda

Com apenas 1,2 kg, o Zenbook A16 é o notebook de 16 polegadas mais leve que a ASUS já fabricou. Esse número é impressionante, especialmente quando comparado a concorrentes de tela similar.

A sensação ao pegar um aparelho assim deve ser de estranhamento, pois o tamanho da tela contrasta com o peso reduzido.

A empresa atribui essa leveza ao Ceraluminum, um material que mistura alumínio e cerâmica. A ideia é unir a leveza do metal com a resistência da cerâmica, criando uma carcaça que suporta impactos e riscos sem aumentar o peso.

A textura e os acabamentos, inspirados na natureza, tentam dar um toque mais orgânico a um dispositivo tecnológico.

A construção robusta e o peso baixo costumam ser atributos que andam em direções opostas. A ASUS parece ter encontrado um ponto de equilíbrio, mas será preciso ver como o material se comporta no dia a dia.

A promessa de resistência a manchas também é um detalhe que faz diferença para quem leva o computador para todos os lugares.

 

A promessa de dias sem tomada

Se o processador é o cérebro, a bateria é a alma desse projeto.

A combinação do chip eficiente com uma célula de 70 Wh resulta em uma autonomia de até 21 horas de reprodução de vídeo offline. Esse número é um dos maiores já vistos em notebooks Windows e coloca o aparelho em um patamar próximo ao de tablets.

A recarga rápida, que recupera metade da capacidade em apenas 30 minutos, resolve outra dor de cabeça comum. A conexão via USB-C com Power Delivery torna o carregamento mais universal e prático.

A ideia é você não precisar mais planejar seu dia ao redor de uma tomada.

É importante lembrar que a autonomia de 21 horas é uma estimativa da fabricante. Em condições reais de uso, com várias abas abertas e aplicativos pesados, esse número tende a cair.

Mesmo assim, a eficiência do Snapdragon sugere que o aparelho deve ter um desempenho de bateria acima da média do mercado.

 

Uma experiência audiovisual de ponta

A tela ASUS Lumina OLED de 16 polegadas promete cores vivas e pretos profundos. Com taxa de atualização de 120 Hz, as animações e os jogos devem ficar mais fluidos.

A tecnologia OLED ainda oferece melhor eficiência energética ao exibir conteúdos escuros, o que ajuda a preservar a bateria.

O sistema de som também recebeu atenção especial. São seis alto-falantes com certificação Dolby Atmos e tecnologia Snapdragon Sound Platform. A proposta é criar um palco sonoro imersivo, algo que geralmente é sacrificado em notebooks ultrafinos.

A conectividade não fica atrás, com Wi‑Fi 7 e portas USB4 de alta velocidade. Apesar da carcaça fina, o aparelho mantém entradas tradicionais como USB-A e HDMI. Isso evita o incômodo de depender de adaptadores, um problema comum em notebooks modernos.

 

Um preço que assusta (e seleciona)

O ASUS Zenbook A16 chega ao mercado brasileiro com um preço sugerido de R$ 22.999. Esse valor coloca o produto no topo da linha, disputando espaço com notebooks gamer e estações de trabalho profissionais.

É um valor que certamente vai afastar a maioria dos consumidores comuns.

A disponibilidade a partir de 30 de julho ocorre primeiro pela loja oficial da ASUS. A estratégia de venda direta ao consumidor pode ser uma forma de controlar a distribuição e o posicionamento de marca. Resta saber se outros varejistas vão aderir ao produto.

A aposta da ASUS e da Qualcomm é que existe um público disposto a pagar por inovação e mobilidade. Para profissionais que vivem em trânsito e dependem de IA para tarefas diárias, o valor pode ser justificado.

Para o resto do mercado, fica a expectativa de que a tecnologia se popularize e os preços caiam no futuro.

 

Especulação sobre adoção do ARM

É importante mencionar que o sucesso do ASUS Zenbook A16 no Brasil depende de um fator externo: a compatibilidade de software.

Embora a ASUS e a Qualcomm afirmem que o desempenho é excelente, ainda existem rumores de que alguns aplicativos legados podem apresentar problemas de emulação no Windows on ARM. Essa é uma especulação baseada no histórico do segmento.

Especula-se também que a Microsoft está investindo pesado para melhorar a tradução de aplicativos x86 para ARM. Fontes do setor indicam que a próxima grande atualização do Windows pode trazer melhorias nesse sentido, mas isso ainda não foi confirmado oficialmente pela empresa.

Portanto, o comprador deve estar ciente de que, apesar do hardware promissor, a experiência de uso pode variar dependendo do software utilizado. O desempenho em jogos AAA, por exemplo, ainda é uma incógnita, sendo recomendada a consulta a testes independentes antes da compra.

 

Via Mundo Conectado, Tecnoblog