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Por que nem todas as TV Box são piratas

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Passei a semana conversando com a audiência do TargetHD.net sobre o fenômeno do “gatonet” no Brasil, algo que está tirando o sono de muitos executivos de TV por assinatura e até de alguns chefões em plataformas de streaming.

Existe um cenário consolidado que torna a briga de gato e rato algo bem mais complexo para a Anatel do que sair por aí aprendendo equipamentos e ameaçando o usuário final de penalizações judiciais.

Mas um último tópico que não é mencionado por nenhuma autoridade ou especialista no assunto é a definição teórico-prática do que é um dispositivo de IPTV ilegal e o que é um dispositivo que EVENTUALMENTE PODE receber um aplicativo de streaming ilegal.

E esse detalhe pode fazer com que o Jerry do “gatonet” continue a superar o Tom da Anatel por mais um (bom) tempo.

 

Nem todo TV Box é ilegal…

Quem entende do assunto sabe muito bem do que estou falando, mas a audiência é rotativa, e nem todo mundo nasceu sabendo tudo.

Não são todos os equipamentos de TV Box que são piratas. Vários modelos importados e não homologados pela Anatel contam com a finalidade legítima de instalação e consumo de conteúdo através de plataformas legais e oficiais no Brasil.

E esses dispositivos não podem ser considerados portas de entrada do IPTV ilegal. Pelo menos não da forma em como a Anatel entende neste momento que são.

É uma idiossincrasia sem tamanho pensar que um equipamento potente e mais completo que os nacionais pode ser considerado ilegal ou pirata apenas porque não passou pelo crivo da Agência Nacional de Telecomunicações.

Tal burocracia só me leva a pensar que esses esforços para combater a pirataria também são feitos para proteger a indústria nacional de hardware, pois é sim possível comprar um equipamento produzido por aqui para o consumo de IPTV e streaming.

Porém, quem gosta de ter um produto de melhor qualidade tem o direito de acabar comprando o dispositivo.

 

…mas toda TV Box pode ter um IPTV alternativo

Porém, quando esses equipamentos chegam na casa do cliente, eles EVENTUALMENTE podem ser utilizados para acesso daquilo que eu chamo de “conteúdo alternativo”. Afinal de contas, o cliente faz o que quer com o seu dispositivo.

A Anatel pode até identificar o uso de plataformas alternativas através do monitoramento de tráfego. Mas até isso pode ser driblado pelo usuário, através do uso de uma VPN na conexão ou no dispositivo em questão.

E a partir desse ponto, o usuário pode instalar o que quiser no equipamento, já que não existe lei nenhuma que o impeça de instalar qualquer tipo de aplicativo, incluindo o “gatonet”.

Este aspecto torna a luta para acabar com o IPTV pirata algo ainda mais complexo, e criminalizar o usuário tende a não ser a melhor estratégia para a Anatel e os demais envolvidos.

O problema da pirataria no Brasil só pode ser resolvido com a adoção de políticas públicas mais eficientes, com estratégias que combatem a origem do sinal (e não o destino) e com uma certa conscientização das operadoras e plataformas de streaming, que precisam entender que faz muito tempo que o brasileiro se cansou de pagar mais caro para ver TV.

Não adianta nada combater o IPTV se não tiver (também) uma estratégia para equacionar a relação custo-benefício para o usuário.

Caso contrário, o “gatonet” vai vencer sempre.


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