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Por que David Zaslav quer HBO Max AINDA mais caro

A Warner Bros. Discovery está sob a controversa liderança do polêmico David Zaslav. E o executivo está sinalizando para mais um ajuste de preços para o HBO Max, como se fosse fácil para o assinante pagar um valor ainda mias caro para ter um dos serviços de streaming mais procurados do mercado.

Em entrevistas recentes, o CEO afirmou que o serviço está “muito barato” em relação à qualidade de seu conteúdo, sugerindo possíveis reajustes futuros. E eu torço apenas para Zaslav tenha sido irônico nessa afirmação.

O cenário atual reflete uma polarização entre a promessa inicial de streaming como alternativa acessível à TV por assinatura e uma realidade marcada por fragmentação, custos elevados e desafios operacionais.

Este resumo destaca os cinco pontos centrais que definem essa transição, analisando estratégias corporativas, impactos no consumidor e mudanças estruturais dentro da empresa.

 

Qualidade de conteúdo é a desculpa para aumento de preço

David Zaslav relaciona diretamente a alta qualidade das produções do HBO Max — como House of the Dragon, The Last of Us e The Penguin — à necessidade de revisão de preços.

Lembrando que o HBO Max passou por uma revisão de preços fora que deixou os seus valores 10% mais caros em relação à primeira metade de 2025.

Zaslav ressalta que, embora a HBO Max esteja posicionada no centro do mercado em comparação com concorrentes diretos nos valores cobrados de mensalidade, ele considera o preço atual “subvalorizado”.

Palavras do próprio Zaslav:

“O fato é que [o conteúdo da HBO Max] é de ótima qualidade, e é o mesmo para toda a nossa empresa: os filmes, as produções de TV e o streaming são de qualidade. Todos nós acreditamos que isso nos dá a oportunidade de aumentar o preço. Acreditamos que hoje é muito barato, mas vamos levar o tempo necessário.”

Sua argumentação se baseia na percepção de que o custo não reflete inteiramente o valor das produções originais, as quais, segundo ele, justificariam tarifas mais elevadas.

A indicação de aumento futuro é clara, mas sem prazos específicos, pois Zaslav mencionou que a empresa “vai levar o tempo necessário” para implementá-lo.

 

Fragmentação de mercado que aumenta os custos para consumidores

O modelo de streaming atual transformou-se em um ecossistema fragmentado, exigindo que os usuários contratem múltiplas plataformas para acesso a conteúdos diversificados.

Essa dinâmica eleva drasticamente os gastos mensais. Por exemplo, para assistir a séries como Mobland (Netflix), House of the Dragon (HBO Max), Demolidor (Disney+) e Foundation (Apple TV+) sem anúncios, o usuário que pague a quantia cobrada pelos serviços.

É uma realidade que contradiz a promessa inicial de streaming como solução econômica e flexível, substituindo-a por um sistema marcado por cobranças acumulativas.

Zaslav reconhece esse problema, mas vê na quantidade de players no mercado um desafio para a sustentabilidade econômica de cada serviço, já que a competição dispersa recursos e dificulta a geração de receita para investimentos em novas produções.

 

Experiência degradada pela quantidade

Durante a conferência Goldman Sachs Communacopia + Technology, Zaslav criticou a experiência atual do consumidor ao acessar conteúdo televisivo. Ele descreveu a situação como “terrível”, destacando que a oversaturação de plataformas obriga os usuários a gastarem tempo pesquisando onde encontrar determinado conteúdo e alternando entre serviços.

Em mercados globais, a dificuldade em navegar entre opções fragmentadas gera frustração, já que não existe uma solução centralizada. Esse cenário, segundo Zaslav, não só prejudica a satisfação do usuário como também dificulta a expansão do HBO Max, pois a complexidade do ecossistema consome recursos estratégicos para simplificar acessibilidade.

A falta de integração entre plataformas e a ausência de padrões comuns exacerbam esse problema, tornando o entretenimento menos intuitivo.

 

O próximo passo é o controle de compartilhamento de senhas

Apesar de não ter adotado medidas rigorosas contra o compartilhamento de senhas até o momento, Zaslav sinalizou que isso mudará em breve.

Ele explicou que a prioridade atual é fortalecer o engajamento dos usuários com o conteúdo exclusivo da plataforma, como séries e filmes de alta qualidade, para fortalecer a base de assinantes.

“Queremos que eles se apaixonem pelo nosso conteúdo”, afirmou o executivo, reconhecendo que a lealdade ao serviço deve ser consolidada antes de restringir práticas como o compartilhamento.

No entanto, ele classificou o tema como “complicado” e indicou que a Warner Bros. Discovery está preparando estratégias para monetizar diretamente cada conta, reduzindo a dependência de transações externas que comprometem a receita.

 

Reestruturação empresarial para 2026

A Warner Bros. Discovery está em processo de divisão em duas entidades independentes, com previsão de conclusão até abril de 2026.

A nova “Warner Bros.” incluirá os estúdios de cinema e TV, DC Studios, HBO, HBO Max e o canal Turner Classic Movies (TCM). Já a “Discovery” reunirá os antigos canais lineares (CNN, TNT, TBS, Discovery Channel, HGTV) e o serviço de streaming Discovery+.

O CFO Gunnar Wiedenfels assumirá a gestão da Discovery, herdando a maior parte das dívidas da empresa consolidada, com o objetivo de oferecer uma maior clareza operacional, separando ativos estratégicos para cada segmento e permitindo que a Warner Bros. se concentre na produção de conteúdo premium, enquanto a Discovery gerencia o negócio tradicional de telecomunicações e publicidade.

Se isso vai dar certo, eu não sei. Mas foi muito melhor do que ver essas plataformas separadas, gerando passivo e, eventualmente, gerando custos em dobro para empresa.

Que bom que as coisas aparentemente vão mudar no HBO Max.

 

Via The Hollywood Reporter