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Por que ativar o modo avião durante a recarga do smartphone é inútil para acelerar o processo?

A crença de que ativar o modo avião acelera o carregamento do celular é amplamente difundida entre os usuários. Muitas pessoas adotam essa prática na esperança de otimizar o tempo de carga e preservar a saúde da bateria.

Contudo, estudos e testes práticos revelam que a realidade pode ser bem diferente do que se imagina. É crucial analisar as evidências para compreender o impacto real dessa funcionalidade no processo de carregamento.

Vamos compartilhar algumas reflexões sobre testes recentes realizados por especialistas em tecnologia, que reforçam a ideia de que ativar o modo avião no smartphone para acelerar a recarga da bateria é um mito sem qualquer sentido ou razão de existir.

 

O mito da recarga acelerada

A teoria por trás do mito é que, ao desativar as conexões sem fio como Wi-Fi, Bluetooth e rede móvel, o celular gasta menos energia. Isso faria com que toda a potência do carregador fosse direcionada exclusivamente para a bateria, resultando em uma carga mais rápida.

Essa ideia parece lógica, pois a busca e manutenção de sinal consomem uma parte da energia do aparelho. A expectativa é que, sem essas atividades em segundo plano, o processo de recarga seja significativamente otimizado.

Além disso, muitos acreditam que a redução do consumo minimiza o aquecimento do dispositivo durante o carregamento. Consequentemente, isso prolongaria a vida útil da bateria, diminuindo sua degradação ao longo do tempo.

Ninguém questionou a validade dessa teoria porque, afinal de contas, tudo parecia ter todo o sentido do mundo. Mas quando alguém decide testar a teoria na prática, colocando pelo menos quatro smartphones diferentes no mesmo teste, o cenário pode mudar drasticamente.

 

Resultados dos testes empíricos

Testes práticos realizados em diferentes modelos de smartphones, incluindo dispositivos com carregamento ultrarrápido e convencionais, indicaram uma ausência de diferenças apreciáveis. Não foram observadas variações significativas tanto no tempo de carregamento quanto na degradação da bateria.

Os modelos de smartphones utilizados nos testes são:

Ou seja, não só modelos diferentes, como sistemas operacionais diferentes.

Embora algumas fontes sugiram uma pequena redução no tempo de carga, como 4 a 11 minutos, ou até 25% em cenários específicos, a maioria dos estudos aponta para um efeito minúsculo na prática diária. A diferença, quando presente, não justifica a desconexão total do aparelho para a maioria dos usuários.

As variações de temperatura da bateria também se mostraram mínimas entre o modo avião e o carregamento padrão nos testes, não representando riscos ao equipamento.

Portanto, a ideia de um carregamento notavelmente mais rápido ou mais seguro pelo modo avião não se sustenta de forma expressiva. Os ganhos de tempo são residuais, e efetivamente não justificam a ativação do modo avião nos smartphones.

Vale a pena reforçar: estamos falando de testes empíricos, realizados fora de um ambiente de laboratório e em uma amostragem de forma direta, com a mesma metodologia para todos os modelos que foram avaliados de forma simultânea.

 

O mito do modo avião e o que os testes mostram

No teste da Xataka, um Vivo X80 Pro com carregador de 80 W levou 38 minutos para ir de 0 a 100% tanto no modo avião quanto no modo normal, com picos de temperatura idênticos em torno de 40 °C. O Realme GT Neo 3T variou só um minuto entre os modos, enquanto o Sony Xperia 5 V repetiu exatamente os mesmos 90 minutos e o iPhone 11 Pro chegou a 100% em tempos muito semelhantes, chegando até a demorar um pouco mais no modo avião.

Nas medições de temperatura, os aparelhos com carga rápida tiveram picos e médias praticamente idênticos com e sem modo avião, e só o Realme terminou cerca de 5 °C mais quente quando carregado no modo normal, ainda em uma faixa segura para baterias de íons de lítio. Isso indica que, do ponto de vista de aquecimento e desgaste real da bateria, não há sinal claro de que ativar o modo avião traga uma proteção relevante no longo prazo.

Como o teste igualou temperatura inicial, carregadores e condições de uso, aquelas diferenças de poucos minutos entre um modo e outro caem facilmente na margem de erro, e no caso do iPhone não dá para cravar nenhum modo como “melhor”. Na prática, o próprio autor conclui que ficar sem notificações não compensa, porque o celular aquece mais ou menos igual e leva o mesmo tempo para carregar nos dois modos.

 

Impacto na degradação da bateria

A preocupação com a degradação da bateria é constante, e o mito de que o modo avião a preservaria melhor é comum. A justificativa seria que a menor atividade do telefone resultaria em menos calor e estresse à bateria.

Entretanto, os testes não identificaram uma diferença real e significativa na degradação da bateria ao carregar no modo avião. O impacto do modo avião na longevidade da bateria é considerado desprezível, comparado a outros fatores.

A temperatura interna do aparelho durante o carregamento é um fator mais crítico para a saúde da bateria. Evitar o superaquecimento por uso intenso ou ambientes inadequados é mais eficaz do que ativar o modo avião.

 

Fatores reais de otimização

Para realmente otimizar o tempo de carregamento, o uso de carregadores originais ou certificados e cabos de boa qualidade é fundamental. Esses acessórios são projetados para fornecer a voltagem e corrente corretas, garantindo eficiência e segurança.

Desligar o celular completamente ou evitar o uso intenso enquanto carrega pode gerar uma diferença mais perceptível no tempo de recarga. Isso garante que a energia recebida seja totalmente dedicada à bateria, sem consumo simultâneo do aparelho.

Outras dicas importantes incluem evitar que a bateria atinja 0% ou 100% frequentemente, mantendo a carga entre 20% e 80%, e não expor o aparelho a temperaturas extremas. Essas práticas contribuem para a saúde e a vida útil da bateria a longo prazo.

Ou seja, a partir de agora, você está liberado para seguir ouvindo música ou receber mensagens no WhatsApp enquanto está carregando a bateria do seu smartphone, já que o tempo de recarga será basicamente o mesmo.

O que não muda é a regra da tela ligada: como este é o componente que mais gasta bateria em um smartphone, manter a tela ativa durante o processo de recarga vai deixar o procedimento mais lento de qualquer maneira.

Mas você não é esse tipo de pessoa que usa o smartphone o tempo todo enquanto recarrega a bateria, não é mesmo?

 

Quando faz alguma diferença e como carregar melhor

Colocando tudo na balança, dá para dizer que o modo avião pode até tornar o carregamento um pouco mais eficiente em cenários específicos, mas está longe de ser um “turbo” milagroso para a bateria. Nos testes em quatro celulares distintos, o tempo foi praticamente o mesmo com e sem modo avião, e checagens de veículos como Android Police, GQ India e The Star reforçam que, em condições normais de sinal e com carregadores potentes, qualquer ganho de tempo tende a ficar dentro da margem de erro.

Os casos em que o modo avião parece fazer alguma diferença mensurável são situações bem específicas, como quando o celular está em área de sinal muito ruim, preso a um carregador fraco ou sendo usado com a tela acesa enquanto carrega. Relatos de usuários e testes informais reunidos por sites estrangeiros falam em ganhos na casa de 5% a 10% no tempo total de recarga nesses cenários mais extremos, e é importante frisar que esses números são estimativas não científicas, baseadas em medições caseiras, não em estudos laboratoriais publicados.

Se o objetivo é carregar mais rápido de verdade, o que realmente faz diferença é usar um carregador e cabo de boa qualidade e potência compatível com o seu aparelho, evitar o aquecimento excessivo e não usar o celular com apps pesados durante a recarga. Em um aperto, vale mais combinar um bom carregador com a tela apagada e, se estiver com sinal ruim ou em USB fraca, aí sim ativar o modo avião sabendo que o ganho será modesto e que, em troca, você ficará temporariamente incomunicável.

Na perspectiva de vida útil da bateria, o fator que mais pesa é o conjunto de ciclos de recarga, a temperatura média e o padrão de uso ao longo de anos, e não se você ligou ou não o modo avião em algumas cargas. Por isso, controlar calor, evitar deixar sempre em 0% ou 100% e usar o carregador adequado trazem muito mais benefício real do que se preocupar em ativar o modo avião, algo que, como mostraram os testes em quatro celulares diferentes, acaba gerando mais perda de conveniência do que ganho concreto.

 

 

Via XatakaMovil