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Por que alguns canais da Warner Bros. Discovery não estão disponíveis na Zapping?

Você certamente percebeu que nem todos os canais da Warner Bros. Discovery estão na plataforma de IPTV Zapping. A relação entre as duas empresas é reflexo das mudanças globais no consumo de conteúdo em vídeo, e muitos assinantes estão questionando por que isso está acontecendo.

Canais como Warner, Sony e TNT estão de fora do line-up da Zapping, e esses conteúdos são muito populares e relevantes para os assinantes. Pense que os jogos da UEFA Champions League não passam na plataforma de IPTV, e já dá para mensurar o impacto dessa ausência.

Inicialmente, a ausência dos canais era pautada por negociações complexas de licenciamento, mas o cenário evoluiu para uma integração parcial e, agora, para incertezas causadas por uma reestruturação corporativa sem precedentes.

Compreender esse hiato exige olhar além da simples assinatura de contratos, observando como o mercado brasileiro se adapta a novos modelos de distribuição digital.

Vou explicar neste artigo todos os argumentos mais prováveis para essa ausência de canais na operadora (até que os lados se manifestem oficialmente sobre o assunto, é claro).

 

O cenário das negociações de licenciamento

Acordos de distribuição no universo do streaming não seguem a mesma lógica da TV a cabo tradicional, exigindo termos específicos para a transmissão via internet (OTT).

Historicamente, a Warner Bros. Discovery priorizou a consolidação de sua própria plataforma, a HBO Max, o que gerou um período de vácuo na Zapping enquanto as cláusulas de exclusividade e os valores de repasse por assinante eram debatidos.

Esse processo é naturalmente lento, pois envolve a proteção de direitos autorais em território nacional e a garantia de que a qualidade técnica da transmissão via IPTV atenda aos padrões exigidos pelo conglomerado internacional.

Aqui, só estava o começo do problema para a Zapping.

Mesmo entendendo que existem os trâmites burocráticos e acordos de licenciamento, os canais que ficaram de fora na plataforma estão presentes em outros serviços, como são os casos do Sky+ e do Claro TV+.

Então… o que mais está acontecendo?

 

Mudanças estruturais na Warner Bros. Discovery

Recentemente, o mercado global foi surpreendido pelo anúncio de que a Warner Bros. Discovery será adquirida pela Paramount Skydance (pelo menos no momento em que o artigo foi escrito – vai que tudo mude em um futuro a médio prazo).

Diferente do que estava estabelecido no acordo com a Netflix, a Paramount Skydance absorveu os estúdios de cinema, o portfólio de filmes e séries, o HBO Max e os canais lineares de TV, como CNN, TNT e Discovery.

A reorganização interna naturalmente cria uma barreira administrativa temporária, dificultando a renovação ou expansão de contratos de distribuição com operadoras menores ou puramente digitais, já que o foco da companhia está voltado para priorizar os ativos em seu serviço de streaming, o Paramount+.

Todo esse cenário deixa os canais que já estão de fora ainda mais longe do Zapping, pois um acordo tende a ser mais difícil a partir de agora.

Não há expectativas de que os canais vão existir no futuro (mesmo sendo ativos fortes na TV paga global), e se ainda existirem, David Ellison deve cobrar (bem) mais caro por eles para qualquer plataforma.

 

Estratégia de priorização do HBO Max

Um dos motivos centrais para a resistência em liberar todo o catálogo de canais para terceiros é o fortalecimento do ecossistema próprio.

A WBD busca converter o espectador casual de TV linear em um assinante direto de seu serviço de streaming. Ao limitar a presença de canais como HBO ou Warner Channel em plataformas de IPTV que não oferecem pacotes premium integrados, o grupo incentiva o consumidor a buscar o conteúdo original diretamente na fonte.

A tática de “verticalização” visa aumentar a margem de lucro por usuário, evitando a divisão de receitas com intermediários de distribuição digital.

Neste caso em específico, vale um esclarecimento mais aprofundado.

Considere o fato de que os canais que faltam estão em operadoras maiores, gerando ativos mais sustentáveis. E a forma que a WBD encontrou para conquistar a audiência das plataformas menores é justamente deixar esses conteúdos de fora desses serviços.

O Zapping conta com um público muito menor que a concorrência. Logo, faz mais sentido para a Warner capitalizar mais em cima dessa porção menor empurrando o HBO Max para esse público específico.

 

Disputas por ativos e fusões globais

Quando uma empresa do porte de uma Warner Bros. Discovery está em processo de potencial venda ou fusão, novos compromissos de longo prazo com operadoras regionais são frequentemente congelados para não comprometer o valor de mercado ou a flexibilidade da futura gestão.

No Brasil, isso se traduz em uma grade de canais na Zapping que pode parecer incompleta, mas que, na verdade, aguarda a definição do novo controlador da marca Warner.

Já abordei sobre essa perspectiva no texto, mas vale a pena reforçar que o vácuo desses canais deve perdurar pelo menos até que David Ellison tome uma decisão sobre o que vai fazer com todos os canais lineares que vai comprar, e nas mais diferentes regiões do planeta.

E como a tendência é priorizar o Paramount+, é melhor o pessoal da Zapping não alimentar muitas esperanças em ver a final da Champions League pela TNT tão cedo.

 

O impacto da pirataria e direitos de transmissão

Operadoras legítimas como a Zapping enfrentam o desafio de competir com serviços clandestinos, o que torna as detentoras de conteúdo muito mais criteriosas na hora de liberar sinais.

A Warner Bros. Discovery tem intensificado a fiscalização sobre como seus sinais são replicados no ambiente digital para evitar o vazamento de chaves de criptografia, tal e como outras gigantes da mídia estão fazendo neste exato momento.

Além disso, os direitos de eventos esportivos ao vivo, como a Champions League (exibida pela TNT Sports), possuem regras de geolocalização extremamente rígidas, exigindo que a Zapping comprove sistemas de segurança robustos antes de receber o sinal integral dessas emissoras.

Sem saber dos pormenores dos acordos feitos (ou não) entre as duas empresas, é possível que alguma questão técnica da Zapping esteja pendente e impedindo a inclusão dos canais da Warner que estão faltando.

É pura especulação, eu sei. Mas faz sentido quando olhamos com calma para o cenário como um todo.