
O último que sair, que apague a luz. E a Claro pode ficar com essa missão indigesta.
A contínua debandada dos consumidores brasileiros do modelo tradicional de TV paga ganhou contornos ainda mais severos. Números consolidados da Agência Nacional de Telecomunicações referentes a meados de 2026 apontam que o setor perdeu cerca de 1,18 milhão de assinantes no intervalo de doze meses.
O encolhimento de 14,3% em um ano reduziu o mercado para um patamar na casa dos 7 milhões de pontos ativos. E os números frios evidenciam uma transformação profunda nas preferências de entretenimento das famílias, que abandonam pacotes engessados em busca da flexibilidade oferecida pelas transmissões digitais sob demanda.
Todo mundo que acompanha este blog e os meus canais no YouTube já sabe disso faz tempo. Os números apresentados só confirmam ou consolidam a tendência do desaparecimento da TV por assinatura no seu formato tradicional.
Geografia de um mercado em encolhimento
A retração não poupa nenhuma área do território brasileiro.
A sangria de clientes atinge todas as regiões do país, derrubando o mito de que certos mercados regionais estariam imunes à transição digital. Ou seja, o brasileiro está virando as costas de uma vez por todas para a TV paga, em um caminho sem volta.
O Norte lidera o tombo em termos proporcionais, acumulando uma perda superior a 20% da sua base em doze meses, seguido de perto pelo Centro-Oeste. Em números absolutos, contudo, o impacto mais pesado reside no Sudeste, polo econômico que viu evaporando mais de 700 mil contratos no mesmo período.
A densidade do serviço por domicílios despenca até mesmo nos centros urbanos historicamente mais adeptos à tecnologia, como o Distrito Federal e o estado de São Paulo. Nos dois casos, a parte financeira pode nem ser o argumento mais forte para a desistência.
O mesmo fator tecnológico que estimulou o uso em massa da TV paga pode ser a desculpa para o seu abandono. Afinal de contas, o futuro está mesmo no streaming, uma solução que é bem mais flexível no uso, e que conversa diretamente com um consumidor já acostumado com o que há de mais moderno nesse campo.
Sobrevivência por cabo e a transição inevitável
No âmbito das operadoras, a Claro reforça sua hegemonia no segmento, sustentando quase metade de todo o mercado remanescente. O isolamento do grupo no topo ocorre muito mais pela desaceleração severa de rivais históricas, como a Sky, do que por um crescimento orgânico próprio.
Essa dinâmica de consolidação fica visível na distribuição por tecnologia: enquanto as conexões por cabo coaxial e fibra óptica ainda mantêm certa resiliência (amparadas por combos de banda larga), as antenas mini parabólicas via satélite caminham para um ocaso acelerado.
O sinal enviado pelo espaço, que um dia democratizou o acesso a canais fechados nos pontos mais distantes do país, torna-se um formato cada vez mais irrelevante frente ao avanço das redes de dados.
E nem mesmo o argumento do satélite conseguir cobrir as regiões onde o cabo nunca chegou vale como argumento de venda das antenas DTH. Hoje, vale mais a pena investir em um kit da Starlink e garantir a conexão de internet, que vai entregar um entretenimento mais robusto, e toda uma gama de possibilidades de uso.
O que aprendemos com tudo isso
A debandada vertiginosa reflete uma alteração estrutural no orçamento e no comportamento das pessoas.
A cobrança mensal elevada da TV fechada já não se justifica perante a autonomia trazida pelos aplicativos de vídeo. Sem falar que o modelo de pacotes fechados deixou de ser aceito pelos assinantes, que desejam pagar apenas por aquilo que realmente vão assistir.
Caso as poucas operadoras restantes não reformulem totalmente a entrega de conteúdo, integrar serviços via aplicativo deixará de ser uma alternativa complementar para se tornar a única boia de salvação possível contra a extinção definitiva da modalidade.
Para algumas operadoras, isso já é a realidade. Coincidência ou não, a Claro já confirmou que vai abandonar o cabo coaxial para comercializar de forma exclusiva os pacotes de IPTV via Claro TV+ (tanto no app coo na Box).
E a Vivo também oferece o seu plano de TV em modo fibra em alguns dos seus pacotes, além do Vivo Play, que é exclusivo por streaming.
Sinal dos tempos. E não é de hoje que o tempo dá sinais de tudo o que está acontecendo agora.
Via Além da Tela
