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Por que a Netflix não está na China

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A Netflix é líder global no streaming, mesmo com seu catálogo de gosto duvidoso, compressão de imagem e produções originais abaixo da média.

Durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2025, a gigante do streaming anunciou que não compartilhará mais seus números de assinantes, focando apenas em dados econômicos.

Aqui, é a Netflix tentando modificar a própria narrativa, e apostando em uma “estratégia Apple”: o que importa não é quantas pessoas assinam, mas que elas sejam cada vez mais lucrativas, através dos diferentes planos disponíveis na plataforma.

Mesmo porque… a Netflix não pode incluir a China nos seu número de assinantes, e isso não é interessante para ela.

 

O mercado chinês inacessível

Com um crescimento de receita de 13% neste período, a empresa projeta lucros entre 43,5 e 44,5 bilhões de dólares para o ano corrente.

Esses números demonstram o impacto massivo da Netflix na indústria do entretenimento e sua penetração no mercado global, mesmo sem incluir um dos territórios mais lucrativos do mundo.

Os resultados financeiros da Netflix poderiam ser ainda mais expressivos se a empresa conseguisse operar na China, considerada uma mina de ouro para praticamente qualquer setor.

Fundada por Marc Randolph e Reed Hastings em 1997, a companhia enfrenta barreiras específicas que a impedem de fornecer seus serviços no gigante asiático.

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, revelou detalhes sobre essa situação durante uma conversa na Cúpula Econômica Mundial em Washington. Ele explicou que, quando a China emergia como uma das principais fontes de receita para Hollywood em termos de bilheteria, a Netflix até tentou estabelecer presença no país.

O principal obstáculo encontrado no país, segundo Sarandos, foi o rigoroso comitê de censura chinês, barreira que, embora previsível, mostrou-se intransponível para a empresa americana.

 

Censura e estratégia global

“Quinze anos atrás, todos pensavam que era algo existencial. Tivemos que entrar na China. Passei alguns anos tentando alcançá-lo”, relatou Sarandos.

Durante três anos de tentativas, nenhum episódio sequer de uma série da Netflix conseguiu aprovação do comitê de censura chinês.

O governo chinês demonstrou pouco interesse em permitir que uma empresa americana operasse em seu território oferecendo conteúdo diretamente aos consumidores sem uma rigorosa filtragem de catálogo.

A resistência, combinada com outros fatores relacionados à saturação do mercado, resultou em um fracasso total nas negociações.

Sarandos observou que outras empresas americanas enfrentaram o mesmo destino:

“Eu vi como todos eles passaram a década seguinte trabalhando duro para entrar na China e, no final, acabaram no mesmo lugar que eu: em lugar nenhum.”

 

Uma derrota transformada em vantagem

Para o executivo, não conseguir entrar no mercado chinês, longe de ser considerado uma derrota, tornou-se motivo de orgulho. Sarandos destaca que a Netflix é uma das “raras empresas americanas” sem exposição à censura, impostos ou tarifas da China.

Essa situação permitiu à empresa focar seus esforços em outros mercados globais, minimizando o impacto potencial da ausência na China em seus números.

“Há um grande mercado no resto do mundo que tem o prazer de hospedar a Netflix”, afirmou o co-CEO, demonstrando confiança na estratégia global da companhia.

A Netflix até pode ter perdido a China e deixado de ganhar uma montanha de dinheiro. Por outro lado, ninguém ficou com a grana, e a plataforma conseguiu transformar o limão em uma limonada, sendo menos dependente do país do que os grandes estúdios.

Em contrapartida, testemunhamos como Warner Bros. Discovery, Universal, Paramount e Disney que dependem (e muito) dos números das bilheterias chinesas para serem rentáveis.

Tudo é uma questão de perspectiva. E tendo a não discordar da perspectiva de Sarandos.


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