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Por que a Godot é corajosa ao barrar códigos feitos por IA

A engine de desenvolvimento de jogos Godot anunciou uma nova política que proíbe o uso de códigos gerados por inteligência artificial em suas contribuições.

Finalmente… alguém decidiu fazer alguma coisa contra o AI Slop no mundo dos videogames.

A decisão afeta diretamente a comunidade que mantém a plataforma de código aberto, responsável por títulos como Slay the Spire 2 e The Case of the Golden Idol.

Temos aqui uma sábia decisão, por um nobre objetivo final: entregar jogos melhores para os gamers.

E outras empresas do setor que façam o mesmo. Ou comecem a lidar com as consequências das escolhas ruins envolvendo o uso excessivo de inteligência artificial.

 

As bases dessa decisão

Segundo a empresa, o motivo da mudança está relacionado ao aumento expressivo de pull requests mecânicos e de baixa qualidade, fenômeno conhecido como AI Slop. A partir de agora, todas as contribuições ao código-base da Godot deverão ser feitas exclusivamente por humanos.

A justificativa apresentada pela plataforma é garantir que os desenvolvedores tenham responsabilidade e conhecimento técnico suficiente para corrigir eventuais falhas nos códigos submetidos.

Na prática, a empresa quer garantir uma maior autenticidade no processo de desenvolvimento dos jogos. E, é claro, aumentar a qualidade, minimizando os erros no processo.

 

AI Slop é uma epidemia na indústria

O problema do AI Slop, no entanto, vai além do universo da Godot e já atinge outras frentes do mercado de games. É uma epidemia que tomou conta da indústria, e não dá sinais de descanso ou redução para o médio e longo prazos.

No Steam, o número de jogos que declaram uso de inteligência artificial cresceu quase 700% entre 2024 e 2025. Um levantamento indicou que um a cada cinco títulos lançados na plataforma no último ano utilizou IA em algum estágio da produção.

Pesquisas apontam, contudo, que o público tende a reagir de forma mais cautelosa a esses lançamentos. Um estudo constatou relação direta entre jogos feitos com IA e desempenho inferior em vendas e avaliações no Steam.

Na Pesquisa Game Brasil deste ano, quase metade dos entrevistados declarou preocupação com o uso da tecnologia nos games. Ainda assim, cerca de 40% afirmou que a presença de IA não seria motivo suficiente para deixar de comprar um título.

 

Dá para parar o AI Slop?

O termo AI Slop também é usado para descrever a proliferação de conteúdos rasos criados por inteligência artificial em toda a internet. Um estudo do Imperial College of London estimou que cerca de 35% dos conteúdos online já envolvem IA em algum nível de produção.

Diante desse cenário, empresas como LinkedIn, Tinder e YouTube já adotaram medidas para tentar conter o avanço desse tipo de conteúdo em suas plataformas.

E o grande problema não é exatamente o uso da inteligência artificial, já que isso se tornou o padrão de todos os setores de tecnologia.

O que precisa ser resolvido é o seu uso em massa, indiscriminado e sem a interferência humana. Que é o que está degradando a qualidade de tudo o que é produzido neste momento.

Gerenciar o uso da IA no desenvolvimento criativo é um desafio enorme neste momento. E a impressão que fica é que medidas como a da Godot são consideradas louváveis, apenas porque parecem ir na contramão da tendência de momento.

 

Via Tecnoblog