
Ninguém disse que precisamos viver revoluções tecnológicas o tempo todo. Algumas pessoas estão cansadas de tantas novidades, e um grupo enorme está buscando conexões mais autênticas através das plataformas digitais.
Parece que todo mundo se cansou de usar filtros em fotos, e até mesmo os vídeos mais casuais estão ganhando popularidade. Tanto, que o Instagram abandonou os filtros e inseriu um novo modo para fotos instantâneas e sem retoques.
E quem está liderando essa transformação, é a Geração Z, que está trocando smartphones por câmeras digitais dos anos 2000 em busca de fotos mais naturais e nostálgicas.
Vamos entender o que está acontecendo, e por que a câmera “point-and-shoot” voltou a ser tão popular.
Câmeras digitais voltam à moda

Dispositivos como as câmeras do tipo “point-and-shoot” como a Sony Cyber-shot, antes completamente esquecidos, estão sendo resgatados por jovens da Geração Z como alternativa aos smartphones para fotos.
Para quem ainda não se deu conta, os anos 2000 são os anos 1970 para essa nova geração. A estética Y2K está em alta, com forte apelo nostálgico. Isso se reflete em celebridades e influenciadores, que ajudaram a popularizar o visual retrô e o uso das câmeras digitais.
Por trás desse movimento, está a insatisfação dos jovens com o excesso de inteligência artificial nas câmeras dos celulares, que distorcem a realidade ao tentar “melhorar” as imagens.
Nesse sentido, a linha Cyber-shot da Sony virou símbolo do resgate analógico. Outras marcas também estão em alta na busca pela foto mais natural, e câmeras da Canon, Kodak e Panasonic se tornaram muito procuradas.
Mas a linha Cyber-shot da Sony tornou-se a principal referência dessa tendência. Até porque foram essa as câmeras mais utilizadas pelos pais da Geração Z.
Outros motivos para a volta da Cyber-shot

Tudo começa pela satisfação que essas fotos entregam.
Para os novos usuários dessas câmeras, a experiência emocional das fotos naturais e sem filtros supera a resolução da imagem perfeita e alterada pela inteligência artificial.
Mesmo com menos megapixels, as Cyber-shots entregam uma experiência fotográfica mais envolvente, espontânea e significativa, segundo os usuários.
O movimento em defesa das fotos mais naturais é liderado por influenciadores digitais como Yasmin Maccari e João Pedro Ferreira, que usam as câmeras não apenas em momentos pessoais, mas até em campanhas publicitárias e portfólios.
O resultado dessa combinação de fatores é a inflação nos preços dessas câmeras no mercado de usados.
Como os modelos “point-and-shoot” não são mais fabricados, a demanda por câmeras digitais usadas explodiu. Plataformas como OLX e Enjoei registraram crescimento expressivo nas buscas e um aumento desenfreado nos preços das unidades disponíveis.
Outro motivo para a adoção das câmeras fotográficas é a recente proibição do uso dos smartphones nas escolas brasileiras, o que obrigou os estudantes a buscar uma alternativa pra registrar os momentos com os colegas.
Por fim, podemos encarar esse movimento como uma “questão de estilo”.

Os “erros” produzidos pelas fotos registradas por essas câmeras são aceitáveis para a Geração Z. Falta de nitidez perfeita, uso do flash e pequenos defeitos são vistos como charme. Isso contrasta com a padronização excessiva das fotos dos smartphones.
É uma geração que quer ser diferente em tudo, inclusive na hora de se expressar. Exatamente da mesma forma que as gerações anteriores se comportaram.
E é um fato concreto que as câmeras digitais estão devolvendo o verdadeiro valor ao ato de fotografar.
A necessidade de escolher o momento certo e a limitação técnica trazem de volta a intenção e a emoção ao registrar uma imagem, mostrando a sensibilidade daquele que registra aquele momento, que pode ser único.
E todos que registram fotos querem que aquele momento seja naturalmente inesquecível.
Via G1

