
É meio alarmante, confesso. Mas é correto dizer que a Apple está em um momento de “ou tudo, ou nada”.
Ou a empresa surpreende com algumas inovações, ou será obliterada por completo pela concorrência neste aspecto. A percepção de estagnação nos seus produtos, principalmente no caso do iPhone, é algo crescente e, para muitos, flagrante.
E a empresa precisa fazer alguma coisa para mudar isso.
John Ternus, o novo CEO da Apple, foi nomeado com essa tarefa em mente (também). E deixar de apresentar algo realmente novo no seu principal produto pode ser o início do fim para a dominância da empresa no segmento de telefonia móvel.
Excesso de conservadorismo

Fato: não é de hoje que o iPhone não entrega algo realmente novo. E o produto se tornou o símbolo máximo do conservadorismo da Apple.
Nos últimos anos, o iPhone só recebeu melhorias incrementais que, embora mantenham a qualidade e a estabilidade do ecossistema, já não despertam o mesmo entusiasmo nos usuários. Faz tempo que a Apple não arranca reações entusiasmadas nos usuários com alguma novidade que realmente chame a atenção de quem pensa em trocar de smartphone.
Enquanto isso, concorrentes como Samsung, Xiaomi e Huawei avançaram de forma agressiva nas inovações e soluções diferenciadas, especialmente no segmento de smartphones dobráveis, que se tornou um símbolo de inovação no setor.
Só agora a Apple flerta com a possibilidade de lançar um smartphone dobrável, com alguns anos de atraso em relação aos rivais. E nem mesmo a desculpa do “estamos esperando para entregar o produto certo no momento certo” ajuda a justificar essa desvantagem de tempo para entrar no novo segmento da telefonia móvel.
O tempo passou, e foi mais do que suficiente para que a Samsung assumisse com mãos de ferro a liderança no segmento de dobráveis por quase uma década. A marca sul-coreana está mais do que consolidada como referência tecnológica em um campo no qual a Apple ainda não estreou.
Para uma gigante como a Apple, isso algo quase inadmissível.
John Ternus é a salvação?

Diante desse cenário, cresce a expectativa em torno da chegada de John Ternus ao cargo de CEO da Apple, prevista para setembro de 2026.
Ternus, que já lidera a divisão de hardware da empresa, é visto como a figura responsável por recuperar o espírito inovador que marcou a era de Steve Jobs e que, sob Tim Cook, deu lugar a uma gestão mais focada em eficiência operacional e expansão de serviços.
Não dá para reclamar da gestão de Tim Cook. Ele consolidou a Apple como a maior empresa de tecnologia do mundo, chegando a números astronômicos no faturamento e nos lucros.
Acontece que não adianta nada ter o dinheiro e não saber o que fazer com ele. E esse excesso de dinheiro começa a pesar contra a Apple para não inovar.
O grande desafio de Ternus será conduzir a Apple a um novo ciclo de inovação capaz de reposicionar a marca como líder tecnológica, e não apenas como referência de design e experiência de uso.
Dinheiro para isso não falta. John nem pode usar a falta de recursos como desculpa para não agir.
E tem mais: o iPhone dobrável, se vier, será o mais caro da história da Apple. Dá para recuperar o investimento feito com relativa rapidez.
Os primeiros compradores do possível futuro novo iPhone farão isso.
O iPhone dobrável precisa chegar

O principal símbolo dessa virada seria o tão aguardado iPhone dobrável. E se ele não vier já em 2026, já será algo um tanto quanto inacreditável.
Rumores indicam que a Apple trabalha há anos em um modelo que poderia se chamar iPhone 18 Ultra, mas enfrenta dificuldades técnicas relacionadas à durabilidade da tela, às marcas de dobra e à cadeia de suprimentos.
Ninguém disse que era fácil conceber e construir um smartphone dobrável. A Samsung mesmo levou pelo menos seis anos para atingir um ponto de maturação neste segmento.
Mas estamos falando da Apple. A mesma empresa que muitos consideram como “a rainha da inovação”.
A empresa sabe que, ao entrar nesse mercado, não pode simplesmente replicar o que já existe: precisa entregar um produto que redefina o segmento, como fez com o primeiro iPhone em 2007.
É uma faca de dois gumes nos aspectos conceituais e mercadológicos.
Caso consiga, poderá democratizar o formato dobrável e forçar uma reconfiguração do mercado. Caso falhe, reforçará a narrativa de que perdeu o ritmo da inovação.
Entendo perfeitamente que a Apple quer entregar o melhor produto possível, e que não quer cometer erros. Mas não dá para esperar mais por um produto que tem enorme potencial de ser a nova referência do segmento mais valioso do setor de telefonia neste momento.
É ousadia da minha parte, mas digo, sem medo de errar: “esqueça o medo de errar, John, pois ele te impede de acertar”.
O Apple fanboy raiz clama pelo iPhone dobrável, e implora por anos pela volta da inovação nos produtos da empresa. É um povo que, hoje, se sente humilhado pela Samsung, Xiaomi, Huawei e Realme.
Chegou a hora de a nova fase da Apple efetivamente começar. E John Ternus parece ser a pessoa certa para liderar esse novo capítulo da empresa.
