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Um ano depois, o Pocophone F1 ainda é um dos smartphones mais amados dos fãs da Xiaomi. E chegou a hora de fazer uma breve análise sobre o seu impacto e relevância no mercado. Esse não é um review, mas sim uma reflexão breve da influência do dispositivo no mercado atual de telefonia móvel.

 

 

Não foi o primeiro, e não será o último

 

 

Em 2012 o Google tentou a mesma estratégia com os modelos Nexus 4 e Nexus 5, que entregavam especificações top de linha e preços de US$ 300, quando a concorrência apresentava modelos semelhantes cobrando US$ 600 ou mais.

O OnePlus One fez exatamente a mesma coisa em 2014, e prometia mudar tudo com telefones com preços a partir de US$ 249. Muita gente também se empolgou com esse modelo.

Cinco anos depois, esses três smartphones não impediram o lançamento de smartphones top del linha que custam US$ 700 ou mais. O mercado não mudou em função dos dispositivos “flagship killer”, apesar de todos entenderem que não precisam pagar um rim para ter um ótimo telefone.

Por que o Pocophone F1 faria diferente?

 

 

O que foi e o que realmente representou o Pocophone F1?

 

 

O Pocophone F1 nunca se apresentou como um “flagship killer”. Foram os fãs da Xiaomi que o colocaram nessa posição. O modelo sempre teve uma proposta mais honesta: um smartphone de linha média, com hardware com potencial de top de linha e uma excelente relação custo-benefício.

Como usuário de um Pocophone F1 como smartphone principal, eu posso dizer com propriedade que ele cumpriu com o seu papel, e surpreendendo em várias frentes. A experiência de uso é excelente na maior parte do tempo, as suas câmeras entregam resultados acima da média (com o Google Camera app, é bom deixar claro) e a sua bateria possui uma excelente autonomia.

O modelo deixa de lado coisas que a maioria dos usuários não utiliza para entregar o básico para funcionar bem, que é exatamente o que a maioria dos usuários precisa no dia a dia.

 

 

O que aconteceu com o Pocophone F1?

 

 

Ele foi um sucesso, mas é um sucesso relativo. Não teve todo o marketing de outros modelos da Xiaomi ou Redmi, mas teve sua popularidade construída pelas vozes dos usuários e fãs da marca.

Não temos números concretos para mensurar esse impacto. Só sabemos que o Pocophone F1 vendeu 700 mil unidades no seus primeiros três meses, mas não há números oficiais de vendas globais e totais até agora. Mas sabemos que é bem longe dos 15 milhões de unidades do Redmi Note 7, por exemplo.

Mas podemos afirmar que esse movimento da Xiaomi era calculado, uma vez que este smartphone sempre foi considerado como algo experimental. Um balão de ensaio para uma possível abertura de uma nova frente de mercado para a empresa.

 

 

Veremos um Pocophone F2?

 

 

De forma oficial, a resposta pode muito bem ser um “quem sabe?”. Na Xiaomi, as coisas são um pouco imprevisíveis nesse sentido, especialmente quando pensamos que o Pocophone F1 foi um projeto mais experimental.

Além disso, com as mudanças administrativas dentro da Poco, muito provavelmente não veremos um Pocophone F2, ou pelo menos não veremos um novo modelo tão cedo.

Em tese, modelos como o Redmi K20, Mi 9T e Mi 9T Pro são “sucessores espirituais” do Pocophone F1, mesmo com um preço superior.

Hoje, 12 meses depois, a Xiaomi não mudou praticamente nada em função do Pocophone F1. O mercado não mudou em função desse smartphone. E um dispositivo com Snapdragon 855 com a mesma filosofia do modelo anterior corria o risco de ser apenas um “mais um” no mercado. Diferente da linha Xiaomi Mi A (A1, A2, A3), que evolui substancialmente a cada ano, mas mantendo um preço realmente espetacular.

Hoje, o Redmi Note 8 Pro e o Xiaomi Mi 9 Lite (e até o Mi 9 SE) são outras opções que preservam o espírito do Pocophone F1, apresentando melhorias substanciais nas especificações, com preços competitivos.

Mas nada impede que a Xiaomi lance no futuro um Pocophone F2 com o mesmo preço de 2018 justamente para reforçar o conceito de bom e barato, com detalhes de top de linha em um modelo de baixo custo. O mercado como um todo agradeceria e muito. Mesmo ciente que, se não acontecer, existem outras alternativas bem interessantes pelas mãos da própria Xiaomi.


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