Fato: vários fabricantes de smartphones se valem do jogo sujo para chegar ao topo. São inúmeros os casos de empresas que fizeram coisas bem estúpidas para obter vantagens diante da concorrência.

Publicidade enganosa, especificações falsas e, principalmente, trapaças nos benchmarks são algumas das táticas adotadas pelos fabricantes de smartphones para ludibriar o consumidor.

A última a ser pega na trapaça foi a Huawei, que otimizou alguns dos seus dispositivos top de linha, como é o caso do Huawei P20 Pro, para obter uma pontuação mais alta do que realmente seria em aplicativos de benchmarks.

Os dispositivos conseguem identificar apps de benchmark, e aumentam significativamente a sua performance enquanto esses apps são executados, obtendo pontuações que, na verdade, são falsas. Tudo para não ficar atrás de uma concorrência que faz exatamente a mesma coisa.

A Huawei não é a primeira, e nem será a última a burlar nos benchmarks. Quase todos os fabricantes já otimizaram seus dispositivos para obter resultados artificiais. Samsung, LG, ASUS, HTC, Meizu e OnePlus fizeram o mesmo no passado.

 

 

Porém, parte da culpa desse cenário existir é do próprio usuário. Além de ser muito difícil quantificar a performance de smartphone por outros métodos (já que os benchmarks oferecem números que podem ser comparados), mesmo não sendo um processo 100% confiável, tem muita gente que é simplesmente viciada em benchmarks, como se fosse uma obsessão na vida.

O ideal seria dar mais importância para a experiência de uso, deixando os números frios dos benchmarks de lado. Eu mesmo fiz isso: nos reviews do TargetHD, não aplicamos mais os testes numéricos por entender que os fabricantes trapaceiam com essas práticas de aumento de performance artificial, e que pouco ou nada tais testes refletem na realidade prática do cotidiano de cada usuário.

O TargetHD.net até publica mensalmente o Top 10 das análises do AnTuTu, mas isso porque existe a turma que adora esse tipo de teste. Mas não necessariamente confiamos ou acreditamos em tais rankings.

 

 

Eu sei, é difícil ignorar os números. Mas o que realmente importa é a experiência de uso. Um Snapdragon 835 com interface muito otimizada vai oferecer uma experiência de uso muito superior do que um Snapdragon 845 com má otimização.

E, no final das contas, o que você realmente quer? Um smartphone com pontuação de benchmark excelente, mas muito lento no dia a dia, ou um telefone com pontuação mais baixa, mas muito rápido nas suas principais atividades?

Logo, vamos parar de priorizar os números, para que os fabricantes mudem a postura, abrindo mão da necessidade de usar de trapaças para obter vantagens em relação à concorrência.

Quem sabe se a gente parar de se iludir eles param de querer tentar nos iludir…