
Aviso aos assinantes de plantão: se você ainda não abriu o e-mail da Paramount+ hoje, respira fundo. O streaming que até ontem era aquele parente com preço amigável na árvore de Natal das assinaturas decidiu que quer sentar-se à mesa dos grandes — e cobrar como tal.
Na última terça-feira (10), a plataforma acionou o modo “vida real” e reajustou todos os planos disponíveis no Brasil.
O saldo? Um aumento que, no caso do antigo plano básico, chega a assustadores 84,66%.
Se você achou que 2026 ia dar trégua no bolso, sinto muito: a dança das cadeiras do streaming chegou na sala da Paramount. A empresa alega que o preço novo é fruto de um cardápio turbinado, agora recheado com UFC, Libertadores e promessas de séries originais.
Mas, na prática, o que o consumidor vê é a fatura do cartão subindo — e a velha pergunta: será que ainda vale a pena?
O fim da linha para o plano baratinho
Quem corria pro Paramount+ porque ele era aquele streaming “mais em conta” vai precisar repensar a estratégia.
O plano Básico, que custava R$ 18,90 mensais e era o queridinho de quem assistia só no celular, simplesmente deixou de existir. E, como num passe de mágica, quem pagava menos de vinte reais agora precisa desembolsar R$ 34,90 se quiser continuar na casa — um salto de 84,66% que faria qualquer inflação corar de vergonha.
Na versão anual do antigo básico, o susto não é menor: a assinatura saltou de R$ 169,90 para R$ 309,90. A Paramount, claro, não chama isso de “fim do plano barato”. Prefere o termo “consolidação de portfólio”.
Mas, convenhamos, é aquele tipo de consolidação que faz a gente sentir saudade de quando “básico” significava “mais em conta” e não “extinto”.
O detalhe curioso é que o plano Padrão, que antes custava R$ 27,90, agora ocupa exatamente a faixa de preço que era do antigo Premium.
Ou seja: você continua pagando mais, mas o que mudou de fato foi a régua. O que era top ontem virou intermediário hoje, e o intermediário virou o novo básico — só que sem o preço de básico.
Uma dança das cadeiras onde quem sempre se senta no chão é o nosso bolso.
Esporte ao vivo: o culpado favorito (e legítimo)

Dessa vez, a justificativa para o aumento não é apenas aquela carta genérica sobre “melhorias na experiência do usuário”.
A Paramount+ colocou as cartas na mesa e os esportes estão ali, estampados, como o grande motivo para o rombo no orçamento. E isso não é exatamente uma mentira: a plataforma desembolsou uma grana violenta para tirar o UFC do Fight Pass e trazer com exclusividade para o seu catálogo na América Latina.
Palavras da Paramount em comunicado:
O reajuste reflete algumas mudanças recentes no Paramount+. Em janeiro de 2026, nos tornamos a casa do UFC, levando você ainda mais perto do octógono, das maiores lutas, dos atletas mais icônicos e de toda a emoção dos esportes de combate ao vivo, além do futebol ao vivo de alto nível, com partidas da Conmebol Libertadores e Conmebol Sulamericana. Também estamos expandindo continuamente nosso catálogo com novos conteúdos originais e séries exclusivas (…).
O contrato é de sete anos e, nos Estados Unidos, os valores giram em torno de US$ 7,7 bilhões. Obviamente, esse custo monumental não ia ser absorvido pela empresa num gesto de bondade corporativa. Ele vem com um plus na fatura — e, no caso brasileiro, com a estreia das transmissões da Libertadores e da Sul-Americana no pacote.
Se você é fã de futebol ou MMA, a Paramount+ virou uma estação quase obrigatória. Se não é, bem, você está subsidiando o esporte alheio.
A empresa também menciona investimentos pesados em conteúdo original, incluindo franquias como “Star Trek”, “Dexter” e “Yellowstone”, além de um acordo bilionário com os criadores de “South Park”.
O raciocínio é simples: mais conteúdo de peso exige mais dinheiro na conta. O problema é que, no meio dessa equação, o assinante comum — aquele que só queria maratonar uma série de quinta à noite — acolheu no streaming um pacote de esportes que não pediu, mas vai pagar.
O plano anual ainda compensa?
Diante de um reajuste de 29% no plano Premium anual, que agora custa R$ 399,90, a pergunta que não quer calar é: vale a pena manter a assinatura por doze meses?
Vejamos.
A Paramount+ jura que sim, destacando que o ciclo anual ainda garante uma economia de 25% em relação ao pagamento mensal.
A conta, de fato, fecha: o plano mensal custa R$ 44,90, então em um ano você gastaria R$ 538,80. Pelo anual, você paga R$ 399,90. A economia real existe — mas o desembolso de uma vez só pesa.
Para quem está no plano Padrão, a lógica se repete. O plano anual sai por R$ 309,90 contra R$ 418,80 no acumulado mensal.
A promessa de desconto se mantém, mas é importante lembrar que, há poucos meses, esse mesmo plano anual custava R$ 249,90.
A conta de luz não é a única coisa que subiu em 2026, ao que tudo indica.
O movimento, no entanto, não é exclusividade da Paramount.
Uma rápida olhada na concorrência mostra que o mercado se alinhou: Netflix parte de R$ 44,90, HBO Max pede R$ 39,90 e Disney+ está na faixa dos R$ 46,90.
A Paramount+, que antes operava num patamar inferior, agora está na mesma mesa. Se isso é promoção ou rebaixamento, só o tempo (e o seu limite do cartão de crédito) dirão.
E aqui, dou graças a Deus por ter aproveitado a promoção de 50% de desconto do Paramount+ por um ano durante a Black Friday. Olhando para tudo isso, me odiaria com todas as forças se agora soubesse que poderia ter pago muito menos para ter o mesmo serviço.
Estratégia global, drama local

Se você acha que esse aumento é uma maldição exclusivamente tupiniquim, saiba que a conta chegou também para os norte-americanos.
Em janeiro de 2026, os preços do Paramount+ subiram nos Estados Unidos, com o plano Essential (com anúncios) indo para US$ 8,99 e o Premium para US$ 13,99. A diferença é que, por lá, o reajuste foi mais modesto — cerca de um dólar a mais por mês.
Aqui, o salto foi bem mais agressivo, especialmente na base da pirâmide.
A justificativa corporativa é a mesma: a fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em 2025, criou a “Paramount, uma Corporação Skydance”, e o novo presidente David Ellison deixou claro que quer ver dinheiro entrando, não só saindo.
A era do “cresça a qualquer custo” acabou. Agora, a meta é rentabilidade, e o preço do ingresso subiu.
Isso significa que o consumidor brasileiro não está sendo “perseguido” especificamente, mas também não foi exatamente poupado. A estratégia é global, mas a dor, local.
E, no nosso caso, a ausência de um plano verdadeiramente acessível faz falta num país onde 84% de aumento não é algo que se absorve com um simples “ok, vida que segue”.
Afinal, ainda vale a pena assinar o Paramount+?

A resposta, como quase tudo na vida, é: depende do seu apetite por esportes e séries específicas.
Se você é fã de UFC e não abre mão de ver o Alex Poatan ou a Mackenzie Dern ao vivo, o Paramount+ deixou de ser opção para se tornar necessidade. O mesmo vale para o torcedor que quer acompanhar a Libertadores sem depender de TV fechada.
Nesse cenário, o reajuste é só o pedágio para assistir ao que você gosta — e ponto.
Agora, se você é aquele perfil de assinante que entra uma vez por mês para ver um filme antigo ou maratonar uma série específica, talvez seja hora de dar um tempo.
O catálogo da Paramount+ é sólido, mas não exatamente vasto a ponto de justificar R$ 34,90 mensais para uso esporádico. Uma estratégia inteligente é assinar o plano anual justamente nos meses em que você sabe que terá tempo de consumo — ou, quem sabe, migrar para o rodízio de streamings, aquela dança onde você assina um mês, assiste tudo e pula para o próximo.
A boa notícia é que, para assinantes antigos, o aumento não é imediato. A Paramount+ garantiu que o novo valor só será aplicado no próximo ciclo de renovação ou a partir de 12 de março.
Ou seja, ainda dá tempo de decidir se você renova o namoro ou se dá um pé na bunda do streaming antes que ele fique ainda mais caro. Mas essa é a clássica “cortesia que não alivia o peito”.
O aumento vem. A única escolha é se você vai estar lá quando ele chegar.
