
A Panasonic, uma das marcas mais icônicas do Japão quando o assunto é televisão, confirmou que vai deixar de fabricar suas próprias TVs. Em um acordo firmado com a chinesa Skyworth, a produção, vendas e marketing nos mercados da Europa e América do Norte serão completamente transferidos a partir de abril de 2026.
Não se trata de uma despedida completa da marca, mas de uma transformação profunda no modelo de negócios. A Panasonic continuará existindo no mercado, porém, de forma mais enxuta: focará no desenvolvimento de tecnologias de imagem e na qualidade, enquanto a Skyworth cuidará de “colocar a mão na massa” com a fabricação e a logística.
É a estratégia de manter o prestígio da marca sem o peso industrial.
A decisão escancara um movimento que já vem acontecendo há anos: a dificuldade das gigantes japonesas em competir com a escala e os custos das fabricantes chinesas. Com a saída da Panasonic, o “Made in Japan” em televisores praticamente deixa de existir, passando o bastão para um mercado agora dominado por sul-coreanos e, principalmente, pelos chineses.
Por que a Panasonic desistiu?

A decisão não foi por falta de amor à tecnologia, mas sim por uma conta que não fechava. A Panasonic viu sua participação no mercado global despencar nos últimos anos. De acordo com dados do setor, a empresa saiu de um embarque de 6,3 milhões de unidades em 2016 para apenas 2 milhões em 2024, amargando uma participação de mercado inferior a 1%.
Manter fábricas próprias e uma estrutura de vendas na Europa e nos EUA simplesmente ficou insustentável. Os custos com publicidade, logística e pessoal eram altíssimos, enquanto a concorrência, especialmente de marcas chinesas como TCL e Hisense, oferecia produtos com especificações similares por preços muito mais agressivos.
Quem é a Skyworth e o que ela ganha com isso?
Para quem não conhece, a Skyworth não é uma novata qualquer; é uma das maiores fabricantes de TVs do mundo. Em 2024, a empresa chinesa embarcou impressionantes 8,2 milhões de televisores, e já possui experiência em administrar marcas ocidentais, como a Philips na América do Norte.
O acordo é uma via de mão dupla que fortalece os chineses no mercado global. Enquanto a Panasonic se livra dos custos, a Skyworth ganha acesso imediato às prateleiras da Europa e EUA com uma marca premium e reconhecida.
É a chance de acelerar sua presença em mercados onde seu nome próprio ainda é pouco conhecido pelo grande consumidor.
O “espírito” Panasonic ainda vive na TV?

A boa notícia para os entusiastas da qualidade de imagem é que a Panasonic não vai simplesmente “carimbar” qualquer televisor. A empresa japonesa prometeu manter uma participação ativa no desenvolvimento conjunto, especialmente nos modelos OLED de ponta, fornecendo sua expertise em processamento de imagem e calibração de cores.
Isso significa que os futuros lançamentos devem continuar usando os painéis mais avançados da LG Display. A diferença é que, agora, a montagem e a distribuição serão supervisionadas pela estrutura industrial da Skyworth.
A promessa é que a qualidade e os padrões audiovisuais que consagraram a marca permaneçam intactos.
E agora, o que muda para o consumidor?
Se você está pensando em comprar uma TV Panasonic agora, pode ficar tranquilo. A empresa garantiu que continuará prestando suporte e honrando a garantia de todos os aparelhos vendidos até março de 2026, além dos novos modelos que chegarem ao mercado sob o novo acordo.
Para quem comprar uma TV da marca daqui para frente, a experiência deve ser transparente. A embalagem ainda dirá Panasonic, e a tecnologia interna ainda terá o DNA japonês, mas nos bastidores, a logística e a produção serão chinesas. É uma nova era onde a marca dita as regras, mas a linha de produção é de outro time.
O fim de uma era para a indústria japonesa

A saída da Panasonic não é um caso isolado, mas sim a pá de cal na indústria de TVs japonesa.
Nos últimos anos, testemunhamos a Toshiba e a Sharp passarem o bastão para empresas chinesas, e a própria Sony se associou à TCL em uma joint venture para tocar seu negócio de televisores.
O que estamos vendo é o capítulo final de uma história que começou com os tubos de raios catódicos e os aclamados plasmas. A hegemonia japonesa na eletrônica de consumo cedeu lugar à escala coreana e chinesa.
Resta saber se, como “arquitetas de marca”, as empresas japonesas ainda conseguirão ditar as tendências de qualidade em um mercado que agora é fabricado por outros.
Via TechSpot, FlatpanelsHD, ArsTechnica
