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Eu não tenho nada contra o Facebook. Tá, mentira: tenho algumas coisas contra a rede social, mas reconheço que a ferramenta possui aspectos positivos. O problema é que Mark Zuckerberg e sua turma dá vários motivos para seguir falando mal de sua rede social.

A indiferença do Facebook contra as mensagens de ódio e a sua não importância dada para as questões de privacidade e segurança dos usuários resultam em fortes reações por parte da comunidade e, mais recentemente, de anunciantes. E Mark Zuckerberg parece ter decidido fazer algo a respeito.

 

 

 

As mudanças anunciadas são suficientes?

 

 

Zuck deu detalhes do que pretende fazer para evitar qualquer tipo de interferência da sua rede social nas eleições presidenciais nos Estados Unidos que acontecem em novembro. Afirmou que vai redobrar esforços para detectar campanhas que tentam desestimular o voto de determinados grupos, assim como identificar as fake news, algo que inicialmente o Facebook não faria.

Também menciona que todas as ações orientadas a dissuadir, de forma ativa ou passiva, a qualquer cidadão que queira expressar a sua opinião nas urnas, será perseguida e banida pelo Facebook. Sobre as mensagens de ódio, a empresa estabeleceu uma diferença clara entre publicações pessoais e anúncios exibidos na plataforma, e não vai realizar mudanças no primeiro caso. Já no conteúdo publicitário, teremos mudanças que ampliam as vias para que uma publicação que viole as regras possa ser denunciada e removida da plataforma.

A principal mudança aqui é que, a partir de agora, estão proibidos conteúdos que afirmam que pessoas de uma raça, etnia, origem nacional, filiação religiosa, casta, condição sexual, identidade de gênero ou status migratório específicos são uma ameaça para a segurança física, saúde ou sobrevivência dos demais. A plataforma vai tentar proteger mais os imigrantes, refugiados e solicitantes de asilo político de mensagens que atacam esses grupos ou indivíduos.

 

 

 

Você acredita na sinceridade de Mark Zuckerberg?

 

 

É um bom começo, mas ainda falta muito a ser feito. Não dá para saber se o Facebook vai assumir esses compromissos de forma convicta, e esperamos que isso realmente aconteça. O problema aqui é que não se trata de uma decisão tomada pela vontade própria de Mark Zuckerberg, o que é uma lástima.

Zuck anunciou tais mudanças por causa do #StopHateForProfit, uma enorme campanha de boicote ao Facebook por parte dos anunciantes de diferentes segmentos. Até o presente momento, a rede social perdeu mais de 50 anunciantes, incluindo alguns nomes de peso com VF Corporation, Unilever, Verizon, Coca-Cola, entre outros. Uma lista longa o suficiente para preocupar diretores e acionistas da empresa.

Isso tudo só levanta as desconfianças sobre o Facebook, principalmente quando buscamos os motivos para a mudança de postura. Esperamos que as medidas anunciadas se tornem efetivas o quanto antes possível, e que a rede social avance no sentido em deixar o seu ambiente algo mais saudável para todos.

Porém, não dá para deixar de pensar que tudo isso não teria acontecido (ou ao menos não teria acontecido nessa velocidade que estamos vendo) se não fosse pela pressão dos anunciantes e esse gigantesco boicote. E… o que vai acontecer depois que a poeira baixar? Será que o Facebook vai tomar um novo rumo na vida, deixando de monetizar o ódio?

Se isso ocorrer, serei o primeiro a aplaudir. Até lá, as palavras de Mark Zuckerberg não são suficientes.

 

 

Via Facebook


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