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Os smartphones estão destruindo a nossa memória?

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As pessoas hoje vivem problemas de ansiedade por causa do smartphone e, por conta disso, muitos não conseguem se concentrar em mais nada. Por isso, vale a pena descobrir se esse efeito colateral pode ter efeitos alongo prazo em nossa memória, nossa atenção e, em um sentido mais amplo, na nossa capacidade cognitiva.

Eu mesmo não consigo mais decorar um número de telefone com nove dígitos, pois deixo todos os meus contatos salvos na agenda do celular. E tenho muita preocupação com esse assunto, pois na minha família existem casos de Mal de Alzheimer, tanto por parte do meu pai (com a minha avó) como por parte da minha mãe (com a minha avó e com a minha mãe).

Ou seja, este é mais um artigo de tecnologia que eu escrevo para mim mesmo, com o objetivo de me tranquilizar ou ligar o alerta para mudar posturas e comportamentos para evitar o pior.

 

 

 

Os smartphones estão mudando o nosso comportamento?

Sim, é claro. Afinal de contas, a internet mudou o nosso comportamento nos últimos 20 anos, certo? Então, por que o smartphone não faria o mesmo?

Não existe um debate tão enfático se o smartphone está afetando a capacidade cognitiva do ser humano, mas bem sabemos que isso pode acontecer, tanto nos aspectos funcionais quanto nos estruturais, e em todos os níveis. As telas modificaram de forma substancial o nosso córtex somatossensorial, que é o responsável pela forma em como tocamos o mundo.

Na década de 1970, as telas já existiam, através da televisão. Que, por sua vez, foi outro dispositivo eletrônico (ou eletrodoméstico, como queira) que mudou o mundo e a forma em como o enxergamos, nos enxergamos e nos comportamos diante dos fatos e acontecimentos. Durante décadas, a TV foi o principal meio de informação do ser humano, mesmo com a banda Titãs afirmando (de forma correta) a frase que define a existência de algumas pessoas que eu conheço: “a televisão me deixou burro demais”.

Logo, seria uma ingenuidade não pensar que as telas dos smartphones não mudam o comportamento das pessoas, inclusive no que se refere à interação desses usuários com o dispositivo. Se na televisão você pode ver os conteúdos, no telefone inteligente você pode interagir com eles através do toque na tela. E é por isso que muitos especialistas afirmam que o dispositivo que, neste momento, é o principal meio de acesso à internet da maioria das pessoas ao redor do mundo é também aquele responsável em mudar a forma em como tocamos o mundo.

Agora, olhando para as páginas web disponíveis na internet, pense nos links (ou hipertexto) que são utilizados para que as pessoas acessem informações úteis e relevantes dentro de um artigo de internet. Tais links podem resultar em distrações para a sua memória, afetando o estado de atenção que, por consequência, pode interferir na capacidade do indivíduo em se lembrar de informações e conteúdos consumidos por esses meios.

Em termos práticos, uma geração inteira de pessoas está ficando o tempo todo desconcentrada, pois se tornou completamente dependente do acesso ao smartphone para não perder nada do que está acontecendo no mundo. É por isso que tem muitos adolescentes por aí afirmando que “não posso fazer nada durante mais de 15 minutos sem olhar para o smartphone”.

 

 

 

As mudanças estão acontecendo

Ambientes virtuais com muitas informações visuais podem impedir o processo de tantas informações simultâneas, o que dificulta a concentração de qualquer pessoa. Isso pode acontecer em diferentes níveis, e normalmente cria o hábito de sempre recorrer ao Google para se obter a informação no lugar de tentar lembrar o que a nossa memória não reteve ou bloqueou para o consciente.

E eu bem sei disso. De tempos em tempos, sinto que minha memória está completamente fragmentada, e não penso duas vezes em ir até o Google para identificar aquela informação que não consigo lembrar por entender que ocorreu um bloqueio mental ou falha na minha memória cognitiva. Quando, na verdade, isso pode ser um comportamento errático desenvolvido por conta do uso da internet e dos smartphones por tantos anos.

A única boa notícia disso tudo é que não estou desenvolvendo o Alzheimer ou estou perdendo a capacidade de memorizar diante da tecnologia atual. Na verdade, tal efeito colateral pode ser considerado como “algo normal”, levando em consideração justamente essas mudanças de comportamento que estamos vivenciando nas últimas duas décadas como usuários de tecnologia.

O fato de a informação ser processada de forma diferente não é algo necessariamente ruim. O nosso cérebro passa uma vida inteira se reorganizando em função das mudanças de comportamento, de local onde vivemos e até mesmo da vida como um todo. Ideias, planos, sonhos, conceitos e preconcepções estabelecidas mudam ao longo da vida de qualquer pessoa, e a nossa pobre massa cinzenta precisa se readaptar a cada mudança.

O mesmo acontece com a tecnologia e com a informação ao nosso redor. Esses elementos afetam o indivíduo desde os primeiros pictogramas, e sempre foram apresentados dados e eventos a partir de dispositivos externos. Por exemplo, os livros e cadernos que usamos ao longo de nossa vida escolar: são elementos de desenvolvimento de pensamento objetivo, aprendizado e construção de conceitos morais e éticos, entre outros valores que exigem de qualquer pessoa um cérebro para organizar todas essas informações.

Receber informações de elementos externos é algo que torna a vida de qualquer pessoa minimamente inteligente e racional algo mais complexo e completo. Logo, o uso de smartphones e tablets não pode ser considerado como algo negativo, pois assim como acontece com um livro ou um caderno, esses gadgets podem ser utilizados para aumentar os nossos processos de pensamento e memória.

No final das contas, certamente estamos fazendo mais coisas ao mesmo tempo com os dispositivos que temos nas mãos neste momento. Escrever um artigo no computador, verificar e-mails no tablet, ver as redes sociais no smartphone… nos tornamos seres humanos que pensam e trabalham com um comportamento multitarefa, e isso pode realmente fazer com que o nosso cérebro acabe em bug de tempos em tempos.

Por outro lado, para aquelas pessoas que conseguem trabalhar bem com essa produtividade em multitarefa, a recompensa é receber um tempo maior para se concentrar nas atividades que realmente importam, com um foco maior na satisfação em realizar tais tarefas e, com sorte, obter mais tempo livre para lembrar de outras coisas que são mais significativas para nossas vidas.

O grande problema está nas consequências dessa vida de pessoa multitarefa, ou se existem problemas associados neste estilo de vida. O mais afetado com esse ritmo de tarefa mental é o hipocampo, a área do cérebro relacionada com a orientação espacial: o que vai acontecer se deixamos de lado o uso desse campo do cérebro, já que o Google Mapas pode indicar todas as ruas do mundo, mas entregando uma noção de espaço totalmente desproporcional, impedindo assim que o hipocampo se desenvolva de forma correta?

O cérebro é um músculo que precisa ser exercitado, e diferente de outras partes do corpo, em poucas situações ele é utilizado para fazer uma única coisa. Logo, se o hipocampo não for treinado para realizar todas as suas tarefas, o indivíduo perde a capacidade de orientação espacial, e isso pode ser um enorme problema para aquelas pessoas que (por exemplo), dirigem profissionalmente, como taxistas, motoristas de Uber e 99, motoristas de ônibus e caminhões e outros.

Agora, pense nessas pessoas perdendo com o passar do tempo o senso de orientação e, por consequência disso, provocando acidentes em escala nas ruas e estradas brasileiras.

A densidade reduzida da massa cinzenta do hipocampo vem acompanhada de uma série de sintomas, como por exemplo um maior risco de depressão e outras psicopatologias, além de algumas formas específicas de demência. O custo disso pode ser um expressivo aumento de diagnósticos de Alzheimer, e considerando que a população global está cada vez vivendo mais, esse problema pode ser algo muito pior do que aparenta ser.

 

 

 

As consequências sobre o que é investigado neste momento

Para variar, nada é tão simples quando parece ser.

Nos Estados Unidos, um estudo que monitora mais de 10 mil crianças todos os anos para analisar como um smartphone pode afetar o desenvolvimento neuro cognitivo deixa claro que existe sim uma relação direta entre a redução cortical e a tecnologia. O que não dá para afirmar (pelo menos por enquanto) é se existe uma ciência exata que estabelece essa relação, até porque esse efeito não aparece de forma natural com o tempo, o que poderia determinar que estamos diante de uma geração que está amadurecendo ou envelhecendo mais rápido.

O que pode ser constatado é que, com ou sem o uso da tecnologia, as novas gerações estão amadurecendo de forma cada vez mais precoce. Podemos perceber isso de forma clara ao conviver com os mais novos e observar o comportamento na hora de expressar opiniões e sentimentos, e até mesmo no comportamento diante de determinados cenários típicos da infância.

 

 

 

Estamos ganhando alguma coisa com tudo isso?

No final, o smartphone, a telefonia móvel e a informática de um modo geral dominaram o mundo.

A tecnologia está em todos os campos de nossas vidas, fazendo parte desse grande experimento social em massa da nossa existência. São pouquíssimas as pessoas que não estão em contato com o mundo tecnológico hoje e, ainda assim, até mesmo essas pessoas são afetadas com esse universo de forma indireta.

Então, o que vai acontecer se, em um belo dia, a ciência definir que o que perdemos pelo uso da tecnologia não será compensado como tudo o que aconteceu historicamente até agora? Será que vamos mudar tudo em nome de algo que já passou, ou na tentativa de salvar o que está por vir?

Nesse momento, não há dados sólidos que nos obriguem a enfrentar essa hipotética realidade. Mas os indícios são muito fortes que estamos cada vez mais próximos do dia em que seremos obrigados a encarar essa questão a sério.

Não dá para se colocar portas ou muros na relação humana com a tecnologia, mas não resta dúvidas que estamos diante de um enorme desafio: desenvolver os mecanismos sociais necessários para recuperar o controle sobre o que é bom ou ruim para nós mesmos. De forma indiscutível, as redes sociais, o consumo desenfreado de informação e a nova cultura que determina que um indivíduo só é antenado quando fica por dentro de tudo roubou de nós alguns aspectos que podem ficar completamente perdidos com o passar do tempo.

Deixamos de nos relacionar de forma plena com outras pessoas de forma pessoal ou presencial, nos tornamos mais individualistas e menos empáticos, deixamos de pensar nos outros com compaixão e renunciamos à sinceridade e transparência em nome da manutenção de um falso bom relacionamento, apenas para manter as aparências e os vínculos estabelecidos ao longo dos anos.

Todos esses traços comportamentais estão, de uma forma ou de outra, associados ao caráter do indivíduo, mas que também foram estimulados pelas mudanças de comportamento patrocinados pela tecnologia ao nosso redor. A falsa proteção do anonimato digital ou do verniz social aplicado pela tela de um smartphone trouxe à tona o pior de algumas pessoas.

Ou os desvios de caráter sempre estiveram presentes em alguns indivíduos. O smartphone só deixou essas características escancaradas.


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