
Embora o ecossistema Microsoft hoje abranja hardware próprio, jogos, produtividade em nuvem e soluções empresariais diversas, foi o Windows que cimentou sua posição dominante no mercado.
A visão de Gates provou-se certeira: ele antecipou o fim dos sistemas baseados em texto e a ascensão inevitável das interfaces gráficas, muito mais intuitivas e práticas, expandindo o mundo da informática para um público muito maior.
Ao longo do dia, abordamos os 50 anos da Microsoft por diferentes perspectivas. Mas dessa vez, vamos olhar para essa jornada a partir do seu principal produto. O software que fez a empresa se tornar a gigante que se apresenta diante dos nossos olhos.
O Windows.
Windows 1.0: Os primeiros passos

O projeto inicialmente chamado “Interface Manager” começou em 1981, culminando no lançamento do Windows 1.0. Não era um sistema operacional completo, mas uma extensão gráfica do MS-DOS desenvolvida para competir com o Mac OS da Apple.
Apesar de limitações técnicas evidentes, o Windows 1.0 apresentava vantagens competitivas notáveis: preço acessível (entre US$100 e US$250) e requisitos de hardware modestos, funcionando em PCs com apenas 192 KB de RAM.

A aceitação inicial foi modesta, mas o suporte de fabricantes como HP, Compaq e Texas Instruments estabeleceu as bases para a futura dominação do mercado. Gates já vislumbrava esse potencial, conforme registrado em uma nota encontrada pelo ex-arquiteto-chefe Ray Ozzie: “O Windows 1.0 fornece uma base sólida para uma nova geração de aplicativos e avanços futuros.”

O verdadeiro avanço comercial veio com o Windows 3.0 em 1990, que trouxe melhorias significativas na interface, multitarefa e gerenciamento de memória. Foram vendidas dois milhões de cópias nos primeiros seis meses, consolidando a presença da Microsoft no mercado.
Windows 95: A revolução digital

Desenvolvido sob o codinome “Chicago”, o Windows 95 representou um divisor de águas na computação pessoal. Sua interface gráfica introduziu elementos icônicos que persistem até hoje, como o botão Iniciar e a barra de tarefas. O sistema híbrido de 16 e 32 bits incorporou suporte a Plug&Play, multitarefa aprimorada e nomes de arquivos longos.

Ao longo de seu ciclo de vida, o Windows 95 recebeu cinco pacotes de serviço e suporte expandido para FAT-32, USB, UDMA e AGP. O navegador Internet Explorer, posteriormente crucial em disputas antitruste, foi integrado ao sistema.
O Windows 95 alcançou sucesso comercial sem precedentes, consolidando a Microsoft como potência tecnológica e tornando Gates o homem mais rico do planeta.
Windows 98, ME, XP, Vista e 7

A trajetória subsequente foi marcada por altos e baixos. Enquanto o Windows 98 manteve o momentum positivo, o Windows Millennium Edition (Me) ficou marcado como um dos maiores fracassos da empresa. Paralelamente, a Microsoft desenvolvia a linha NT, destinada inicialmente ao mercado corporativo.
O Windows XP, lançado em 2001, trouxe estabilidade renovada e a icônica interface “Luna”. Tornou-se o sistema operacional de maior longevidade da Microsoft, permanecendo relevante por mais de uma década.

O sucessor, Windows Vista, ambicionava inovações significativas, incluindo a avançada interface Aero, mas problemas de compatibilidade e requisitos elevados comprometeram sua adoção.
A redenção veio com o Windows 7 em 2009, considerado um dos melhores sistemas da empresa. Baseado no núcleo do Vista, mas com interface simplificada e desempenho superior, dominou o mercado por 11 anos.
Windows Phone, o maior fracasso da Microsoft em 50 anos

Na era da mobilidade, a Microsoft enfrentou seu maior revés. A incursão no mercado de smartphones com o Windows Phone/Mobile terminou em fracasso colossal, custando aproximadamente US$400 bilhões, segundo estimativas de Gates. A aquisição da divisão móvel da Nokia, que incorporou 25.000 funcionários à empresa, revelou-se particularmente desastrosa.

O movimento afastou potenciais parceiros de hardware e não conseguiu competir com o iPhone da Apple e a crescente onda Android. Um ano após a aquisição, 18.000 funcionários foram demitidos. O novo CEO Satya Nadella encerrou a iniciativa, reconhecendo a necessidade de abandonar áreas não promissoras.
A era moderna do Windows

A história recente dos sistemas Microsoft é marcada por contrastes.
O Windows 8 representou outro tropeço significativo, com sua interface dual (desktop e Metro) confundindo os usuários e eliminando o consagrado menu Iniciar. A empresa reagiu rapidamente com o Windows 8.1, preparando o terreno para o Windows 10 em 2015.
O Windows 10 provou-se um sistema robusto e versátil, aprimorado ao longo de uma década de atualizações. Já o Windows 11, lançado mais recentemente, enfrenta críticas pela inconsistência da interface e problemas de desempenho em comparação com seu antecessor.

Ao completar 50 anos, a Microsoft apresenta um legado de inovações revolucionárias e alguns fracassos memoráveis.
Apesar das controvérsias envolvendo práticas monopolistas e disputas antitruste, seu papel na democratização da computação é inegável. A empresa que começou com dois jovens visionários redefiniu como interagimos com a tecnologia e continua moldando o futuro digital na nova fronteira da inteligência artificial.
Via Microsoft

