
É inegável que o streaming trouxe uma enorme praticidade para o usuário médio, já que entregou de bandeja uma enorme quantidade de conteúdo que está ao alcance de um clique ou acionar de botão do controle remoto (literalmente).
O problema é que o preço que essa comodidade cobra de todos nós está ficando cada vez mais alto. O streaming possui vantagens tangíveis, mas problemas e prejuízos que só foram apresentados depois que todos nós ficamos (mal) acostumados com este modelo de negócio.
Neste artigo, racionalizamos os cinco principais problemas que o streaming oferece para os usuários, como provas indiscutíveis de que o serviço hoje é oferecido para manter o consumidor preso em um modelo de negócio que só favorece aos estúdios e plataformas.
E, mesmo assim, os resultados podem variar, dependendo da plataforma em questão.
A falsa sensação de posse digital
O avanço do digital prometeu liberdade e acesso ilimitado, mas o que realmente entregou foi uma ilusão de propriedade. Você não é dono de mais nada, já que você paga pelo direito de visualizar o conteúdo ou executar o jogo dentro de condições específicas.
Ao pagar por um filme, série ou jogo, o usuário não se torna proprietário do conteúdo, apenas “aluga” uma licença temporária. Assim como em um contrato de aluguel invisível, o direito de acesso pode ser revogado a qualquer momento, deixando o consumidor sem garantias sobre algo que acreditava possuir.
E quando um conteúdo simplesmente desaparece de uma plataforma de streaming, ou você tem que fazer a assinatura para a nova casa daquele material, ou apenas aceitar que o filme ou a série de TV desapareceu, e você que abrace o prejuízo.
A cultura do volume sobre a qualidade
Desde que a Netflix percebeu que produzir seu próprio conteúdo era mais lucrativo, o foco das plataformas mudou. A prioridade passou a ser a quantidade, não a relevância, o que resultou em conteúdos de gosto extremamente duvidoso na plataforma.
Algoritmos substituíram curadores humanos, resultando em produções massivas e superficiais, criadas para manter o espectador rolando o catálogo sem parar. O resultado é um consumo automático e descartável, em vez de experiências marcantes e genuínas.
É claro que todo serviço de streaming tem um conteúdo que é considerado o “carro-chefe”, com uma qualidade acima da média. Mas para esse ouro aparecer, você se vê obrigado a consumir muito lixo, o que é horrível de qualquer forma para o assinante.
O desaparecimento silencioso das obras
Muitos não percebem que o conteúdo digital é efêmero. Filmes e séries somem de catálogos sem aviso, vítimas de disputas contratuais e mudanças de licenciamento, o que naturalmente desperta o desgosto dos fãs.
O espectador, que acreditava poder rever suas obras favoritas, descobre que elas simplesmente deixaram de existir no ambiente digital. O controle das plataformas sobre o acesso reflete o quanto a era do streaming trocou permanência por conveniência.
Até parece que é um movimento coordenado das plataformas de streaming: o revezamento da disponibilidade de determinados conteúdos em vários serviços, apenas para que o consumidor se force a pagar um valor cada vez maior para seguir acompanhando suas histórias preferidas.
A armadilha das exclusividades
A fragmentação do mercado tornou o entretenimento mais caro e confuso. Cada gigante do streaming tenta reter o público com exclusividades, forçando o usuário a assinar múltiplos serviços para ter acesso a um conteúdo que antes estaria disponível em um só lugar.
O resultado é a volta do modelo fragmentado da TV por assinatura, disfarçado sob o rótulo de modernização digital, incluindo é claro a famigerada publicidade em forma de intervalos comerciais em momentos específicos do episódio ou do filme em exibição.
Eu nem precisava dizer isso, mas… a TV por assinatura que conhecemos seguiu pelo mesmo caminho, e bem sabemos o que aconteceu.
Depois esses estúdios e produtoras reclamam do retorno da pirataria…
Jogos digitais e o fim da propriedade, de forma efetiva
Nos games, a dependência de servidores e licenças temporárias revela um problema ainda mais grave. O consumidor paga caro, mas não possui o jogo — apenas o direito de usá-lo enquanto a empresa permitir.
Casos como o de The Crew, da Ubisoft, mostram que um produto pode simplesmente deixar de existir. Assim, o entretenimento digital transforma-se em um ecossistema de obsolescência programada e controle corporativo absoluto.
Não por acaso os gamers estão voltando a utilizar os consoles do passado, pois ao menos nesses produtos a certeza de que aquele jogo executado em mídia física é seu para sempre.
Diferente do streaming, tal e como deixamos muito claro ao longo deste artigo.
