
OnePlus… eu não te reconheço mais!
Aquela marca que encheu os olhos dos usuários de tecnologia mais empolgados, combinando design, alta qualidade de construção, potência e excelente relação custo-benefício, dá sinais de que está totalmente perdida em sua estratégia comercial.
Mais do que isso: a marca, que faz parte da BBK Electronics, se esforça hoje para não canibalizar outros produtos que pertencem ao mesmo grupo, o que deixa ainda mais evidente que não estão sabendo o que fazer com essa plataforma.
O que diabos está acontecendo? E tão importante quanto isso: o que aconteceu com a OnePlus, que tanto prometeu, mas não cumpriu?
Como a OnePlus se perdeu

A trajetória inicial da OnePlus surgiu com força ao combinar hardware de ponta, software cuidadoso e preços extremamente agressivos, criando um fenômeno de desejo alimentado por convites. Hoje, essa memória contrasta com a realidade de uma marca que mudou de rumo, influenciada tanto pela maturidade natural quanto pelas decisões do conglomerado BBK Electronics.
O aumento de preços ao longo dos anos reposicionou a OnePlus, aproximando-a do patamar de concorrentes tradicionais e afastando-a do perfil acessível que a consagrou. A estratégia é comum entre marcas chinesas, mas cria conflitos em mercados onde consumidores dispostos a pagar mais geralmente escolhem Samsung ou Apple.
Lembrando sempre que a OnePlus começou focando na melhor relação custo-benefício, e mudar as regras do jogo com aumento nos preços dos seus produtos passa bem longe de ser a melhor estratégia para uma marca que precisa ser competitiva em um mercado já muito disputado.
E tudo só piorou

A saída de Carl Pei representou uma inflexão perceptível, retirando da OnePlus o caráter ousado que a diferenciava. O estilo provocador de Pei, agora evidente na Nothing, deixa claro o quanto sua visão influenciava a marca nos tempos do “flagship killer”.
Durante muito tempo, a OnePlus teve esse ar de ser irreverente e ousada, dando a entender que podia desafiar o que estava estabelecido dentro do segmento de telefonia móvel. Mas o tempo mostrou que tudo isso foi apenas um discurso para “se vender” logo de cara, com um forte tom de falsas promessas no presente.
A atuação da BBK Electronics adiciona complicações à equação, especialmente na tentativa de evitar a competição interna com OPPO, Realme e Vivo. Essa preocupação ajuda a explicar escolhas controversas no OnePlus 15, como retrocessos em câmeras, tela e o sumiço do icônico botão deslizante, mesmo mantendo o preço elevado.
A comparação interna no grupo evidencia que a OPPO preserva mais avanços em fotografia e recursos de topo, enquanto a OnePlus parece ceder terreno. O fim da parceria com a Hasselblad no OnePlus 15 reforça a impressão de poda estratégica dentro do conglomerado.
Degradar os produtos da marca apenas por medo de perder público para outras marcas do grupo reforça ainda mais a fragilidade de visão da BBK Electronics com a marca. O que é uma pena, já que estamos diante de uma das iniciativas mais interessantes da telefonia móvel nos últimos 15 anos (pelo menos).
Irreconhecível!

O sentimento geral é de que a OnePlus se distanciou da imagem que a tornou relevante, abandonando traços que inspiravam entusiasmo entre os fãs de tecnologia, se transformando em um rascunho do que foi um dia.
No começo de 2025, escrevi um artigo neste blog questionando as posturas e decisões da OnePlus, e já enfatizando que a marca estava em um caminho perigoso, alertando para uma necessidade de reinvenção ou mudança de rota.
E tudo o que consigo ver neste momento é que o seu maior problema de momento, que é essa enorme crise de identidade, ainda está presente, deixando o seu futuro cada vez mais incerto com o passar do tempo.
A marca segue viva dentro do segmento de smartphones Android, mas sua identidade parece esmaecer diante de decisões que priorizam a harmonia corporativa, não o espírito original. E quando isso acontece com uma marca, ela tende a cair no desaparecimento.
Espero estar enganado, mas o histórico da telefonia móvel já viu esse filme antes.

