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O Windows 11 precisa de um “XP SP2”?

Definitivamente, o Windows 11 passa bem longe de ser uma unanimidade entre os usuários e profissionais de tecnologia, e sua popularidade não é das mais altas entre os sistemas operacionais da Microsoft. E não são poucos os manifestos advogando contra a versão.

Fato é que a discussão sobre o futuro do Windows 11 ganha contornos mais interessantes quando um dos envolvidos é um “pai da matéria”, apresentando uma perspectiva diferente sobre as formas de tentar salvar a versão junto ao grande público.

Dave W. Plummer, um desenvolvedor histórico da Microsoft e criador do Gerenciador de Tarefas, fez uma crítica contundente ao Windows 11, afirmando que o sistema precisa de um “momento XP Service Pack 2”.

Ele se refere ao período do Windows XP em que a Microsoft parou de adicionar novos recursos para focar na correção de falhas e segurança, uma abordagem que ele acredita ser necessária para o Windows 11 hoje. Plummer alerta contra a corrida atual por integrar tecnologias como inteligência artificial, que muitas vezes sacrificam a estabilidade do sistema.

 

Histórico do Windows XP SP2

O Windows XP não começou estável, enfrentando problemas graves, especialmente de segurança, que afetaram milhões de usuários globalmente. O surgimento do malware Blaster, que explorava vulnerabilidades no sistema, causou danos enormes e forçou uma mudança radical na abordagem da Microsoft. A empresa interrompeu a inclusão de novos recursos durante meses para concentrar seus esforços em corrigir bugs e fortalecer a segurança do sistema.

Em termos práticos: a Microsoft foi obrigada a pausar o desenvolvimento e focar em consertar bugs antes de avançar. Plummer vê paralelos claros entre essa situação e os desafios atuais do Windows 11, que sofre com lentidão, instabilidade e críticas por priorizar recursos estéticos ou avançados em vez da eficiência e segurança.

O lançamento do Service Pack 2 (SP2) em 2004 representou um marco, trazendo melhorias essenciais que estabilizaram o sistema e reduziram suas vulnerabilidades. Foi mais uma atualização de resgate do que uma evolução, substituindo características problemáticas por ajustes focados em desempenho e proteção, resgatando a confiança dos usuários no Windows XP.

Esse modelo de priorizar estabilidade e segurança antes de adicionar funcionalidades é o que Plummer deseja ver aplicado no Windows 11 hoje, enfatizando que um sistema confiável é a base para inovação sustentável.

 

Problemas atuais do Windows 11

O Windows 11 tem sido alvo de críticas por sua instabilidade e problemas de desempenho, sobretudo após atualizações recentes que causaram lentidão no Explorador de Arquivos, travamentos do menu iniciar, congelamento da barra de tarefas e problemas na execução de jogos. Usuários e especialistas alertam que algumas soluções da Microsoft, como pré-carregar processos na RAM, são paliativos que consomem recursos em vez de corrigir o problema na raiz.

Além disso, a crescente incorporação de funções baseadas em inteligência artificial é vista por alguns como uma distração que não agrega valor significativo à experiência do usuário. O presidente da divisão Windows, Pavan Davuluri, reconheceu publicamente que a Microsoft precisa focar na melhoria da experiência do Windows 11, especialmente em questões básicas de confiabilidade e usabilidade.

Essa situação reforça o argumento de Plummer para que a Microsoft interrompa o ritmo acelerado de inclusão de novas funcionalidades e invista na estabilização e otimização do sistema, tal como fez com o Windows XP durante o SP2.

 

A proposta do “momento XP SP2” para o Windows 11

Com a palavra, Dave Plummer:

Está na hora de a Microsoft ter outro momento XPSP2. Nada de IA, nada de novos recursos. Apenas correções.

Quando eu trabalhava no Windows XP, o [malware] Blaster surgiu. Foi um problema tão grande que deixamos de lado todo o trabalho de desenvolvimento de recursos.

Durante os meses seguintes, tudo o que fizemos foi aprimorar a segurança. Não adicionamos “recursos de segurança”; nós corrigimos bugs. Muitos bugs. Até que não houvesse mais bugs de segurança para corrigir.

Então, corrigimos aqueles que ainda não conhecíamos.

Resumindo, paramos de tentar “agregar valor” ao produto [Windows XP] por meio de recursos que gerentes achavam que os usuários gostariam de ter e, em vez disso, nos concentramos nos aspectos que eram importantes há mais tempo, mas que foram negligenciados.

Como desempenho e configurabilidade atualmente [no Windows 11].

Em vez de tentar aprimorar e agregar valor ao sistema por meio de novos recursos de IA — agora —, acredito que é hora de a Microsoft estabilizar, aprimorar e tornar o sistema mais eficiente. E mais usável para usuários avançados.

Apenas durante um lançamento. Só até isso deixar de ser ruim.

Dave W. Plummer

 

Por partes.

Dave Plummer defende que a Microsoft pause o desenvolvimento de novos recursos para focar exclusivamente em corrigir bugs, melhorar o desempenho e fortalecer a segurança do Windows 11. Ele sugere que, por um tempo limitado, seja feita uma pausa na “corrida para agregar valor” e, em vez disso, trabalhe-se nas bases do sistema para garantir que ele seja confiável e eficiente.

Essa abordagem implicaria deixar de lado as iniciativas de inteligência artificial e qualquer recurso adicional que não tenha impacto direto na estabilidade e na experiência do usuário. É uma chamada para um reposicionamento estratégico, priorizando a usabilidade e a performance, que deve ser feita antes que o sistema seja “funcional e confiável para todos os níveis de usuários”, incluindo os avançados.

Com base em sua experiência no desenvolvimento do Windows XP, Plummer acredita que essa estratégia é não apenas possível, mas necessária para que o Windows 11 recupere a confiança do público e permita um desenvolvimento sustentável no futuro.

 

Reações e contexto atual

A crítica de Dave Plummer recebeu muita repercussão e apoio da comunidade de usuários e especialistas, que compartilham da visão de que o Windows 11 carece de estabilidade e melhorias fundamentais. Figuras renomadas da indústria de tecnologia também criticaram medidas paliativas adotadas pela Microsoft, como o consumo excessivo de recursos para mascarar deficiências do sistema.

A Microsoft está ciente desses problemas e vem tentando responder com atualizações, embora as soluções até agora não tenham sido totalmente satisfatórias para muitos usuários. A situação lembra o cenário enfrentado pela Microsoft nos tempos do Windows XP, reforçando a validade do apelo de Plummer ao “momento XP SP2”.

Esses debates indicam que o mercado e a base de usuários exigem um sistema confiável e que o equilíbrio entre inovação tecnológica e estabilidade deve ser repensado para atender melhor às necessidades reais dos usuários.