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Eu virei um adepto do leitor de livros eletrônicos, mas em 2020 ampliei a minha coleção de livros de papel. Não vou excluir a tradicional experiência de leitura por causa dos e-readers, mas sempre vou usar a tecnologia para deixar a minha leitura mais prática. Porém, devo reconhecer que dispositivos como o Kindle não são tão ecologicamente sustentáveis quanto parecem, já que papel podem ser reciclados com maior facilidade, passam de mão em mão e não sofrem de obsolescência programada.

Você sabia que imprimir um livro de capa dura de 300 páginas libera o equivalente a 1.2 kg de dióxido de carbono (CO2), que é o mesmo que contamina um computador que realiza 115 buscas rápidas na internet ou duas horas usando o Google?

Pois é, rapaz… nem eu!

Ou seja, usar o computador por 8 horas por dia contamina o mesmo que a fabricação de quatro livros.

Mas calcular números é pouco diante de toda a tragédia ambiental que testemunhamos em 2020 e ainda estamos constatando. E, nesse caso, a energia elétrica pode ser a grande vilã, tanto no processo de fabricação de livros como no uso de eletrônicos.

 

 

 

O quanto pode poluir um leitor de livros eletrônicos?

 

 

Um e-reader pode gerar cerca de 2.690 kg de CO2. E é preciso ler muitos livros eletrônicos por ano para compensar essa poluição. E mesmo que o dispositivo funcione com você por dez anos (algo pouco provável por causa da obsolescência programada) essa conta não iria fechar.

Pode parecer um assunto meio chato, mas é preciso ficar de olho nisso também, pois nosso planeta está entrando em colapso. E, na prática, pouca gente sabe que o sistema de impressão tem impactos menores que o sistema digital em várias áreas do nosso ecossistema, como a contaminação da água doce, esgotamento de metais e a contaminação das águas do mar.

Por outro lado, o sistema digital tem impactos mais baixos na mudança climática, diminuição da camada de ozônio, toxidade humana, ocupação das áreas urbanas, transformação natural de terras e esgotamento da água, entre outros recursos.

Porém, o ponto comum de preocupação dos especialistas está nas atividades relacionadas com a eletricidade e mineração de carvão, que receberam papel de destaque nos dois sistemas (fabricação de livros e dispositivos eletrônicos de leitura), o que afetou o meio ambiente e a demanda energética de produtos e serviços na África do Sul, por exemplo.

Olhando para os aspectos ambientais da questão, os livros impressos são menos agressivos que os livros eletrônicos em quase todas as categorias de impacto, o que aumenta a necessidade de manter as bibliotecas abastecidas de livros para reduzir esse impacto.

Saiba também que ler notícias online por 30 minutos emite 20% a mais de CO2 do que ler um jornal impresso, e que o impacto sobre o aquecimento global do consumo de conteúdo impresso é quase dez vezes menor que o uso da correspondente documentação eletrônica.

Ou seja, temos uma resposta ambivalente, que depende dos fatores que vamos atender. Mas tudo indica que ler livros eletrônicos pode contaminar mais o meio ambiente.

Mas isso quer dizer que você precisa jogar o seu Kindle fora? É claro que não (mas se for um Kindle Paperwhite, por favor, jogue fora aqui em casa). Mas vale a pena usar a leitura digital e a impressa de forma equilibrada, para que o nosso sistema também fique mais equilibrado.

Tudo é uma questão de bom senso e moderação.

 

 

Via Anthropocene


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