Compartilhe

A pregunta de 1 bilhão de usuários (ou de milhões de dados vazados nos últimos anos) é: afinal de contas, onde Mark Zuckerberg quer chegar quando diz para quem quiser ouvir na conferência de desenvolvedores F8 a frase “o futuro é privado”?

Ninguém é trouxa. Bom, quem acredita em fake news enviada pelo Facebook, além de inocente, é trouxa sim. Mas isso não está em discussão nesse post. Fato é que a grande maioria das pessoas sabe muito bem como o Facebook quer, de forma quase desesperada, dar uma volta de 108 na péssima reputação que a rede social construiu nos últimos anos com os escândalos envolvendo as falhas (vou chamar assim, mas tem muita gente que entende que é algo pior) nos temas que envolvem a privacidade dos dados de seus usuários.

Na verdade, desde que o Facebook existe, o problema da falta de privacidade dos usuários assombra a rede social. A diferença é que, nos últimos anos, esses problemas ficaram latentes, evidentes e palpáveis (em termos metafóricos e literais, em alguns casos).

 

 

Como Zuckerberg quer mudar isso?

 

 

Mark Zuckerberg abordou vários pontos durante a sua fala na F8 que mostram como é a sua visão para contornar a crise que o próprio Facebook criou. Por exemplo, interações privadas, encriptação de dados, redução da permanência na plataforma e dados mais seguros.

Tudo isso é muito bonito no papel. Mas nesse momento são apenas promessas. E o histórico mostra que não dá para confiar muito em promessas do menino Zuck. Por diversas vezes a rede social mostrou que não consegue tratar os dados dos usuários da melhor maneira, ainda mais quando o destino final desses dados eram as empresas de publicidade. E isso, sem o nosso conhecimento.

Aliás, demorou demais para encriptar as mensagens enviadas. Pense em quanto tempo o Facebook leu as nossas conversas, obtendo informações que são relevantes para uma melhor publicidade direcionada. Se bem que, no meu mundo, isso se chama violação de privacidade.

E não é só nas conversas privadas. Basicamente tudo o que você faz no Facebook é monitorado para que você veja o ‘melhor’ anúncio, e por mais que todo mundo concorde com os termos de uso, chega a ser um abuso de autoridade essa coleta de dados de forma voraz (algo que o Google também faz, diga-se de passagem).

E é importante lembrar que um dos principais objetivos do Facebook é que os usuaários do WhatsApp, Messenger e Instagram possam realizar a comunicação entre as plataformas, independente da plataforma. Tudo bem, fica mais fácil se comunicar com os seus amigos, mas também fica mais fácil para a rede social controlar essas comunicações e, eventualmente, saber o que está rolando nessas conversas.

O futuro até pode ser privado, mas acho que vai além do que simplesmente ocultar o número de likes no Instagram ou quebrar as barreiras entre as plataformas. Mark Zuckerberg precisa entender que o mais importante agora é oferecer aos seus usuários a garantia que os seus dados estão protegidos, e que nada vai sair de forma imprevista.

Para mim, o futuro é privado sim. Desde que os seus dados não caiam nas mãos erradas.

Certo, Zuckerberg?


Compartilhe