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A mão é uma parte fundamental do seu corpo para interagir com o que estão ao seu redor, e não é por acaso que o seu polegar é o único dedo que pode se opor. Isso permite que você agarre objetos, o que permitiu basicamente que o ser humano dominasse o mundo. Isso, e a consciência em como utilizar o movimento de agarre.

Porém, os polegares opositores também permitem o movimento de pinça para digitação nas telas, e essa interação passou a fazer parte da evolução humana, além da capacidade de plantar e colher alimentos, construir ferramentas e manipular diferentes materiais.

Pois bem, os millenniais contam com uma habilidade especial em relação aos chamados Baby Boomers em digitar com os dois polegares opositores em telas de smartphones. Uma habilidade que pode ser complexa para os mais velhos, mas muito fácil de ser incorporada pelos mais jovens, que nasceram e cresceram com os smartphones nas mãos.

Porém, toda evolução tem as suas consequências ou efeitos colaterais. E, nesse caso, temos os registros dos primeiros casos de doenças e deformidades pelo uso excessivo dos teclados virtuais, principalmente com o WhatsApp: a WhatsAppitis.

 

 

 

O que diabos é a WhatsAppitis?

 

 

Nada mais é do que mais um processo da evolução biológica humana, mas em formato de problema que só agora está aparecendo porque as pessoas estão utilizando demais o WhatsApp em suas vidas.

A WhatsAppitis é o resultado de mais uma adaptação músculo-esqueléticas no polegar em função das atividades que realizamos todos os dias e das necessidades ocupacionais rotineiras. Sem me alongar muito no assunto, a realização de movimentos repetitivos do polegar para a digitação no smartphone está diretamente relacionado com a aparição de determinados patologias pelo excesso de uso do dispositivo.

Para ser ainda mais específico: é o mesmo que a aparição da tendinite no polegar por conta de longas horas de digitação, programação ou jogos no computador. Nesse caso, é uma espécie de tendinite que está afetando os polegares das pessoas, e ela responde pelo nome de WhatsAppitis.

Alguns estudos realizados na Espanha, Itália e Estados Unidos concluíram que a mudança na atividade e uso do polegar, principalmente junto aos usuários mais jovens (aqueles mais íntimos com a tecnologia) poderia provocar a aparição de dores e patologias na base do dedo polegar que não eram próprias de aparecer entre os mais jovens.

Tais problemas podem estar relacionados (entre outras coisas) com o uso contínuo do smartphone, dos videogames ou das telas sensíveis ao toque, além da falta de manipulação e atividades de destreza nas idades mais precoces podem resultar nos problemas físicos que estão aparecendo agora.

E some tudo isso ao fato que estamos cada vez menos escrevendo à mão, a ponto de utilizarmos com menor frequência o polegar, ou que forcem a mudança da forma em como utilizamos para transformar a nossa musculatura. Eu sou uma prova viva disso: minha caligrafia está péssima, e tenho muitas dificuldades em escrever com uma caneta em um papel.

O nosso cérebro mudou conforme adaptamos o uso de nossas mãos para realizar funções diferentes. E a pergunta que fica sem resposta nesse momento é: a longo prazo, as mudanças que o polegar está experimentando pelo uso contínuo dos dispositivos móveis deixará uma marca tão profunda no ser humano?

Só o tempo vai dizer.

 

 

Via The Lancet


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