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O quão difícil é reparar o Nintendo Switch 2?

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Então…

Você paga caro pelo novo console híbrido da Nintendo, paga mais caro ainda pelos jogos, e percebe que será obrigado a ter todo o cuidado do mundo para não ter que mandar o produto para a assistência técnica.

O Nintendo Switch 2 passou pelo trabalho de desmontagem mais do que competente da iFixit, que revelou que o console é muito difícil de ser reparado por conta própria, ligando o sinal de alerta nos futuros compradores sobre os possíveis problemas de manutenção do produto no futuro.

Vamos entender melhor quais foram os detalhes encontrados pela iFixit, pois dessa forma você já fica sabendo o que está por vir na sua vida, caso o seu futuro Switch 2 apresente algum tipo de problema passível de reparo de bancada.

 

Problemas estruturais persistentes

A análise detalhada da Nintendo Switch 2 realizada pela iFixit revela que o novo console da empresa japonesa mantém os problemas de reparabilidade presentes no Switch original.

A desmontagem oficial da iFixit atribuiu uma pontuação de apenas 3 de 10 pontos para a reparabilidade do dispositivo, indicando que a maioria dos usuários deve evitar tentativas de reparo próprio.

Oito anos após o lançamento do Switch original, a Nintendo finalmente entregou uma verdadeira atualização de hardware com chip mais rápido, tela melhor e armazenamento UFS 3.1 de 256 GB.

No entanto, quando se trata de sustentabilidade e facilidade de manutenção, o Switch 2 reproduz os mesmos defeitos estruturais que tornaram seu predecessor problemático para reparos.

 

Joy-Cons mantém tecnologia propensa ao drift

O problema mais crítico identificado pelos especialistas da iFixit está relacionado ao controles Joy-Con.

Os joysticks do Switch 2 continuam utilizando potenciômetros para ler a voltagem, tecnologia que se desgasta com o tempo e acumula sujeira, causando o temido “drift”.

Pesquisas anteriores indicaram que 40% dos proprietários do Switch original sofreram alguma forma de drift nos controles.

A Nintendo havia confirmado anteriormente que não utilizaria sensores Hall effect nos novos controles, justificando a decisão pelo mecanismo magnético de fixação que interferiria com os ímãs dos sensores.

A empresa também não optou pela tecnologia TMR (Tunneling Magnetoresistance), que seria menos suscetível à interferência magnética.

O processo de abertura dos Joy-Cons apresenta complexidades adicionais. Dois parafusos tri-point são visíveis externamente, mas outros dois ficam escondidos atrás de uma nervura plástica colada.

A bateria dos controles também está fixada com adesivo, exigindo álcool isopropílico e ferramentas específicas para remoção.

 

Console principal com barreiras contra reparação

O console principal do Switch 2 incorpora várias medidas que dificultam os reparos por conta própria, diminuindo ainda mais a nota na análise da iFixit.

Adesivos anti-violação estão estrategicamente posicionados sobre parafusos essenciais, e removê-los sem danos requer ferramentas de precisão e aplicação de calor. Esses adesivos servem como indicadores visuais de que o dispositivo foi aberto anteriormente.

A rigidez destes adesivos significa que qualquer dobra, vinco ou marca pequena aparece de forma proeminente, facilitando a identificação de tentativas de reparo.

A Nintendo provavelmente utilizará estes indicadores para determinar se a garantia foi violada, embora tal prática seja questionável legalmente em muitas jurisdições.

 

Bateria com a mesma dificuldade de remoção

A bateria do Switch 2 apresenta capacidade aumentada para 19,74 Wh, comparada aos 15,95 Wh do modelo original. E aqui acabam as boas notícias.

Paradoxalmente, o tempo de operação oficial é menor: apenas 2 a 6,5 horas de gameplay, contra 4,5 a 9 horas dos modelos anteriores.

A redução deve-se à tela de 120 Hz e aos componentes internos mais potentes, incluindo um novo SoC Nvidia Tegra customizado.

A remoção da bateria continua sendo um processo árduo, exigindo um conjunto completo de ferramentas e quantidades generosas de álcool isopropílico.

O processo é tão agressivo, que a espuma fixada à bateria não sobrevive à remoção, indicando que reparos múltiplos podem ser impraticáveis.

 

Componentes críticos soldados diretamente

Uma das principais críticas dos especialistas refere-se à decisão da Nintendo de soldar componentes críticos diretamente à placa principal.

O leitor de cartões de jogo, que era substituível nos modelos Switch original e OLED, agora está soldado permanentemente. As duas portas USB-C de carregamento também estão soldadas, assim como nos modelos anteriores.

Tanto as portas USB-C quanto o slot do módulo de jogo estão soldados à placa principal, tornando quase impossível para usuários finais reparar ou substituir estes componentes.

Ou seja, falhas simples na manutenção podem resultar na necessidade de substituição completa da placa principal, encarecendo drasticamente os reparos.

 

Tela com proteção não removível

A tela LCD de 7,9 polegadas com resolução 1080p, HDR e taxa de atualização de 120 Hz incorpora uma película plástica anti-estilhaçamento que a Nintendo adverte não deve ser removida.

Testes independentes demonstraram que esta película risca facilmente, e sua remoção pode comprometer a integridade estrutural da tela.

Aqui, os usuários contam com um novo dilema para lidar no seu dia a dia com o Switch 2.

Ou mantém a película e aceita os riscos visíveis ao longo do tempo, ou remove o material da tela e potencialmente compromete a proteção do dispositivo.

Se a Nintendo não oferecer películas de substituição, este pode se tornar um problema contínuo para o Switch 2.

Mas posso até imaginar a Nintendo oferecendo películas de substituição… que só pode ser trocada nas assistências técnicas autorizadas ou oficiais, maximizando os lucros na estratégia da fidelização a longo prazo.

E… por falar em suporte oficial…

 

Ausência de suporte oficial para reparos

A Nintendo não disponibilizou peças de reposição ou manuais de reparo para o Switch 2, seguindo o mesmo padrão dos modelos anteriores.

A política corporativa limita as opções de reparo independente e pode constituir violação de leis de direito ao reparo em algumas jurisdições.

Outro problema é que a Nintendo ainda não oferece peças sobressalentes, forçando técnicos e usuários a depender do mercado paralelo ou de peças recuperadas de dispositivos danificados.

 

Dock com design complexo

O novo dock, que externamente parece um hub USB-C simples, revelou-se uma estrutura muito complexa de plásticos aparafusados.

A porta USB-C é suspensa por molas, garantindo conexão precisa e mitigando riscos de quebra se o console for inserido incorretamente.

Essa complexidade inesperada do dock contrasta com a aparente simplicidade externa, demonstrando que a Nintendo investiu em engenharia sofisticada para alguns componentes enquanto negligenciou a reparabilidade geral do sistema.

 

Tem alguma coisa de bom?

Alguns componentes do Switch 2 apresentam modularidade adequada, o que não deixa de ser uma boa notícia no meio de tantas dificuldades.

O conector de fone de ouvido, leitor de cartão microSD Express, microfone e ventilador são todos modulares. Os alto-falantes possuem conectores JST e são acessíveis, enquanto a maioria dos botões está montada em placas de circuito independentes.

O ventilador é fixado com parafusos e grommets de borracha para reduzir ruído, facilitando sua substituição quando necessário.

Todos esses componentes podem ser removidos e substituídos com relativa facilmente, uma vez que o técnico tenha acesso ao interior do dispositivo.

 

Conselho de amigo (ou melhor, da iFixit)

A baixa pontuação de reparabilidade tem implicações diretas na sustentabilidade ambiental e nos custos de propriedade do dispositivo.

Baterias de íon-lítio geralmente podem ser carregadas cerca de 300-500 vezes antes que sua capacidade seja reduzida a 80% da original. Com a dificuldade de substituição, usuários podem ser forçados a descartar dispositivos funcionais devido à degradação da bateria.

A iFixit recomendou que a maioria das pessoas deve evitar tentar consertar o Switch 2, a menos que tenham experiência no assunto, o que aumenta a dependência de serviços técnicos especializados e elevando os custos de manutenção para a maioria dos usuários.

A pontuação de 3 de 10 significa que a iFixit recomenda que usuários adquiram experiência antes de tentar reparos no Switch 2. Após lutar com montanhas de cola e itens soldados, a organização atribuiu uma pontuação de reparo de apenas 30%.

O Switch 2 traz uma série de atualizações de especificações com as mesmas armadilhas de reparo antigas, o que é péssimo de qualquer forma.

A persistência destes problemas estruturais oito anos após o lançamento do modelo original indica que a Nintendo não priorizou a reparabilidade no desenvolvimento do novo console.

Para os consumidores, esta análise sugere a importância de investir em proteção adequada para o dispositivo e considerar extensões de garantia, dado que reparos independentes apresentam riscos significativos e complexidade técnica elevada.

No final, você pode ter um peso de papel inútil nas mãos, dependendo do problema que o Switch 2 pode ter, ou até mesmo do seu nível de desconhecimento sobre a manutenção do produto.

 

Via iFixit, Engadget, Notebook Check, PC Gamer


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