
Estamos genuinamente cansados da internet atual.
Aquela antiga rede mundial de computadores, que antes era menos tóxica e mais sinestésica (já que a maioria das pessoas conseguia se conectar com algo mais efêmero que os likes e as dancinhas do TikTok) desapareceu. E muitos se lamentam por isso.
A forma que aquelas pessoas que estão saturadas de publicidade e algoritmos que só programam a todos para o engajamento e retenção foi a saída silenciosa para outras plataformas que tentam resgatar a essência da internet.
As iniciativas e projetos que apareceram na internet recentemente materializam esse movimento de volta ao passado, que não necessariamente é um manifesto de nostalgia.
Por que voltar à internet dos anos 2000?
Quando você vê alguém criando um perfil no SpaceHey – um clone praticamente idêntico ao antigo MySpace – é fácil pensar que se trata apenas de nostalgia barata. Afinal, por que voltar a um site dos anos 2000 quando você tem acesso a plataformas muito mais modernas e refinadas?
A resposta está em algo muito mais profundo do que simples saudade do passado. Trata-se de um ato de resistência digital, um gesto silencioso que diz: “Eu quero meu espaço de volta. Quero controle sobre meu próprio canto da internet.”
Não é sobre usar HTML amador ou avatares piscando, mas sim sobre recuperar a autonomia que perdemos. Não pense em retrocesso tecnológico, mas sim em uma tentativa de voltar ao lugar onde o poder de escolha era do internauta.
Mesmo porque não estamos abandonado o novo por completo. Querermos os recursos tecnológicos do presente e, ao mesmo tempo, a experiência que fez com que a maioria de nós se envolvesse de verdade na internet.
Se bem que não são poucos os internautas que estão comprando computadores do passado para reviver essa tal experiência na íntegra, inclusive com os aplicativos e navegadores web que eram mais leves, rápidos e funcionais.
Mundos completamente diferentes
Considere o contraste entre as duas épocas.
Na internet dos anos 2000, abrir o navegador era quase uma aventura. Você encontrava blogs pessoais com designs completamente únicos, alguns horríveis, alguns geniais, todos genuinamente criativos.
GeoCities e Blogger permitiam que qualquer pessoa construísse seu próprio espaço sem pedir permissão a ninguém. Se você quisesse música tocando automaticamente no seu perfil ou um fundo com padrão estranho, ninguém ia te impedir – e exatamente por isso é que cada site parecia diferente dos outros.
Agora, entre no Instagram e você vê o mesmo layout repetido milhões de vezes.
A “eficiência” que as grandes plataformas prometeram eliminou justamente aquilo que tornava a internet interessante: a diversidade sem planejamento.
Em busca do que se perdeu
O retorno a essas plataformas antigas, portanto, não é nostalgia cega. É um reconhecimento de que algo importante foi perdido no caminho.
As pessoas estão votando com seus cliques, mesmo que o voto seja pequeno e silencioso. Estão dizendo que preferem uma internet desorganizada, cheia de surpresas e imperfeições, mas genuína, do que uma internet polida e homogênea que os trata como dados a serem explorados.
Alguns chamam isso que testemunhamos hoje na internet de “enshittification” – a degradação gradual de plataformas que começaram promissoras, mas que, uma vez que prenderam você, pioraram sistematicamente o produto para maximizar lucros.
A fuga para o passado é uma rejeição consciente a esse modelo de negócios predatório. E as plataformas atuais precisam ficar atentas a isso.
