
Tá. A Huawei lançou um smartphone com tela tripla no Brasil que custa R$ 33 mil.
E lançou um segundo telefone com tela dupla por aqui com preço de R$ 23 mil.
Antes, sua submarca Honor lançou outro dobrável com tela dupla por R$ 20 mil.
Nós concordamos que são preços simplesmente obscenos e completamente fora da realidade da grande maioria dos brasileiros.
E eu realmente duvido que esses dispositivos serão de interesse daqueles que podem pagar bem menos por um iPhone aqui no Brasil (ou na viagem para o exterior).
Mas o grande problema desses telefones da Huawei e da Honor não é só o fato de ambos custarem uma pequena fortuna.
O buraco é sempre mais embaixo.
Eles valem o quanto custam?

É difícil mensurar o valor de alguma coisa. O que vale muito para quem fez pode não valer nada para nós.
Neste caso, a Huawei está cobrando pelo fator inovação.
É claro que tanto o Huawei Mate XT Design quanto o Huawei Mate X6 contam com um valor agregado por um único fator: o design diferenciado de telefone dobrável, principalmente no caso do telefone com dobra tripla.
E até mesmo lá fora eles são telefones com preços acima da média do mercado, e pelo mesmo motivo: contam com um design diferenciado.
Indústria e desenvolvimento custam caro no mundo da tecnologia, e isso acaba impactando no valor de qualquer produto.
Ou seja, a Huawei está na dela em cobrar esse valor pelos seus smartphones.
Sem falar que esses produtos não serão fabricados no Brasil em um primeiro momento. Todos os telefones mencionados serão importados (e isso pode mudar no futuro).
A teoria da inovação impactando no preço mais ou menos se confirma quando olhamos para os preços dos demais produtos apresentados pela Huawei no Brasil.
Tanto os relógios inteligentes quanto o roteador Mesh contam com valores minimamente tangíveis, mesmo com o Watch 5 podendo custar até R$ 6 mil.
Onde está o verdadeiro problema?

Com a Huawei estabelecendo novos patamares de preços para os smartphones dobráveis, o caminho para que Samsung e Motorola comecem a elevar os preços dos seus produtos com as mesmas características de design está mais do que aberto.
E por mais que a dupla conte com vantagens logísticas e de fabricação em relação à Huawei, absolutamente nada impede que os preços dos seus dobráveis acabem subindo em função do que a nova concorrência está fazendo.
Sim… eu sei que você sabe dos fatores mencionados no artigo, pois você é audiência desse blog. Mas a maioria não sabe disso. E é isso o que importa para os fabricantes.
A percepção de valor também se aplica ao fato de ser um produto diferenciado, com design exclusivo e que envolve toda uma complexidade de fabricação.
Poucos vão olhar para os detalhes como “produto importado, que acabou de chegar ao mercado, ultrafino, com processador de ponta…”.
A maioria só vai pensar que “é mais caro porque é um smartphone dobrável”.
E essa é a desculpa perfeita para que toda a concorrência deixe os seus produtos dentro da mesma categoria mais caros.
Logo, não estranhe se o Galaxy Z Fold 7 receber um preço muito mais elevado no Brasil do que o modelo da geração anterior. Também não estranhe se a Motorola puxar um pouco mais no preço dos seus futuros telefones da série Razr.
Isso pode (ou melhor, deve) acontecer por causa da Huawei, que voltou para o Brasil e bagunçou tudo.
E nem mesmo a desculpa do “ele não foi feito para você, pobre” cola dessa vez.
Eu duvido que alguém com dinheiro infinito no Brasil vai pagar R$ 33 mil por um smartphone da Huawei.
Simples assim.
