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O preço do plano ainda manda no streaming

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O preço sempre mandou na relação de consumo do brasileiro com praticamente qualquer coisa. Nos produtos de tecnologia, estamos sempre defendendo a melhor relação custo-benefício, e nas plataformas de streaming, isso não é diferente.

Na batalha entre Netflix e Prime Video pela liderança do mercado nacional de streaming, o preço dos famigerados planos básico com anúncios se tornou um fator decisivo para a escolha entre um ou outro serviço.

Até porque cada uma das duas protagonistas tomou caminhos diametralmente opostos para suas estratégias de rentabilidade: a Netflix aumentou os valores, enquanto que o Prime Video criou um novo plano com anúncios (mais caro) e deixou a publicidade para a opção mais acessível.

Os dois caminhos estão deixando reflexos nas duas.

 

O cenário de momento

As recentes alterações nas políticas de preço das principais plataformas de streaming exercem influência determinante nas escolhas dos consumidores brasileiros, especialmente em um contexto econômico desafiador que o Brasil vive nos últimos 12 meses.

A Netflix, ao elevar o valor de seu plano mais acessível para R$20,90, ultrapassou a barreira psicológica dos R$20,00, situando-se agora em patamar superior ao Prime Video, cujo plano básico permanece em R$19,90.

Ainda é possível assinar a Netflix com valores (teoricamente) abaixo dos R$ 20 mensais, mas sempre condicionada à contratação de outros serviços de streaming, em pacotes ou bundles atrelados aos serviços de TV por assinatura e internet.

A diferença de preço entre Netflix e Prime Video, embora aparentemente pequena em valores absolutos, adquire relevância significativa na percepção de custo-benefício, particularmente para famílias que mantém múltiplas assinaturas simultaneamente.

 

Plano básico com anúncios: o novo padrão

A introdução de anúncios nos planos básicos representa outra transformação fundamental no modelo de negócios do streaming, diluindo a fronteira que tradicionalmente separava estas plataformas da televisão convencional.

Tanto Netflix quanto Prime Video agora operam com sistemas híbridos, oferecendo experiências sem publicidade apenas para assinantes de planos premium, se aproximando do modelo de negócio da TV por assinatura tradicional, e quebrando uma promessa que essas plataformas fizeram no passado.

A ideia do streaming (ou pelo menos o discurso que era vendido) era não colocar a publicidade nos planos, e que o serviço não teria as interrupções com os anúncios. Hoje, todos os principais serviços de streaming (com exceção do Apple TV+) contam com essa prática que, no final das contas, foi normalizada à força pelos usuários.

Para muitos, ou é o plano com anúncios, ou nada. Os planos sem publicidade ficaram caros demais, e perderam benefícios relevantes com o passar do tempo. O principal deles é a degradação da qualidade de imagem, que saiu do 4K para o 1080p em várias plataformas.

Todas essas mudanças refletem a crescente pressão por rentabilidade que as empresas enfrentam globalmente, após anos priorizando crescimento e expansão de base de usuários em detrimento de lucratividade imediata.

E quando a conta para de fechar, quem tem que pagar por isso é o consumidor. E paga bem mais caro para receber menos, na maioria dos casos.

 

A reação do consumidor brasileiro

Os dados do JustWatch sugerem que consumidores brasileiros demonstram sensibilidade considerável às alterações de preço, com plataformas que mantiveram valores mais acessíveis apresentando tendências de crescimento mais robustas.

Foi mais ou menos o caso do Prime Video, que agora ameaça a liderança da Netflix. E, mesmo assim, é um serviço que está degradado, o que faz com que você pague A MAIS para ter um serviço que, em termos práticos, é pior.

Ninguém gosta de publicidade em lugar nenhum, e isso é fato. Caso contrário, você não acessaria a este artigo sem um AdBlock instalado no seu navegador.

Então, quando uma plataforma de streaming coloca publicidade durante os filmes e séries e reduz a qualidade de imagem, temos aqui a degradação do serviço, apenas para otimizar a relação custo-benefício para a própria plataforma…

…apenas e tão somente para maximizar sues lucros.

A fragmentação crescente do mercado, com múltiplas opções disponíveis, intensifica a competição por cada real do orçamento familiar destinado ao entretenimento.

A dinâmica favorece as plataformas que conseguem demonstrar valor superior, seja através de preços competitivos, catálogos diferenciados ou benefícios adicionais que transcendam o simples acesso a conteúdo audiovisual.

E até que me prove o contrário, a Amazon olha para o Prime Video como “mais um serviço” dentro do seu principal negócio (o e-commerce). Já para a Netflix, o streaming é o principal serviço.

E é por isso que as duas olham para a dinâmica de preços com visões bem diferentes.


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