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O iPhone que ninguém quer copiar

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Todo mundo sabe que, historicamente, os fabricantes chineses de tecnologia “se inspiram muito” nos produtos lançados no mercado ocidental, algo que se estabeleceu por conta dos mais diferentes fatores. Bloqueios comerciais, restrição cultural e impactos econômicos estão na lista dos argumentos para justificar as cópias.

Os fabricantes chineses historicamente observam a Apple para definir caminhos de design e funcionalidades, influenciando tendências em todo o setor mobile. Algo mais do que natural, já que todo mundo vai seguir a marca de referência para entregar ao grande público design e experiência de uso similares.

No entanto, o iPhone Air se tornou uma exceção notável, já que nem mesmo as marcas que costumam seguir os passos da empresa demonstraram interesse em replicá-lo.

O que diabos está acontecendo neste caso?

 

Ninguém quer copiar o iPhone Air

O aparelho, apesar de seu apelo visual marcante, não conquistou nem o público fiel da Apple, deixando claro que sua recepção junto ao consumidor premium foi fria. Esse distanciamento dos consumidores ajuda a explicar por que o modelo não estimulou movimentos de imitação entre concorrentes.

A própria Apple deu sinais de que o iPhone Air foi um esquecido no churrasco da telefonia móvel, reduzindo a produção do modelo atual para evitar perdas financeiras. E os rumores sobre um possível adiamento ou cancelamento do iPhone Air 2 só alimenta a nuvem de rumores sobre o tema.

Fontes da cadeia de suprimentos afirmam que gigantes como Xiaomi, Huawei, Oppo e Vivo interromperam projetos de clones ultrafinos inspirados no Air. Essas empresas, que historicamente absorvem referências de design da Apple, decidiram recuar ao perceber que o conceito não gera tração comercial.

 

Sacrifícios que não fazem o menor sentido

A lógica é simples: se o produto original não vende, copiar seu formato também não faz sentido estratégico. O mercado mobile costuma reagir rapidamente a evidências de demanda, e o desempenho fraco do Air funcionou como alerta para toda a indústria.

É de se questionar a sério de onde fabricantes como Apple e Samsung tiraram a informação de que os usuários gostariam de ter smartphones ultrafinos e, no caso dos dois modelos, com baterias que não entregam longa autonomia de uso.

Pesquisas recentes mostram que os usuários não desejam mais celulares extremamente finos quando isso significa reduzir bateria e capacidade fotográfica. É o tipo de compromisso já não encontra espaço em um momento em que autonomia e robustez são prioridades claras do consumidor.

De fato, o sacrifício nesses dois aspectos não faz qualquer tipo de sentido no mundo prático atual.

A maioria dos usuários coloca a capacidade fotográfica como um dos principais fatores para investir o suado dinheiro em um smartphone. E aí, vem Apple e Samsung reduzindo o número de sensores em nome de um telefone ultrafino?

É… não é bem isso o que os usuários desejam…

E no caso das baterias, tanto Apple quanto Samsung não estão trabalhando com a tecnologia emergente mais promissora de momento, que é a de silício-carbono. Ao mesmo tempo, fabricantes chineses estão explorando este aspecto para impulsionar as vendas dos seus lançamentos.

Resultado: muitos vão preferir a potência, o design e a autonomia de modelos que entregam muito, mas cobrando muito menos que Apple e Samsung.

 

Uma experiência de uso prejudicada

O iPhone Air até atrai olhares nas lojas e é um dispositivo esteticamente elogiado, mas seu uso diário expõe limitações que afastam compradores. O resultado é um aparelho bonito de observar, mas pouco prático para a rotina moderna.

O feedback de quem comprou o iPhone Air deixa este aspecto de usabilidade no cotidiano mais evidente, com usuários relatando dificuldades na empunhadura do aparelho e na praticidade de manuseio em cenários específicos.

Os fabricantes chineses então perceberam que o interesse global no Air é muito inferior ao que se previa e, por isso, desaceleraram ou reiniciaram seus projetos. A mudança envolve atrasos, ajustes profundos e uma revisão completa das estratégias de lançamento.

Na prática, dá para dizer que o iPhone Air foi um experimento (bem caro) da própria Apple, para testar como seria a adesão de um produto como esse, provavelmente preparando para um eventual lançamento de um iPhone com tela dobrável.

Mas também é correto afirmar que a impressão que fica é que um iPhone ultrafino parece mais um movimento de marketing (igualmente caro) do que uma aposta em uma real mudança de paradigma no design dos smartphones.

Bem sabemos que a indústria de telefonia móvel precisa se reinventar de tempos em tempos. Mas não faz muito tempo que passamos pela última grande transformação de design, representada pelos smartphones dobráveis, que hoje ocupam o topo da prateleira da telefonia em termos de preços.

Logo, introduzir uma nova proposta para tentar criar um segmento de produto não me parece um movimento tão lógico ou promissor. É um mercado que está bem definido com o que temos de cenário de momento.

 

Ninguém quer herdar os problemas do iPhone Air

Além da baixa demanda, há o problema estrutural: copiar o Air significaria herdar justamente suas fragilidades de bateria e durabilidade. Nenhuma empresa vê vantagem em lançar um modelo ultrafino com limitações físicas impossíveis de contornar com as tecnologias atuais.

É claro que os fabricantes chineses poderiam investir em melhorias estruturais e conceituais para entregar telefones ultrafinos potentes e com maior qualidade que o iPhone Air. Porém, isso significa também gastos que as próprias marcas já entenderam que são desnecessários, pois os usuários não desejam telefones com essas características de design neste momento.

O setor agora aguarda a evolução das baterias com ânodo 100% de silício, desenvolvidas na China, que podem reabrir a discussão sobre smartphones cada vez mais compactos. E acredito, de verdade, que telefones MENORES (e não ultrafinos) com boa autonomia de bateria é algo mais desejado por parte do público neste momento.

Até lá, a tendência é que o design ultrafino permaneça em segundo plano diante das exigências práticas dos consumidores. E, por tudo isso, a Apple não será tão copiada quanto foi no passado.

Não dessa vez. Podem simplesmente deixar o iPhone Air para lá.

 

Via Digitimes


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