
O que você pode comprar com R$ 20 mil?
A Honor lançou oficialmente no Brasil o Honor Magic V3, em parceria com a Qualcomm e operação local conduzida pela DL. O dobrável mais fino do mundo tem preço sugerido no Brasil de R$ 20 mil, tornando-se o smartphone mais caro disponível no mercado brasileiro atualmente.
Longe de mim dizer que o Magic V3 não vale esse preço. Porém, não dá para dizer também que este valor é algo tangível, nem mesmo para quem pode pegar. Como é que a Honor vai convencer o consumidor de que vale a pena comprar o seu produto no lugar de um Samsung Galaxy Z Fold da vida?
Haja poder de convencimento para uma marca que ainda está começando no mercado brasileiro.
O que o dobrável mais fino do mundo pode oferecer?

O Magic V3 possui especificações técnicas de ponta, incluindo processador Snapdragon 8 Gen 3 de 3,8 GHz octa-core, 12 GB de RAM com mais 12 GB virtualizados, 512 GB de armazenamento interno e bateria de silício-carbono de 5.150 mAh.
O dispositivo possui tela OLED dupla, sendo 7,92 polegadas quando totalmente aberto e 6,43 polegadas quando fechado, além de espessura de apenas 9,9 mm no formato fechado e certificação IPX8 contra água.
É um telefone que recebe recursos avançados de inteligência artificial, incluindo AI Eraser para remoção de elementos em fotos, AI Notes para organização inteligente de anotações, Motion Sensing Capture para captura de fotos em movimento e tradução simultânea em mais de 14 idiomas com reconhecimento facial.
Por que tão caro?

Eduardo Garcia, diretor comercial da DL/Honor, justifica os valores elevados argumentando que o consumidor brasileiro tem buscado investir mais em smartphones com tecnologia avançada, incluindo memória robusta, processadores de ponta e telas de qualidade para consumo de conteúdo e produtividade.
Acontece que o preço do Honor Magic V3 é, sem sombra de dúvida, algo completamente fora da realidade de qualquer brasileiro. Inclusive para quem possui a robustez financeira para comprar o smartphone.
De novo: quem está disposto a pagar no Brasil o preço de um iPhone 16 Pro Max, um MacBook Air e, com alguma sobra de grana, um Apple Watch básico?
Por mais incrível que seja um smartphone dobrável ultrafino, se o investimento é uma questão de status ou de funcionalidade prática, a escolha pode não ser exatamente o Honor Magic V3.
De qualquer forma, a estratégia da marca visa atender diferentes faixas de preço, oferecendo produtos desde R$ 1.400 até R$ 20 mil. E estão cumprindo com esse objetivo.
Podemos culpá-la por tentar?

A Honor tenta conquistar espaço no mercado brasileiro, tradicionalmente dominado por Motorola e Samsung, que juntas controlam aproximadamente 80% do segmento. A empresa aposta na diversificação do mercado e na demanda por dispositivos premium com tecnologias diferenciadas.
Mas no final das contas, o que manda ainda é o preço. Principalmente quando o seu produto não responde pelo nome iPhone.
O Honor Magic V3 é um smartphone excelente, sem sombra de dúvida. Ele é diferente, irreverente no design e ousado na proposta de ser potente e ultrafino. É um avanço tecnológico de toda a regra.
Mas chega ao Brasil passando por todas as dificuldades inerentes de qualquer marca de tecnologia que não possui fabricação local, apostando em uma parceria com alguma outra marca já estabelecida para tornar o negócio minimamente viável.
A Honor vai sofrer do mesmo problema que a Oppo no Brasil, que tem parceria com a Multi e também entrega seus produtos com preços mais elevados em nosso mercado.
Bem sabemos que o Honor Magic7 Lite a R$ 4.599 também está bem salgado no mercado brasileiro. Da mesma forma que o Jovi V50, que chegou esses dias ao Brasil custando R$ 4.999.
Em comum, todos os modelos mencionados são, no máximo, montados no Brasil, com as peças importadas pelos parceiros comerciais. Não são smartphones fabricados do zero e com produção industrial local. E por isso, eles custam mais caros do que deveriam ser.

Diante dos fatos, não sou eu que vou ousar em dizer que você não deve comprar o Magic V3. Você faz com o seu dinheiro o que quiser.
Só se pergunte se queimar R$ 20 mil dessa forma é algo minimamente saudável.
O dispositivo está disponível para compra através de parceiros varejistas como Amazon, Grupo Mateus, Bemol, Casas Bahia e Mercado Livre, com opções de parcelamento entre 10 e 24 vezes. A Honor também está em negociações com operadoras telefônicas para incluir os aparelhos em seus portfólios de produtos.
E boa sorte para a Honor.
Vai precisar.
Via MobileTime, Tecnoblog

