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O futuro da Marvel, segundo Kevin Feige

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Durante uma rara e extensa entrevista concedida a um grupo seleto de jornalistas, o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, ofereceu uma análise minuciosa sobre os rumos do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU).

A conversa ocorreu na sede da Marvel em Burbank, Califórnia, em um momento estratégico: às vésperas do lançamento de “O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” (no Brasil, o filme estreia em 24 de julho).

Feige não apenas comentou os erros e acertos da empresa, mas também expôs um novo plano de ação focado na racionalização de conteúdos e na reconquista da confiança do público.

A partir de agora, vários #SPOILERS sobre o futuro do MCU (ou tudo o que o Variety concluiu das falas de Kevin).

 

Menos é mais

De acordo com Feige, a Marvel produziu cerca de 50 horas de conteúdo entre 2007 e 2019. E entre 2020 e 2024, esse número saltou para impressionantes 127 horas — em praticamente metade do tempo.

A explosão criativa, impulsionada pelo lançamento da plataforma Disney+, acabou sobrecarregando os espectadores, que passaram a sentir a obrigação de acompanhar múltiplas histórias paralelas para compreender a trama central do MCU.

Essa “lição de casa” constante contribuiu para o desgaste do engajamento com a marca.

Feige argumenta que a crise recente enfrentada pela Marvel não tem relação com a saturação do gênero de super-heróis, mas sim com o excesso de lançamentos e a perda do foco narrativo.

Como exemplo, citou o sucesso do novo filme do Superman da DC Studios, que já arrecadou mais de US$ 400 milhões globalmente (e deve superar com relativa facilidade a previsão de US$ 500 milhões da Warner Bros.).

Segundo ele, “não é fadiga de super-heróis; é excesso de conteúdo.”

Com isso em mente, a Marvel Studios adotará uma nova estratégia a partir de 2025.

O plano prevê uma redução no número de lançamentos: até três filmes por ano e, no máximo, uma série live-action por ciclo anual.

Além disso, as séries deixarão de ser interdependentes dos filmes, permitindo que os espectadores acompanhem suas histórias sem sentir a necessidade de consumir todo o conteúdo do estúdio.

A ideia é retornar ao modelo das produções da década de 2010, como “Jessica Jones” e “Demolidor”, que, embora ambientadas no mesmo universo, mantinham tramas autônomas.

 

Economizar é preciso

Feige revelou ainda que o estúdio está comprometido em cortar custos. Após os orçamentos inflacionados do período pós-“Ultimato”, e pressionados pela pandemia, os novos projetos estão sendo produzidos com até um terço a menos do valor investido anteriormente.

Produções como “Deadpool & Wolverine” e “Quarteto Fantástico” já foram realizadas sob essa nova diretriz.

Para tanto, a Marvel estudou modelos mais eficientes, como o do filme “The Creator”, feito com apenas US$ 80 milhões, para aprender como equilibrar ambição criativa com responsabilidade financeira.

A questão geográfica também foi abordada. Enquanto muitos filmes anteriores foram produzidos na Geórgia, os próximos longas dos Vingadores serão gravados em Londres, no Pinewood Studios.

A mudança, segundo Feige, se deve à disponibilidade de espaço e incentivos fiscais mais vantajosos. Ele acredita que produções futuras voltarão a ser feitas em território americano, especialmente em estados como Nova York e Geórgia, que oferecem condições competitivas.

 

Diversidade e o futuro do MCU

Apesar da redução de escopo, Feige deixou claro que a diversidade continuará sendo um valor central da empresa.

Desde “Pantera Negra”, a Marvel tem priorizado personagens de diferentes etnias, gêneros e orientações sexuais. Produções como “Capitã Marvel”, “Shang-Chi”, “Ms. Marvel” e “She-Hulk” representam esse compromisso.

Com a nova política de enxugamento da grade de lançamentos, o futuro de muitos desses personagens permanece indefinido. Feige, no entanto, elogiou a atriz Iman Vellani (Ms. Marvel), descrevendo sua escalação como “uma das melhores decisões criativas do estúdio”.

Entre os planos futuros mais ambiciosos está “Vingadores: Guerras Secretas”, programado para 2027.

O filme encerrará a chamada Saga do Multiverso e servirá como ponto de reinício do MCU, permitindo a renovação do elenco e a introdução de novos personagens, como os X-Men. Feige confirmou que o vilão Kang, anteriormente apontado como sucessor de Thanos, foi descartado após a condenação do ator Jonathan Majors.

O novo antagonista central será o Doutor Destino, papel que marcará o retorno de Robert Downey Jr. ao universo Marvel, desta vez como vilão.

Feige também comentou sobre o novo filme do “Quarteto Fantástico”, que adotará uma estética retrofuturista e será completamente desconectado dos eventos anteriores do MCU, funcionando como uma porta de entrada acessível para novos espectadores.

A proposta é apresentar os personagens em seu próprio universo, sem exigir conhecimento prévio de outras produções da Marvel.

Kevin também confirmou que “reboot” é a palavra de ordem do MCU, afirmando que personagens como Tony Stark e Steve Rogers serão interpretados por outros atores:

Reinicialização é uma palavra assustadora. Uma reinicialização pode significar muitas coisas para muitas pessoas diferentes. Redefinição, linha do tempo única… Estamos pensando nesses termos.

Outros personagens da Marvel serão interpretados por outras pessoas em um momento ou outro, incluindo Tony Stark e Steve Rogers. Amy Pascal e David Heyman estão procurando um novo James Bond. David Corenswet, o novo Superman, tem sido incrível. Isso sempre acontecerá. Eu acho que é difícil para quem entra quando um ator desempenhou um papel tão bom. Como eles vão substituir Sean Connery como James Bond, certo?”

Feige foi questionado sobre o retorno de personagens como Clea (Charlize Theron), Hércules (Brett Goldstein), Starfox (Harry Styles) e Mephisto (Sacha Baron Cohen).

Kevin se esquivou de confirmações diretas, mas indicou que a aparição desses personagens é parte da estratégia de longo prazo, citando como exemplo o retorno de figuras esquecidas como o vilão Samuel Sterns, de “O Incrível Hulk”, no filme “Capitão América: Admirável Mundo Novo”.

Ele também revelou que a Marvel está desenvolvendo filmes focados em personagens únicos e gêneros específicos, uma fórmula similar à utilizada em “Shang-Chi”.

Feige não revelou qual seria esse projeto, mas deixou claro que a intenção é diversificar o tom e o estilo dos filmes para atrair públicos variados.

 

O futuro de Kevin Feige na Marvel Studios

Por fim, o presidente da Marvel compartilhou um pouco de sua vida pessoal. Nos últimos meses, tem assistido a clássicos do cinema dos anos 1930 e 40 para se reconectar com a essência do entretenimento.

Para ele, entender o que emociona o público continua sendo fundamental.

Quanto ao seu futuro, afirmou que deseja continuar fazendo grandes filmes para grandes audiências, seja dentro da Marvel ou em outras frentes da indústria.

Kevin Feige mostrou-se reflexivo, mas confiante.

Para ele, o MCU ainda tem muito a oferecer — desde que seja guiado por histórias envolventes, criatividade disciplinada e um compromisso genuíno com o público.

A nova fase promete ser mais contida, mais autoral e, acima de tudo, mais conectada com os valores que transformaram a Marvel em um fenômeno global.

Que o futuro seja próspero para a Marvel Studios. Ou pelo menos melhor que o presente que se apresentou até agora.

 

Via Variety, TVLine


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